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Uma aula de educação financeira | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

Uma aula de educação financeira

Jurandir Sell Macedo é consultor de finanças pessoais do Itaú Unibanco e apoiou o desenvolvimento do Programa de Uso Consciente do Dinheiro. Dono de uma trajetória de pioneirismo e um dos grandes especialistas da área no país, ele foi um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Planejadores Financeiros(IBCPF) e atualmente é professor da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), onde ministra a primeira disciplina de Finanças Pessoais do país.

Nesta entrevista, ele conta como resolveu dedicar sua vida a este tema e explica como o período de hiperinflação vivido pelo país levou os brasileiros a desaprenderem a importância do planejamento financeiro. Em pauta, temas como a realidade econômica recente do país, o papel das instituições na difusão de conhecimentos sobre educação financeira e a importância da atuação voluntária nesta causa.

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Quais as principais mudanças que o atual contexto da economia brasileira traz para os cidadãos em relação à necessidade de planejar sua vida financeira?

Jurandir Macedo - Vivemos no Brasil um longo período de hiperinflação que atravessou várias gerações. Como a inflação alta dificulta muito o controle e o planejamento financeiro, acabamos desaprendendo estas importantes ferramentas que facilitam nossa vida. No passado, antes dos longos anos de inflação, os pais davam educação financeira aos filhos. Mas como os pais da atual geração não aprenderam isso em casa, agora o desafio é termos grandes instituições ajudando nesta tarefa. Precisamos integrar esforços de vários agentes para reverter o analfabetismo financeiro de grande parte da população brasileira. Orgulho-me de estar trabalhando em frentes como a Universidade Federal de Santa Catarina, a Expomoney e agora o programa de Uso Consciente do Dinheiro do Itaú Unibanco, que difundem gratuitamente a educação financeira para a população.

Além do desafio de planejar e controlar o orçamento, temos outro: sustentar-nos nos vários anos de expectativa de vida que ganhamos. Nos últimos 40 anos, a sociedade brasileira sofreu enormes transformações: deixamos de ser um país rural e jovem, as famílias mudaram-se para as cidades e passaram a ter poucos filhos. O antigo modelo de filhos cuidando dos pais na velhice não é mais viável. Os jovens poderão ter que cuidar de pais e sogros por muito tempo, o que é muito mais difícil em uma cidade do que no campo e pior ainda quando são poucos filhos. Assim, torna-se fundamental pensar em formar fundos para a aposentadoria – que será cada vez mais longa.

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Conte-nos um pouco sobre as pesquisas que você realiza como professor universitário e sobre a relação destes trabalhos com a temática do uso consciente do dinheiro. Que conclusões esses estudos têm possibilitado?

Curso de Finanças Pessoais ministrado pelo Prof. Jurandir na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Jurandir Macedo - Eu iniciei minha vida trabalhando com mercado de capitais. Entre as décadas de 1980 e 1990, fiz um mestrado em Engenharia Econômica e ministrei muitos cursos nesta área. Porém, eu via que não tinha muito sucesso em mudar o comportamento das pessoas. Além da universidade, eu trabalhava como planejador financeiro, mesmo sem saber direito que esta profissão existia. Só descobri que o que eu fazia era realmente uma profissão quando ajudei na fundação do Instituto Brasileiro de Planejadores Financeiros, o IBCPF. Como planejador financeiro, percebi que eu só fazia ricos ficarem cada vez mais ricos. E o que é pior: sentia que nem sempre eles ficavam mais felizes.

Parei tudo que estava fazendo e, em 2000, iniciei um programa de doutorado para estudar uma área então bastante nova na época, as Finanças Comportamentais. Durante o doutorado, passei um ano no Canadá e conheci o trabalho do professor Arshad Ahmad, da John Molson School of Business. Ele tinha uma disciplina de Finanças Pessoais para alunos de graduação. Voltei de lá com a ideia de fazer o mesmo no Brasil.

Ao finalizar o doutorado, em 2004, consegui implantar a primeira disciplina de Finanças Pessoais em uma universidade brasileira. A partir de então, passei a dedicar minha vida a este tema. E logo descobri que para falar de Finanças Pessoais, mais do que números, é preciso entender de gente.

Comecei a estudar Psicologia, o que culminou em um ano de pós-doutorado no laboratório de Psicologia Cognitiva da Universidade Livre de Bruxelas, ano passado.

