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Previdência Privada: Apesar das preocupações, deve-se evitar o desinvestimento precipitado | Instituto de Educação Financeira

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Previdência Privada: Apesar das preocupações, deve-se evitar o desinvestimento precipitado

A recente alta na taxa básica de juros (Selic) vem afastando os investidores dos fundos de previdência privada. Isso ocorre porque a maior parte (cerca de 60%, em média) dos recursos desses fundos é aplicada em títulos de dívida pública com juros pós-fixados. Assim, quando a Selic sobe, aqueles títulos emitidos anteriormente se tornam menos atraentes e perdem valor de revenda. O resultado é uma queda na rentabilidade dos fundos que dependem desse tipo de aplicação para gerar retorno ao investidor.

Só no primeiro semestre deste ano, os planos de previdência privada aberta captaram cerca de R$ 38,6 bilhões, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O valor, 16,9% superior ao captado durante o mesmo período de 2012, acendeu um sinal de alerta no mercado. Afinal, trata-se da menor taxa de crescimento desde o primeiro semestre de 2009, no auge da crise que abalou o sistema financeiro global.

Preocupados, os gestores de alguns fundos já buscam alternativas – entre elas, o investimento em títulos de dívidas privadas. Mas parte desse esforço esbarra em um fator cultural: são poucas as empresas brasileiras que emitem títulos de longo prazo – e, desde junho, os fundos de previdência não podem adquirir títulos com prazo mais curto do que a média de suas carteiras. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o prazo médio das debêntures de empresas brasileiras é de apenas seis anos e três meses. Além disso, a oferta é restrita: no primeiro semestre, apenas 21 debêntures foram emitidas no país, totalizando R$ 8,3 bilhões.

Miguel Leôncio Pereira, professor do curso de extensão “Gestão de Entidades Fechadas de Previdência Complementar”, oferecido pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), diz que o momento é de reavaliar a performance dos fundos. “O investidor tem de acompanhar a capitalização do seu plano, olhar as vantagens e desvantagens tributárias e ver se as taxas cobradas não estão muito altas. Se for o caso, deve procurar outro plano. Só não pode se acomodar”, explica.

Segundo Pereira, a legislação garante ao investidor o direito à portabilidade da previdência. “Funciona tal como nos planos do celular: você procura outro plano, outra entidade, conversa com ela e faz a portabilidade, sem custo nenhum”, detalha. A possibilidade está consagrada na legislação de 2001 – mas, ainda hoje, são poucos os investidores que recorrem a ela. “Se você entrar no site das grandes operadoras, não verá nada incentivando a portabilidade. Mas é um direito do consumidor”.

Quem já tem recursos aplicados em previdência privada, porém, não deve fazer o desinvestimento – pelo menos, não agora. A recomendação é aguardar por um momento melhor e se ater à função primordial desse tipo desse tipo de fundo – a da acumulação de longo prazo. Jurandir Sell Macedo, consultor de Finanças Pessoais do Itaú-Unibanco, constata que muitos investidores ficam assustados demais com as oscilações de curto prazo do mercado financeiro – e, por isso, acabam tomando decisões precipitadas. “Vejo muitos colegas dizendo que é melhor realizar investimentos por conta própria do que por meio dos fundos de previdência. Matematicamente, é claro que é melhor. Mas quem tem capacidade para fazer isso com o conhecimento e a disciplina necessária?”, questiona ele.

Macedo, que também é professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), diz que um bom plano de previdência pressupõe a diversificação de ativos. Algo que os próprios gestores dos fundos de previdência já estão buscando – especialmente agora, com o cenário desfavorável a títulos de dívida pública como as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-Bs). “Não imagino um plano de previdência de ninguém que, daqui a dez anos, não tenha uma parte considerável de recursos aplicados em ações, por exemplo”, diz Macedo.

Reportagem publicada no portal acionista.com.br

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