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Por que jovens dos EUA evitam ações? | Instituto de Educação Financeira

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Por que jovens dos EUA evitam ações?

Pergunte a qualquer gestor de recursos sobre as pessoas que não querem investir em ações e a resposta será provavelmente um pouco condescendente. Eles não entendem o mercado; eles não estão pensando no longo prazo; eles não são sofisticados e preferem manter seu dinheiro debaixo do colchão.

Mas Diane Casaretti não é tão ingênua. Ela é uma representante de marketing de sucesso em Stamford, Connecticut, e, em sua carreira, trabalhou com muitos bancos e corretoras de Wall Street. Mas ela tomou uma decisão consciente e racional: ações simplesmente não são para ela.

“Meus pais sempre investiram o dinheiro deles no mercado de ações, e todos os amigos da minha família também”, afirma Casaretti, de 26 anos. “Quando tudo começou a desmoronar na crise financeira, foi quando eu percebi que de maneira alguma eu estaria confortável com aquilo. Para mim não parece lógico que eu possa poupar todo aquele dinheiro e potencialmente perder tudo no caminho”.

É uma frase que se ouve mais e mais nesses dias – e não de idosos avessos ao risco, como seria de se esperar, mas daqueles que estão apenas iniciando uma vida de trabalho e investimento. Mesmo com décadas pela frente até a aposentadoria e com todo o tempo para se recuperar de colapsos do mercado, muitos jovens americanos não confiam no mercado de ações como investimento.

Veja uma recente pesquisa sobre o sentimento do investidor realizada pela gestora de recursos MFS Investment Management. Segundo o levantamento, 29% disseram que jamais ficaram confortáveis investindo em ações – um número impressionante por si só. E entre os investidores da “geração Y”, abaixo de 31 anos, esse número salta para 52%.

Se esse sentimento permanecer, isso significa que uma grande parcela de toda uma geração de investidores pode ignorar as ações pelos próximos anos. “Esses números nos surpreenderam, mas você não pode realmente culpar os investidores”, diz William Finnegan, diretor-sênior de gestão da MFS. “Os jovens estão essencialmente dizendo que o mercado é um lugar muito assustador e, como resultado, muitos dos seus recursos vão ficar em ‘cash’”, afirma.

Eles são como Diane Casaretti, cujos recursos estão em uma conta bancária ganhando cerca de 1%. Ela se assusta tanto com as mudanças abruptas que o mercado teve nos últimos anos que nunca aderiu a um plano de previdência corporativo, em que a empresa também deposita recursos.

Isso combina com a pesquisa da MFS, que perguntou aos investidores quais seriam as classes de ativos que eles considerariam como “um excelente ou muito bom lugar para investir”. A única área em ascensão: portos seguros como contas bancárias e “money markets” (aplicações de curto prazo e altíssima liquidez). Em relação a ações, de fevereiro a outubro do ano passado, o número foi cortado à metade: só 18% dos americanos agora veem ações como um lugar muito bom para colocar seu dinheiro.

A julgar pelos fluxos nos fundos, esse triste sentimento está tendo um forte impacto na alocação de ativos. Os investidores de varejo tiraram quase US$ 37 bilhões dos fundos de ações em 2010 e mais de US$ 101 bilhões nos 11 primeiros meses de 2011, segundo o Investment Company Institute.

Esses números podem ser testemunhas do profundo dano psicológico que a recessão causou, comenta Finnegan, da MFS. “É muito parecido com a Grande Depressão, quando as pessoas que a experimentaram se tornaram muito conservadoras”, diz ele. “Parece que a nova onda de jovens investidores é muito conservadora e se sente confortável apenas com produtos dos bancos. Eu não acho que isso vai mudar no curto prazo”.

É claro que as perspectivas de aposentadoria da “geração Y” não parecem muito promissoras quando seus investimentos não conseguem nem acompanhar a inflação. Manter os recursos em “cash” na juventude não vai ajudar a construir aposentadorias luxuosas. Dado o poder dos ganhos compostos, uma aversão a ações na juventude pode se provar prejudicial.

De acordo com dados da T. Rowe Price, se um investidor poupar US$ 500 por mês entre 21 e 30 anos e conseguir taxas anuais de retorno de 7%, ele vai ter quase US$ 1 milhão aos 65 anos. Ele bateria com folga outro investidor que esperasse até os 31 anos para aplicar com igual tipo de retorno. Esse segundo investidor teria um ganho menor mesmo investindo US$ 150 a mais que o primeiro aplicador até 65 anos.

Em algum momento, os investidores devem superar o trauma associado à Grande Recessão e voltar às ações como a melhor aposta para valorização de seu portfólio no longo prazo. Por ora, contudo, a indústria financeira vai ter de lidar com investidores como Ryan Holiday. O diretor de marketing está entre aqueles que lavaram as mãos em relação às ações. “O portfólio dos meus pais foi demolido pela crise financeira e eu não quero ‘lançar os dados’ com o dinheiro que economizei”.

Do Portal Valor Econômico
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