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'Penso em não trabalhar tanto aos 60 anos', diz jovem investidor | Instituto de Educação Financeira

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‘Penso em não trabalhar tanto aos 60 anos’, diz jovem investidor

Aos 27 anos de idade, o consultor de marketing Eduardo Santin Scarpari já tem imóvel próprio, economias e planos bem claros para o futuro. “Penso em chegar aos 60 anos e não precisar trabalhar tanto, ter um patrimônio razoável para uma família de quatro pessoas. Quero ter dois filhos e não precisar pensar tanto em dinheiro para educá-los, viajar”, planeja.

Scarpari já começa a colher frutos de uma decisão que ele tomou há anos, ainda na época dos salários “magros” de estagiário em 2004, quando dividia um apartamento com os colegas de faculdade em São Paulo: a de retirar todo mês, religiosamente, R$ 500 do salário antes de pagar as contas e usá-los para comprar ações.

“Deixava de sair para guardar esse dinheiro, sempre pensava em gastar esse dinheiro no futuro”, recorda.  A regra vale até hoje e o montante depositado cresceu conforme a carreira do consultor evoluiu, e hoje ele estima ter reservas equivalentes a três anos de salário. “Hoje tiro 40% (do salário) para guardar, o resto pago minhas contas, baladas e viagens”, conta Eduardo, que nas horas vagas também se dedica à música atuando como empresário de uma banda de samba-rock.

Em 2009, quis deslocar parte das suas reservas para o que considerou um investimento mais “sólido”: resgatou todo o dinheiro que tinha poupado até então e usou para dar de entrada no imóvel em que mora atualmente.

O consultor de marketing Eduardo Santin Scarpari, 27 anos. (Foto: Raul Zito/G1)

Além da renda variável e do imóvel, o consultor mantém também uma previdência privada em parceria com a empresa onde trabalha. “Eu coloco X e a empresa coloca mais X, e se eu sair depois de um tempo determinado pela empresa posso sacar o valor integral depositado nessa previdência”, diz.

Preparação e treino

Biólogo Lucas Retz Vilella Pinto, 28 anos, passa três horas do seu dia em uma corretora de valores em Piracicaba, no interior de São Paulo. Pela manhã, antes de ir para a empresa de segurança no trabalho em que é empregado, ele realiza operações financeiras chamadas de opções (contrato que confere ao titular o direito de comprar ou vender determinado ativo a um preço e datas estipulados).
“Eu fui pegando um pouco do meu salário, 15%, 20%, e comecei a fazer compra de algumas ações”, diz o biólogo, que também tem foco em um futuro de menos preocupações financeiras.

“É bem para aposentadoria. Penso chegar a uns 50 anos com uns milhões na conta”, diz o biólogo, que não descarta adotar outros tipos de investimento daqui a alguns anos. “Me interesso pelo Tesouro Direto (títulos da dívida do governo), mas ainda tenho que aprender mais”.

A aproximação de Lucas com o mercado de ações começou há dois anos, quando ele se interessou pelo assunto e começou a fazer cursos na corretora que frequenta até hoje. Segundo ele, foi a busca por informação que fez com que ele perdesse o medo da bolsa. “Antes eu tinha interesse mas tinha um pouco de medo, era muito místico”, analisa.

“Eu fui pegando um pouco do meu salário, 15%, 20%, e comecei a fazer compra de algumas ações (…). Comecei com Petrobras e Vale. Todo mês eu comprava um pouquinho”, diz o biólogo, que atualmente reaplica todo dinheiro que ganha e não pensa em gastar o dinheiro no futuro próximo.

O biólogo Lucas Retz Vilella Pinto, 28 anos, passa três horas do seu dia na corretora. (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu penso nessas ações para daqui a uns 15, 20 anos. Eu acredito que depois de um tempo, se eu tiver bastante ações, eu consiga ficar só com uma carteira de dividendos, e ter essa renda para aposentadoria”, planeja.

O consultor de marketing Eduardo Scarpari também usou um programa simulador de compra e venda de ações antes de estrear nas “emoções” reais do mercado de renda variável.

“Passei sete meses simulando. Como eu estava na faculdade, eu estava o dia inteiro vendo isso. Eu até brinco que eu era mais conservador do que antes, agora eu sou mais agressivo”, afirma.

