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Sair de casa requer planejamento e maturidade | Instituto de Educação Financeira

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Sair de casa requer planejamento e maturidade

Viver sob a proteção dos pais, ter a comidinha gostosa da mãe todos os dias e usufruir de cama arrumada e roupa passada, entre outras regalias, é muito atrativo. Tanto é verdade que a permanência prolongada na casa dos pais até os 30, 32 anos já se tornou um fenômeno mundial. Muitos filhos escolhem viver a Síndrome de Peter Pan, o menino que não queria crescer nunca. E, normalmente, são apoiados e orientados pelos pais. Mas quais seriam os aspectos que revelam essa nova tendência e como esse comportamento poderia ser avaliado?

São muitos os benefícios que os jovens não querem largar. O conforto e as melhores condições econômicas são os motivos mais fortes para prendê-los em casa até mais tarde. Viver patrocinado talvez seja bem melhor do que suar a própria camisa e ter de aprender a ser adulto, resolver os próprios problemas, pagar as próprias contas, porém, o preço de tal conforto é o não desenvolvimento da própria autonomia.

Por outro lado, muitos saem empolgados de casa, mas se arrependem depois, porque percebem o peso de ser adultos. Mas se a decisão for mantida, vai se tornando mais fácil com o passar do tempo, naquele processo que se chama amadurecimento emocional. Ele costuma vir acompanhado dos amadurecimentos físico, sexual e profissional. Quando isso acontece, a pessoa sente-se centrada e preenchida, mesmo que tenha problemas pontuais. A felicidade se desponta como sendo a sua realização pessoal.

Para o psicólogo, pedagogo e teólogo padre Paulo Dalla Dea, uma das principais causas do fenômeno em questão é que atualmente os filhos são muito parecidos com os pais em ideias e pensamentos, diferentemente das gerações anteriores. Esses relacionamentos possibilitam uma boa convivência, aumentando o tempo de contato entre as duas gerações. Também a sociedade capitalista – ao exigir maior qualificação de novos empregados – faz com que o tempo de estudo e preparação alongue-se, mantendo os filhos dependentes economicamente por mais tempo, principalmente nas classes A, B e C. Na verdade, a adolescência foi uma invenção sociocultural capitalista e rege-se pelas leis de mercado nos países ocidentais ou em vias de ocidentalização.

Outro aspecto é que o medo generalizado gerado pela violência ocasiona um sentimento de proteção exagerada. Os pais resguardam-se, não só no sentido de ter a companhia dos filhos, mas evitando a chamada Síndrome do ninho vazio, que acomete milhares de chefes de família nos dias de hoje. A presença do filho em casa também é um fator apaziguador de ânimos para os casais que enfrentariam problemas ao ter de ressignificar os relacionamentos. “O filho acaba sendo uma defesa para a insegurança psicológica e para a falta de projetos de vida”, esclarece.

Muitas vezes, os próprios pais acabam prendendo seus filhos por sentirem-se apegados afetivamente e acabam inibindo uma atitude de independência e desapego do lar. É importante nesse momento que os pais saibam que os filhos representam a continuidade da sua família lá fora e que, portanto, devem seguir o seu próprio caminho, obtendo suas próprias conquistas e enfrentando os desafios que a vida proporciona.

Em um mundo altamente competitivo e, muitas vezes, extremamente violento, os pais tendem a proteger cada vez mais os seus filhos. Há 20 anos era muito comum ver crianças brincando na rua, o que já não é tão corriqueiro hoje, especialmente em grandes centros urbanos. Os filhos de agora vivem num casulo de proteção dos pais, os quais têm uma intenção positiva, mas acabam transformando suas crias em pessoas sem pró-atividade e sem autoconfiança. Em um ambiente de trabalho, pessoas que não puderam conviver com conflitos e variadas experiências normalmente carregam dificuldades.

De acordo com o Master Coach Edson de Paula, o excesso de proteção gera a dependência e também o medo de enfrentar os desafios da vida e, com isso, não há aprendizado vivencial. Ao experimentar situações conflitantes, existe principalmente a excelência de se aprender com os erros. Desse modo, o que dizer de um jovem que é constantemente protegido pelos pais e que não tem o poder de tomar suas próprias decisões? E se, numa eventualidade, os pais vierem a faltar por qualquer motivo? Como será?

