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Sem renda certa, diarista 'arrisca' fazendo dívidas no carnê | Instituto de Educação Financeira

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Sem renda certa, diarista ‘arrisca’ fazendo dívidas no carnê

A diarista Jeane Apolônio Santos, de 39 anos, pode ser considerada a “rainha” dos carnês e dos cartões de crédito de lojas. Ela assume que quando tem vontade de comprar não espera juntar o dinheiro. Recorre a longas e, às vezes, suaves parcelas.

“Estou endividada porque eu compro o que eu gosto. Se eu gosto, não vou deixar para o mês que vem ou para o ano que vem. Fico ansiosa para comprar logo. Eu penso: ‘puxa, trabalho tanto’.”

Jeane mora com o marido e a filha em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. Muitos móveis e eletrodomésticos do apartamento foram comprados a prestações. As da TV de 42 polegadas que Jeane deu de presente para a mãe só serão quitadas no ano que vem.

“Comprei com o carnê da loja. Eu tinha o cartão deles, mas cancelei porque, mesmo que eu não comprasse nada, me cobravam uma mensalidade. O carnê vem com a prestação fixa”, conta Jeane. Ela comprou a TV em 18 prestações de R$ 155, em um valor total de R$ 2.790. A última vence em janeiro de 2012. “Minha mãe pediu. Não deu para negar”, diz ela, rindo.

Segundo a diarista, com o trabalho dela, o de zelador do marido e ainda os bicos que ele faz, a renda mensal familiar pode chegar a R$ 4 mil. As dívidas comem boa parte do orçamento.

“Estou pagando R$ 1 mil só em parcelas”, diz Jeane. O carnê é para a televisão. O rack do televisor e do DVD, a máquina de lavar, o guarda-roupa da filha e a mesinha da cozinha estão sendo pagos com cartões de banco ou das próprias lojas.

Jeane conta que não falta dinheiro em casa, mas também não sobra. Por deixar de pagar uma conta, o nome dela ficou sujo na praça e parou no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). No entanto, Jeane garante que resolveu o problema e voltou a ter crédito.

Como se não bastasse ser adepta das prestações, o nome dela está em vários crediários do mercado. “Tenho parentes que compram as coisas no meu nome. Às vezes dá problema porque eles pagam atrasado e a loja liga para mim, mas não tenho como negar isso a eles”.

Erros

Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), diz que Jeane cometeu três erros que são muito comuns aos brasileiros: emprestou o nome para empréstimo alheio; fez muitas compras por impulso; e se preocupou apenas com a prestação em vez do preço total que pagará pelas compras que fez a prazo.

De acordo com Oliveira, o hábito da diarista de deixar que outras pessoas abram linhas de crédito no nome dela é muito nocivo para a vida financeira e deve ser abandonado o quanto antes. “Quando ela empresta o nome para alguém que teve problema de crédito está assumindo muito risco. Se a pessoa não paga, quem fica com o problema é ela”, diz o economista, que destaca que a prática é freqüente principalmente em casos de empréstimo consignado para idosos. “Muitas pessoas usam o nome do pai, do avô para pedir empréstimo. Mesmo que não haja intenção de não pagar, imprevistos acontecem”, alerta.

Na avaliação do especialista, outra falha grave de Jeane é o hábito de se render às compras por impulso. Profissionais liberais, como a diarista, precisam ser ainda mais cuidadosos, já que a renda varia de um mês para outro. “O problema não é comprar a prazo. O que não pode é usar as compras como fuga e fazer um montão de dívidas”, afirma.

“Há um risco enorme da pessoa ter uma queda de renda por algum fator, uma doença, uma mudança de planos de quem vai pagar”, avalia. Para ele, é importante lembrar que há outras despesas importantes que podem ficar descobertas por causa do excesso de carnês.

E agora?

“Ela precisa primeiro começar a pensar um pouco no futuro, porque ela faz muitas dívidas e não leva em consideração o valor que recebe mensalmente. Ela pode ter um salário menor no mês que vem”, aconselha Oliveira.

“A vida da gente é como se fosse uma pizza, a gente não vive só de carnês”, ensina. O ideal é dividir as despesas em quatro grupos principais. Um de despesas com habitação, como aluguel e condomínio; outro de alimentos, como compras de mercado; um terceiro para os gastos diversos, que abrange contas de celular, internet, educação dos filhos, TV por assinatura, roupas e passeios.

Os carnês, para compra de bens de consumo, seriam um quarto grupo separado, que não pode “invadir” o espaço dos outros no orçamento da família. “Ela não pode pegar o salário e colocar 50% para pagar carnês, senão vai faltar para as outras coisas. Não é a quantidade de carnês, mas a somatória não pode dar mais que 25%”, afirma.

“Ela tem que repensar essa política de pagar tudo a prazo”, recomenda Oliveira, que diz que as compras parceladas são aceitáveis, desde que o total se limite a, no máximo, um quarto da renda mensal.

Em relação ao “empréstimo” do nome, o economista da Anefac dá uma dica: se dizer “não” aos pedidos dos familiares parecer impossível, a saída para Jeane pode ser alegar que ela também tem restrições de crédito, o que inviabilizaria o sucesso num eventual empréstimo em seu nome. “Dizer que está com o nome sujo é uma forma de negar sem negar. É uma saída porque evita que a pessoa peça de novo”, recomenda.

Do Portal G1

 

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