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Professora faz 'malabarismo' para administrar 18 cartões diferentes | Instituto de Educação Financeira

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Professora faz ‘malabarismo’ para administrar 18 cartões diferentes


A professora cearense Sílvia de Vasconcelos, 34 anos, administra 18 cartões sem nunca ter estourado os limites. Para manter as contas em dia, a servidora evita cair em tentação e só leva cartões na bolsa se realmente for necessário. O dinheiro de plástico fica no fundo do armário, em uma caixa e sob os dizeres “coisas para Deus cuidar”. “Todos ficam em casa, em uma caixinha, e só saio de casa com os que vou precisar no dia”, diz.

(Série Manual do cheque e do cartão: o G1publica nesta semana reportagens com exemplos de pessoas tiveram problemas ao usar esses meios de pagamento e dicas para usá-los melhor.)

Segundo Sílvia, cada cartão oferece uma vantagem, por isso são tantos. “Alguns dão desconto em lojas de roupas, outros permitem maior número de parcelas nas compras. Cada cartão a gente usa da forma mais vantajosa”, diz a professora. Há cartão para comprar roupas, para móveis da casa, eletrodomésticos e outro com maior limite de crédito para situações emergência, destinado aos gastos relativos à saúde. “Fora isso, é tudo comprado à vista”, afirma.

O marido da servidora, o comerciante José Wilson, ajuda a mulher a pechinchar quando chegam as cobranças de anuidade dos cartões. “Eles não insistem que a gente tenha o cartão? Então a gente também insiste por um desconto. Todo mundo pechincha”, explica Sílvia. A professora diz que o marido é mais controlado e a ajudou a perder o hábito de consumista. “Antes (de me casar) sempre que eu saía voltava com uma compra”, lembra.

Problemas

Apesar de ter cuidado com os cartões, Sílvia de Vasconcelos reclama das cobranças das administradoras nas segundas-feiras que seguem à data de pagamento das faturas que caem no domingo. “No domingo não saio de casa, é meu dia de descanso. Na segunda já me ligam marcando um horário para ir lá pagar”, diz.

Em uma loja de roupas, da qual tem o cartão para obter descontos, a fila para pagamento da fatura é muito longa e demorada. Na mesma loja é possível pagar a fatura do cartão no caixa, caso o cliente compre algum produto. “Sempre compro uma meia ou uma cueca só para não pegar a fila do cartão e ganhar um tempinho” – uma “estratégia” adotada pelas empresas para garantir mais vendas.

Sílvia diz que, graças aos cartões de crédito, conseguiu desconto de 32% na mensalidade da escola do filho, João Guilherme, de cinco anos. Ela pagaria 13 parcelas de R$ 480 mensalmente, mas negociou o parcelamento no cartão de crédito e reduziu os pagamentos mensais para R$ 330. O casal Sílvia e Wilson também já recebeu brindes e acumulou pontos para viagem usando os cartões.

Mas a professora alerta que o “poder de compra” dos cartões pode gerar o efeito colateral do endividamento. “Todo mundo sabe bem que os juros de cartões são altos e a dívida se torna uma bola de neve muito rápido”, diz a professora. Ela recomenda que as pessoas explorem as vantagens oferecidas pelas administradoras, mas não passem a gastar mais por causa dos cartões.

Dica do especialista

“O cartão de crédito é um instrumento muito bom se a pessoa tiver disciplina de organização de gastos. Caso contrário, é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento”, define Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos (Ibrafin) e professor de Finanças do Senac-SP.

O cartão de crédito ou de afinidade – que é o nome dado aos cartões de lojas e supermercados, por exemplo – é útil para o consumidor que sabe usar as oportunidades que ele oferece, como descontos e parcelamentos planejados, diz o professor. “Tem alguns produtos que é possível conseguir preços melhores se pagar com cartão. Neste sentido é bom, mas para essas compras apenas. Para o dia a dia, tem que ter o dinheiro no banco e pagar à vista”, orienta.

Na opinião do especialista, o cartão de crédito dá uma falsa sensação de poder ao consumidor. “Aquela sensação de comprar e não ter que se preocupar de pagar hoje ou amanhã, dá uma sensação de poder. Muitas vezes, a pessoa sabe que não vai ter como pagar, mas como é viciada, ela empurra o problema para o futuro. É o que a gente chama de um suicida do cartão de crédito.”

Para quem sabe planejar, no entanto, o cartão pode ser um aliado, lembra Castelo Branco. “Comprar um pacote de viagem parcelado no cartão para as férias do próximo ano é um planejamento, mas ir ao supermercado e comprar os ingredientes para fazer uma festa de aniversário para o filho sem ter dinheiro no banco é adiar um problema”, exemplifica.

“Não façam isso em casa”

Para Castelo Branco, a professora Sílvia parece ser uma “profissional” das finanças. “A estratégia da nossa consumidora parece ser inteligente, porque ela estuda a natureza do cartão. Não é amadora, é profissional, mas ela vive uma profissão de risco. Utilizar 18 cartões, se valendo das vantagens de cada um, é para quem tem experiência”, alerta. “Mas eu diria para os nossos leitores: ‘não façam isso em casa’”, brinca.

Castelo Branco recomenda que os consumidores em geral “fujam desta situação” de ter muitos cartões à mão. “Se fôssemos preparados (como Sílvia), eu até diria que é inteligente ter um cartão de cada tipo para aproveitar os bons negócios. (…) Para quem quer ser usuário de cartão, deve ter no máximo três.”

Apesar de demonstrar ser uma consumidora consciente, Sílvia não é totalmente imune às tentações, na opinião do professor. Exemplo disso é o fato de ela ter dito que sempre compra uma meia ou uma cueca “para não pegar a fila do cartão e ganhar um tempinho”.

“Isso mostra que ela está se rendendo à estratégia da loja. A empresa faz a fila do caixa ser mais rápida justamente para isso”, destaca Castelo Branco, que identifica, ainda, mais um pequeno deslize da professora. “O fato de ela deixar os cartões guardados em casa mostra que é suscetível à fraqueza [de consumir]. É uma técnica rudimentar, mas que funciona para ela”.

 Do Portal G1

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