Padre Dalla Dea também relata que os pais precisam ser fortes e ficar atentos quando, após sair de casa, o filho voltar ao ninho. Isso pode ser um sintoma de que ele decidiu não mais crescer, já que esse processo acarreta peso e desconforto. Nesses casos, o indivíduo é dependente de seus fantasmas e medos, e erroneamente é apoiado pelos pais. “Não há felicidade possível com essa postura, que revela um adulto físico com emocional de uma criança”, opina.

 Exemplos diversos

Apesar de ser uma decisão difícil, Everton Custódio teve o apoio que esperava dos pais para sair de casa aos 22 anos

Emocionalmente, a pessoa só cresce quando assume a própria caminhada, tenha ela 15 ou 50 anos. Um sujeito pode ser etariamente velho e emocionalmente dependente a vida toda. Aprender a se virar mais cedo pode ser uma das experiências emocionalmente mais compensadoras da vida.

Na contramão daqueles que não querem abrir mão do lar doce lar dos pais, Everton Custódio, 23, sentia uma imensa vontade de sair de casa e ser dono do próprio nariz desde seus 17 anos. “Meu sonho era morar em uma cidade grande, com muitas oportunidades de trabalho, agitação, corre-corre, diferente de como é o interior”, relata o jovem.

Embora tivesse consciência de que os desafios pessoais e profissionais pudessem ser grandes e exigissem muita força de vontade, o recém-formado natural da cidade de Aparecida-SP não se intimidou e foi à luta. Na capital de seu estado, conseguiu uma vaga em empresa de auditoria, o que foi o primeiro passo para a mudança de vida.

Como em qualquer escolha perdas e ganhos andam de mãos dadas, Everton relata que uma de suas primeiras dificuldades foi a qualidade de vida – o corre-corre, a agitação do trabalho, a má alimentação e a pouca prática de exercícios físicos são elementos recorrentes em sua nova vida. Apesar de, por enquanto, ainda não conseguir reverter esse quadro, Everton considera-se independente dos seus pais no aspecto financeiro.

Já o funcionário público André Silva mora em Lorena-SP e optou por outra escolha de vida. Aos 30 anos, enxerga o fato de ainda morar com a mãe como uma decisão pessoal. Para ele, sua presença em casa acontece como uma segurança, principalmente porque ela é viúva. Ele considera que o convívio estabelece laços afetivos e o fortalecimento da família. “Atualmente, eu teria condições de desfrutar do mesmo conforto caso estivesse morando sozinho”, afirma.

E quando o ninho fica vazio?

Antigamente, tinha-se 20 anos para ser jovem, mais 20 para ser adulto e outros 20 para se preparar para a morte. Hoje, a expectativa de vida aumentou. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil vive-se em média 73 anos, ou seja, 11 anos a mais do que em 1980. A projeção feita pelo IBGE é que se chegue aos 81 anos em 2050.

A infância está mais curta, a adolescência, a juventude e a vida adulta prolongaram-se e já a terceira idade, que era “para morrer”, agora tem se tornado bem mais satisfatória e feliz. Por isso, é bom ter projetos de vida para depois que o ninho se esvaziar.

A síndrome do ninho vazio manifesta a falta de investimento pessoal em um projeto de vida. Ao perderem o convívio diário com os filhos, os pais precisam reavaliar toda a sua vida econômica, afetiva e profissional. Isso muitas vezes é difícil e necessita em alguns casos de ajuda profissional. Geralmente, o filho fornece um escudo emocional que se destrói no momento em que vai embora de casa.

Conforme revela a psicóloga comportamental Veranice Feliciano, os pais estimulam a presença de seus filhos em casa alegando medo da violência, dissabores ou dificuldades financeiras, mas na verdade estão garantindo a eles mesmos menos preocupação, graças ao “pseudocontrole” sobre seus filhos e seus medos de enfrentamento do mundo. Para a profissional, o desafio para os pais só decorre em sofrimento quando se perde a capacidade de companheirismo, amizade e namoro entre o casal, ou quando se entregam totalmente apenas à criação dos filhos. A dica agora é ter um olhar voltado para o casal.

 Procure viver uma nova vida

  • Pratique exercícios
  • Viaje
  • Vá ao teatro
  • Frequente o cinema
  • Tenha uma religião
  • Tenha uma alimentação saudável
  • Vá ao médico periodicamente
  • Realize um trabalho voluntário
  • Participe de grupos de convivência da terceira idade

 

A hora de sair de casa chegou? Planeje-se!

