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Uma chance para os endividados | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Finanças Pessoais

Uma chance para os endividados

Por Jurandir Sell Macedo

Os primeiros 18 anos do Plano Real foram uma festa no mercado financeiro para aqueles que tinham dinheiro para investir. Uma janela de oportunidade para enriquecer. Só que quem pagou pela festa não estava presente. Ou seja, foram aqueles que estavam na ponta oposta, tomando dinheiro emprestado.

O crédito, que antes do Plano Real era praticamente inexistente para pessoas físicas, cresceu de forma significativa. O volume de crédito para este segmento era de apenas R$ 16 bilhões em 1999 e chegou a R$ 528 bilhões em julho de 2012. Como os tomadores de crédito tinham que competir com o Tesouro e os títulos livres de risco, pagaram juros médios de 158% ao ano no cheque especial e 66% no crédito pessoal.

Mas, como diz o ditado, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. E a festa dos lucros elevados sem riscos chegou ao fim. As regras de sobrevivência dos últimos 18 anos não valem mais. Agora, o comportamento de investidores e credores precisa mudar.

Os investidores que se acostumaram a ganhar muito sem correr riscos vão precisar rever as estratégias. Com juros mais baixos, o planejamento para aposentadoria terá de ser reavaliado. As pessoas precisarão correr mais riscos, aumentar o valor poupado mensalmente ou postergar o momento de parar. Melhor ainda, fazer os três simultaneamente.

Para quem está endividado, o cenário de redução de juros abre uma oportunidade para quitar dívidas ou recuperar crédito via negociação. A clássica dicotomia devedor–investidor tende a diminuir. Antes não fazia sentido tomar emprestado se você tivesse dinheiro. Agora, muitas pessoas que antes não usavam crédito podem, por exemplo, comprar uma casa financiada e manter os investimentos no mercado. A redução dos juros permite que empreendedores e empresas invistam, aumentando a produtividade e os lucros, fazendo alavancagem tanto financeira quanto operacional.

Mas, para aproveitar o novo cenário, é fundamental melhorar a educação financeira. Não é possível que tantos brasileiros continuem cobrindo os furos de caixa com o rotativo do cartão ou com o cheque especial. Resolver este problema depende de uma conjugação de esforços da população, imprensa, governo, escolas e também dos agentes do mercado financeiro.

É comum a visão de que bancos e corretoras são beneficiários da falta de educação financeira dos brasileiros. Mas, clientes que tomam crédito de forma errada, ficam superendividados e acabam não conseguindo pagar os débitos. Assim, os bancos acabam perdendo o dinheiro e o cliente.

O cenário é ainda mais desafiador no campo dos investimentos. Quando existia a oportunidade de ganhar muito sem correr riscos, era fácil. Agora, os investidores que quiserem ganhar muito vão precisar correr risco, que sempre cobra um preço elevado de quem não está preparado para conviver com ele.

Veja o artigo Uma chance para os endividados em PDF

Do Jornal O Globo

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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