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Sem cheque ou cartão, jovem paga todas as contas à vista | Instituto de Educação Financeira

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Sem cheque ou cartão, jovem paga todas as contas à vista


Em uma época em que muitas pessoas possuem até mais de um cartão de crédito, a radialista Carolina Pastore garante que não é adepta ao dinheiro de plástico e nem utiliza cheques para pagar as contas. A jovem de 25 anos vai além: nem possui uma conta bancária e recebe todo o salário em dinheiro.

(Série Manual do cheque e do cartão: o G1 publica nesta semana reportagens com exemplos de pessoas que tiveram problemas ao usar esses meios de pagamentos e dicas para usá-los melhor.)

Carolina trabalha em uma produtora de vídeos de Cuiabá e, como o salário é pago em dinheiro, ela não se viu pressionada a abrir uma conta bancária. “Nunca quis abrir uma conta. E como a empresa em que eu trabalho me paga em dinheiro, eu não tive que abrir uma conta para receber”, explicou.

Ao G1, ela disse que enquanto puder vai continuar longe das agências bancárias e que acha as taxas e juros dos bancos muito complicados. “Eu nunca tive vontade de ter conta em banco por que eu acho confuso lidar com juros e não sei como funcionam as taxas”, disse Carolina ao contar um dos motivos que a fizeram optar por não incluir cartões ou cheques em seu dia a dia.

Para pagar as contas, ela garante que se planeja e pesquisa para escolher os itens a serem comprados com antecedência. “Eu vejo o que preciso comprar e quando tenho dinheiro suficiente saio de casa só para adquirir especificamente o que eu quero e volto”, relatou.

A radialista tenta não fazer contas de alto valor para não ter que andar pelas ruas de Cuiabá com muito dinheiro na carteira. “Ando com no máximo R$ 15 na carteira. Mais do que isso só quando tenho que comprar ou pagar algo”, afirmou, enquanto ressaltava que divide o dinheiro entre os bolsos da roupa e da mochila quando recebe o salário ou vai comprar algo caro.

Por outro lado, a jovem destaca que nunca passou por situações constrangedoras por não possuir cartões ou cheque. Para ela, o fato de pagar tudo à vista é mais vantajoso. “Acho que é até melhor pagar com dinheiro porque acabo tendo descontos”, contou.

Carolina afirma ainda que o fato de não ter que se preocupar com o limite do cartão ajuda a não se endividar. “Eu não guardo muito dinheiro, mas, pelo menos, não gasto mais do que tenho. Às vezes o mês nem acaba e eu só tenho trocadinhos para gastar, mas dívida eu não tenho”, finalizou.

Dicas do Especialista

Na avaliação do professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, José Pereira da Silva, a postura radical de Carolina em relação aos bancos e ao crédito traz riscos. “Carregar dinheiro apresenta risco adicional de roubo ou perda, tanto que ela adquiriu o hábito de distribuir o dinheiro em vários bolsos”, diz Silva.

Segundo ele, a radialista poderia aproveitar seus bons hábitos de controle e organização financeira para manter uma boa relação com um banco. Ter um cartão de crédito, cheque ou limite no cheque especial pode ser fundamental em um momento de emergência que não possa ser resolvido apenas com as “moedinhas” de Carolina.

“Se ela tem toda essa racionalidade para gastar, deveria ter racionalidade para usar o cartão de crédito”, opina o professor da FGV. “Se houver uma emergência, um parente doente, um gasto hospitalar ou qualquer necessidade imediata, ela pode precisar recorrer a parentes ou amigos para pedir dinheiro. Isso não é rápido e nem garantido”, alerta Silva.

Para o especialista, o ideal seria que a radialista abrisse uma conta em um banco e mantivesse os seus bons hábitos financeiros, como fazer compras à vista, barganhar descontos e controlar cada despesa. “O crédito é semelhante a um automóvel: você pode usá-lo como ambulância para socorrer os outros, ou para fazer atropelamentos”, explica Silva.

Outro ponto favorável à abertura de uma conta para Carolina é a necessidade de poupar para planejar o futuro, como pensar na compra de um imóvel ou em uma aposentadoria. Sobre a dificuldade que a jovem alega sentir para entender as tarifas e taxas cobradas pelos bancos, Silva recomenda a busca de informação diretamente com a instituição financeira.

“Ela só precisa buscar informação. Parece ser uma pessoa com um grau de esclarecimento que tornaria fácil a compreensão de um extrato, que é simples”, diz. Para ele, é preciso também buscar entender quais as causas para que ela associe tão fortemente o endividamento excessivo à simples posse de um cartão de crédito. “Pode ser que haja outras razões para esse comportamento radical, até um trauma. De repente até uma terapia seria um caminho para tentar entender isso”, diz o economista.

Do Portal G1
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