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Quem disse que sou rico? | Instituto de Educação Financeira

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Quem disse que sou rico?

ricoNo início deste ano, eu passava em frente a uma sala de aula da universidade em que dou aula quando escutei um colega professor atribuindo as mazelas do mundo ao espírito egoísta dos mais ricos. Continuei caminhando, mas com a afirmação dele me surgiu uma dúvida… Será que ele próprio, professor titular de uma universidade federal, sabe que faz parte dessa porção mais rica da população? Será que ele tentava enganar os alunos ou estava enganando a si próprio?

Em outra oportunidade, há dois anos, perguntei a quatro pessoas que participavam de um debate se elas se consideravam ricas. Três disseram que não. Entre eles investidores que tinham no mínimo R$ 100 milhões aplicados em ações. Na hora pensei que, provavelmente, eles não quisessem admitir em público que eram ricos.

Uma terceira experiência, ocorrida há poucos meses, fez com que o tema voltasse a me inquietar. Eu ajudava minha mãe na declaração do Imposto de Renda e ela ficou revoltada por precisar pagar imposto suplementar. “Como eu, funcionária pública aposentada, com 67 anos e ganhando tão pouco, ainda tenho que pagar mais imposto?”. Respondi que quem tem obrigação de declarar já está entre os 50% mais ricos do mundo. Ela, no caso, certamente pertencia à fatia 1% mais rica. O argumento não convenceu minha mãe, mas o episódio despertou ainda mais minha curiosidade.

quote1Você, leitor, é rico? Por favor, esqueça o “rico em amigos, em saúde ou rico porque tenho minha família”. Quero saber se você se considera financeiramente rico. É muito provável que a maioria das pessoas, mesmo sendo rica, responda que não. Mas por que isso acontece? Porque julgamos nossa riqueza por aquilo que percebemos subjetivamente e não pelo que analisamos objetivamente!

Imagine um edifício com 100 andares, em que no primeiro andar ficaria a população 1% mais pobre e, no centésimo andar, a porção 1% mais rica. Em qual andar você habitaria?

Se a renda média mensal de cada pessoa na sua casa é de R$ 175, você já está entre os 50% mais ricos do mundo – portanto, acima do 50º andar. Se cada pessoa na sua casa recebe ao menos R$ 251, vocês morariam no 60º andar. Se a renda per capta é de R$ 1.980, vocês vivem no 90º andar. Se vocês ganham individualmente mais de R$ 6.250, considere-se um privilegiado habitante da cobertura de nosso prédio fictício.

Ainda assim, tanto minha mãe quanto os investidores com quem conversei e ainda meu colega professor seriam moradores da cobertura. E nenhum deles se julga rico. É porque lá no último andar existe um camarote especial em que só dez de cada cem moradores da cobertura podem entrar. Ou seja, apenas 0,1% da população frequenta esse espaço dos que ganham R$ 12.350 mensais.

Mas será que ao menos aqueles que estão no camarote no último andar se consideram ricos de fato? Infelizmente a reposta de muitos deles também seria um sonoro “não”. Acontece que o camarote é bem grande. Lá cabem 7 milhões de pessoas, o equivalente a pouco mais que toda a população da cidade do Rio de Janeiro.

quote2Mesmo estando lá, é possível que você julgue que rico é aquele que ganha dez vezes mais que você. Talvez você que mora na cobertura esqueça que abaixo existem dezenas de andares com bilhões de pessoas que ganham muito menos. Percebemos nosso status não por todo o edifício, mas apenas por aquelas pessoas que enxergamos e com quem convivemos. Portanto, mesmo dentro da área mais restrita do topo existem várias subdivisões – ocupadas por quem consideramos como “os verdadeiros ricos”.

Mas que tal parar de olhar para cima e dar uma espiada nos andares abaixo do seu? Quem sabe você descubra que muitos vizinhos precisam de você. Talvez, por efeito colateral, acabe descobrindo o quanto você é realmente rico.

Artigo publicado na revista Amanhã

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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3 comentários to “Quem disse que sou rico?”

  1. Muito bom o artigo! Realmente me surpreendi com os valores apresentados e a boa analogia que o professor utilizou.
    Parabens!

  2. Professor Jurandir: Que texto fantástico!
    Até fiquei animado agora, pois como você mesmo explica, estamos muito bem financeiramente comparados ao resto do mundo onde grande parcela da população ainda passa fome e/ou não têm uma renda adequada ao padrão de consumo mínimo que uma família deveria ter.

    Moro em Jaraguá do Sul, pertinho de Floripa e um dia desses passo na UFSC para pegar seu autógrafo nos livros que tenho, escritos por você.

    Abraços,
    Rodrigo

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