Lições do risco

Os dois jovens já passaram seus momentos de “susto”, em tempos de mercados instáveis e embalados pela crise financeira internacional. “Chegou a desvalorizar uns 30% do que eu tinha, mas ainda estou no saldo positivo”, conta Scarpari.

Já o biólogo Lucas diz que a instabilidade do mercado o ensinou a traçar uma estratégia e mantê-la, mesmo quando os preços oscilam demais. “Eu procuro seguir o plano, não me empolgar demais quanto estou ganhando nem mudar quando estou perdendo”, diz. “Eu gosto de comprar a ação e segurar, não ligo para preço. Para pesquisar, eu gosto de ver a política da empresa, caixa, rendimento, se ela está endividada ou não, expectativa da empresa”.

Mudança de “profissão”

Aos 27 anos, o publicitário José Diniz também tem planos para o futuro. Há cerca de um ano, iniciou um clube de investimento com amigos de colégio. “São seis pessoas. Tem economista, engenheiro, administrador. Fui montando um clube com pessoas meio que chave, que atuavam em determinadas áreas que fariam um clube com uma inteligência, e um cara que opera acima do mercado. Um time que conseguisse tocar bem o negócio”, conta.

“A gente tem uma ideia de um dia ter algo como uma butique de investimento. Deixar a carreira atual e montar uma butique de investimento. Isso seria um sonho. Anda um pouco complicado. Não colocamos nenhum prazo com metas. A gente ainda está numa fase de aprendizado”, diz o jovem.

Com a crise, os amigos reduziram os aportes no clube. “Mas a gente chegou a ter quase R$ 300 mil no clube. Da minha renda, cheguei a fazer em torno de 10% do que eu estava recebendo”, diz Diniz.

Palavra dos especialistas

Na opinião do consultor financeiro Alexandre Lignos, da consultoria IGF, a decisão de começar a poupar para a aposentadoria ainda na juventude é louvável e deve trazer um futuro promissor para a vida financeira dos dois rapazes.  A disciplina em fazer depósitos mensais, diz o consultor, é fundamental para um poupador de sucesso.

“Eles estão fazendo certo, isso é atitude de quem vai ser rico. Não pode deixar de garantir seu futuro só para gastar em balada”, elogia o consultor.

A recomendação de Lignos é que se poupe 40% do salário, e que cada um se ajuste a viver apenas com o dinheiro que sobra depois de retirada a reserva. “Tem que viver dentro das suas possibilidades”, diz.

Para  Eloisa Vasconcellos, consultora da corretora Magliano, o cuidado dos jovens em planejar detalhes de sua vida futura e fazer planos para o orçamento da família ainda na “solteirice” são características comuns do investidor que tem perfil para o mercado de ações. “Se a pessoa é mais ‘deixa a vida me levar,’ não está preocupada em querer uma rentabilidade maior do que a que teria com o dinheiro parado em um fundo”, opina.

De acordo com Lignos, tanto Lucas quanto Eduardo ganhariam mais segurança financeira se mantivessem dinheiro aplicado também em opções mais conservadoras, como fundos e renda fixa. Outra sugestão do consultor é que os dois investidores formem uma reserva em algum tipo de investimento mais fácil de resgatar em uma situação de emergência.

“É importante diversificar os investimentos e aplicar parte do dinheiro em uma reserva mais conservadora e com liquidez, para ser usada em uma emergência. Se alguém na família fica doente e você precisa vender ações, pode ter que vender a um preço baixo e perder muito dinheiro até da aposentadoria”, diz.

Segundo o consultor, ter outros investimentos além das ações é mais importante ainda em tempos de crise e incerteza econômica como o atual. Lignos acredita que o ideal seria manter  no máximo 30% a 40% em ações; 40% a 50% em fundos moderados e arrojados e 30% em renda fixa, poupança ou tesouro direto, mais conservadores.

Na opinião dele, Eduardo pode ter tomado uma decisão questionável ao retirar todo o dinheiro das ações em 2009 para comprar um imóvel. “Isso não é diversificar. Diversificar é manter percentuais em investimentos diferentes, não transferir de um ativo para outro”.

Antes de decidir comprar um imóvel, diz ele, é preciso avaliar o custo de manutenção e o custo da oportunidade de deixar o dinheiro “líquido”, ou seja, disponível para ser aplicado em investimentos mais atraentes. “É um período em que você paga juros do financiamento em vez de receber”, analisa o consultor.

Do Portal G1
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