Atualmente, acho que sou muito mais um divulgador científico do que propriamente um acadêmico pesquisador. Minha preocupação é transmitir os conhecimentos acadêmicos para o grande público. A ciência está presente em todo o meu trabalho, mas prefiro que ela seja como as fundações de um edifício: elas têm que estar lá, mas não precisam aparecer.

Minicurso oferecido pelo Itaú na Expo Money em Fortaleza

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Na sua avaliação, como os brasileiros e em especial os jovens se comportam em relação ao consumo e à administração de seus recursos financeiros?

Jurandir Macedo - Os jovens estão cada vez mais preocupados em aprender sobre Finanças Pessoais. Na minha disciplina, todos os semestres faço uma enquete cujo resultado mostra que menos de 20% dos alunos têm seus pais como modelo de gestão financeira que gostariam de seguir.

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Hoje, quais são os principais fatores que levam indivíduos e famílias a enfrentar problemas financeiros em nosso país?

Jurandir Macedo - Acredito que o que mais leva as famílias e os indivíduos a se endividarem é a vontade de elevar seu status social pelo consumo.

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Como você avalia o uso do crédito pelos brasileiros no atual momento da economia do país? É possível usufruir deste recurso de forma consciente?

Jurandir Macedo - O crédito, quando bem utilizado, é muito bom. Quando uma senhora do interior de Santa Catarina consegue comprar uma máquina de lavar roupas em 12 prestações, isso melhora muito a vida dela. Quem não acredita pode tentar lavar roupas com a água em temperatura próxima a zero grau, como ocorre no inverno nas serras do Sul do Brasil. Quando uma pessoa do Nordeste do país consegue comprar um freezer e pode abater um boi ou um porco ou conservar sua produção de hortaliças por um longo tempo, isso melhora a vida dela. Ter crédito para enfrentar uma emergência pode facilitar muito a superação de um momento difícil.

Porém, financiar as despesas correntes com crédito é o princípio de um grande problema. O exemplo máximo de como o crédito pode ser prejudicial são os ovos de páscoa financiados em 12 vezes “sem juros”.

Minicurso oferecido pelo Itaú na Expo Money em Ribeirão Preto

Portal Voluntários Itaú Unibanco – A educação financeira deve começar cedo? O que as crianças precisam saber e como falar com elas sobre o dinheiro?

Jurandir Macedo - O importante é ensinar as crianças a esperar. A partir dos seis anos, a criança já começa a entender os fundamentos do dinheiro. Um grande erro são pais que dão tudo para os filhos para que eles não fiquem frustrados. Uma criança precisa aprender a suportar frustrações, pois vai precisar lidar com isso todos os dias quando adulta. O que não podemos é traumatizar as crianças. Se seu filho quer alguma coisa que você não pode dar, que tal dizer claramente que você não pode, mas que se ele estudar muito e for dedicado, pode um dia conquistar o que quer?

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Como você aconselha as pessoas a administrar o conflito entre viver o presente e planejar o futuro na hora de empregar o próprio dinheiro?

Jurandir Macedo - É preciso ter equilíbrio para se preparar para o futuro sem estragar o presente. Afinal, só existem dois erros financeiros possíveis: economizar muito e morrer cedo ou economizar pouco e demorar para morrer. Ter equilíbrio é não abrir mão do supérfluo, mas ser implacável com o desperdício. E não existe maior desperdício do que gastar dinheiro para parecer aquilo que não somos.

Portal Voluntários Itaú Unibanco – Como você vê a atuação voluntária dos colaboradores do Itaú Unibanco nesta causa através da Oficina de Uso Consciente do Dinheiro? Na sua opinião, qual a importância de iniciativas como essa tanto para a sociedade quanto para os voluntários que nela se envolvem?

Jurandir Macedo na Expo Money

Jurandir Macedo - O maior benefício de fazer o bem é revertido para aquele que o faz. Tenho certeza que aqueles que podem ajudar melhoram muito a própria satisfação com a vida.

É extremamente importante um banco líder de mercado como o Itaú se envolver com a educação financeira, seja diretamente ou através de suas fundações. Afinal de contas, nenhum país pode se desenvolver se sua população é de analfabetos financeiros.

Quem trabalha em uma oficina como essa melhora sua vida, cria um país viável para os seus filhos e melhora muito a vida daqueles que são atendidos pelo projeto.

Do Portal ivoluntários
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