Todos os pais querem ver seus filhos felizes, independentes e com garra para construir um futuro de sucesso. Mas, por que há tantos filhos com dificuldades no dia a dia, incapazes de tocar sozinhos as suas vidas pessoais e financeiras? O problema está no fato de que muitos pais continuam encarando os filhos como fontes de gasto e não de investimento.

Investir nos filhos significa dar educação, amor, carinho, empatia e limites. Crianças mimadas que não ouvem “não” acreditam que podem fazer o que quiserem, quando quiserem e onde quiserem. Essas crianças, quando adultas, não terão consciência dos seus gastos, não suportarão frustrações e terão dificuldades de fazer um planejamento pessoal e financeiro. É justamente o fato de esperar, fazer escolhas e aproveitar boas oportunidades que caracteriza o sucesso.

Ao absorver esse tipo de educação, no momento em que o filho for entrar no mercado de trabalho ele terá aprendido que o dinheiro não cai do céu e que é preciso se esforçar para valorizar o que ele quer ter e ser. Nesse momento, ele também estará pronto para colocar em prática o seu planejamento financeiro e pessoal. Esse planejamento pode ser chamado de mapa de navegação na vida, que acontece quando o filho observa onde ele está, aonde quer chegar e qual caminho tomar.

Com pós-doutorado em psicologia cognitiva pela Université Libre de Bruxelas, Celina Macedo trabalhou com as percepções subliminares do dinheiro. Ela oferece dicas para que se possa identificar financeiramente o momento exato de tentar a vida independente. Para isso, é importante seguir seis passos:

  • Determine a situação financeira do momento
  • Defina objetivos
  • Encontre formas de atingir os objetivos
  • Avalie qual forma é a mais adequada
  • Coloque em prática o plano de ação
  • Revise de tempos em tempos o plano de ação
  • Gerencie adequadamente as finanças para atingir objetivos pessoais

Na casa dos pais, é comum que os filhos não paguem luz, água e que também não rachem as contas do mês. Celina Macedo recomenda que é importante os filhos não só participarem da vida financeira na casa dos pais, mas também ajudarem nos trabalhos domésticos, pois quando saírem de casa já terão consciência de como é trabalhar para manter uma residência e de quanto é necessário ter para sustentar sua própria vida. Ela alerta ser essencial que, antes de sair da casa dos pais, os filhos já saibam fazer orçamentos para saber quanto precisam ter para viver sozinhos. Portanto, é fundamental que já tenham dinheiro reservado antes de se mudarem, principalmente para adquirirem fôlego extra se algum imprevisto ocorrer. Poupar a quantia de pelo menos três meses do que se planeja gastar é o mais indicado.

O desafio dos pais

Proteger os filhos sem permitir que eles se tornem acomodados é o grande desafio. Criá-los com garra dá muito mais trabalho do que dar tudo o que eles pedem. Portanto, se a conta não fechar no fim do mês, o filho deve procurar resolver o problema pelos próprios meios. “Deixe seu filho lutar e buscar sozinho uma fonte de renda extra”, indica Celina.

Na opinião da especialista, pelo fato de a vida não ser fácil – muito menos para quem não tem coragem para buscar os seus objetivos –, permitir que o filho corra atrás dos seus próprios objetivos é fundamental.

Em outras situações, a ajuda econômica momentânea pode ser benéfica, caso seja para alavancar o início da independência, pois o jovem se sentirá amado e apoiado em sua decisão. Mas se for uma dependência econômica permanente, vai gerar uma inadequação do processo.

Se ao sair de casa o indivíduo se deparar com a necessidade de realizar um “Plano B”, o mais indicado é observar atentamente os objetivos traçados. Dessa forma, vale a pena questionar-se, pois ajudará a começar ou refazer objetivos. Além disso, é importante conversar com a família, pois os pais normalmente têm bons conselhos para dar aos filhos.

 Questione-se!

  • Os objetivos eram possíveis de serem realizados?
  • O caminho escolhido foi correto?
  • O que fiz de errado?
  • Era o que eu realmente queria para o meu futuro?

Segundo Celina, se a decisão for continuar na casa dos pais, é importante que se estimule o jovem a participar do orçamento familiar. Afinal, a família pode ser considerada um time do qual todos na casa devem participar para que os gols e as vitórias sejam compartilhados e comemorados.

Do Jornal Santuário
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