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Os jovens de aquário e o amargo sabor da educação terceirizada | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Jovens

Os jovens de aquário e o amargo sabor da educação terceirizada

RI fev

Por Jurandir Macedo*

Há alguns anos eu estava na sala de um amigo, chefe de departamento na universidade em que trabalho, quando entrou o pai de um aluno para falar com ele. O homem questionava uma suspensão que o filho havia sofrido, por problemas disciplinares. Fiquei surpreso. Era a primeira vez que ouvira falar de um caso de suspensão assim, no ensino superior. Além disso, receber pais na universidade era algo restrito a eventos oficiais, como bancas e formaturas, nunca para debater problemas acadêmicos ou comportamentais dos estudantes.

Eu já estava de saída quando ouvi o pai dizer: “o senhor sabe como é, o menino é impulsivo”. Também por impulso, respondi que não sabia nada sobre o que havia acontecido com o filho dele, mas que conhecia o problema. “Aqui nesta universidade recebemos homens e mulheres. Se o senhor não soube fazer do seu menino um homem, a culpa é sua.”

Saí da sala, um tanto chateado por ter sido tão duro no comentário. Já no corredor, encontrei outro colega com quem fiquei conversando até o momento em que aquele pai saiu da sala do chefe de departamento. Aproveitei o reencontro para pedir desculpas por ter dito algo que poderia ser considerado ofensivo. A reação dele me surpreendeu também.

“Não preciso desculpar, pois o senhor tem mesmo razão,” disse. “Eu, na idade do meu filho, já trabalhava duro para sustentar uma família. E trabalhei a vida inteira para dar a meus filhos tudo que não tive. Embora tenha tido sucesso, hoje passo uma vergonha enorme pelo comportamento do meu filho.”

 Escola não educa

 Aquele caso isolado de anos atrás tornou-se, infelizmente, cada vez mais comum. Nos últimos anos tenho percebido mais e mais problemas de disciplina entre alunos da universidade. São jovens que acreditam piamente que o mundo foi feito para lhes servir. Acham ser as pessoas mais geniais que já habitaram a Terra e que, portanto, não faz sentido tratar diferente alguém que tenha o dobro de sua idade ou usar pronomes de tratamento, como “senhor” ou “senhora”.

Não conseguem sequer considerar uma pessoa que limpa o banheiro que eles usam como alguém igual a eles, que merece ser direcionado com um “bom dia” ou um “muito obrigado”. Muitos dos meus colegas professores têm ficado decepcionados com tais comportamentos. Alguns bons profissionais já desistiram da profissão por contrariedade com a falta de educação de muitos desses jovens.

RI fev citação 1

Sempre que me deparo com um jovem sem educação sinto pena. Penso, primeiro, que talvez ele não tenha recebido educação dos seus pais. Assim sinto pena do próprio aluno, que não recebeu da família algo tão fundamental para a vida em sociedade. Segundo, penso que pode ser o caso de ele ter recebido educação dos pais, mas de não a estar utilizando. Neste caso confesso que fico com mais pena dos pais.

Como “pena” é um sentimento passivo, certamente não gasto um segundo do meu tempo para tentar  educar o jovem, pois entendo que a escola e a universidade têm obrigação de formar o cidadão, não de educá-lo. Pais que acreditam que podem terceirizar a educação dos seus filhos para a escola vão colher amargos frutos no futuro.

Educar custa caro, mas vale muito

 A sociedade brasileira mudou profundamente nos últimos 50 anos. A mulher conquistou seu espaço no mercado, milhões de famílias conseguiram ascender economicamente e as demandas materiais cresceram na mesma proporção. As famílias têm cada vez menos tempo para se dedicar aos filhos, já que precisam trabalhar muito mais para sustentar níveis de consumo cada vez maiores.

É muito mais demorado ensinar o filho a levantar da mesa, retirar seu prato e lavar a louça que utilizou do que fazer o serviço no lugar dele, sem se incomodar. Mas pense bem: será que seu filho sempre terá alguém para executar esta tarefa para ele?

Muitos pais que sofreram muito para conquistar seu lugar ao sol têm a ilusão de que vão poder dar aos filhos tudo aquilo que não tiveram quando jovens. Esquecem que hoje são fortes justamente por terem passado dificuldades. Tentam criar um ambiente tão protegido que fazem os filhos serem fracos. Criam belos filhos de aquário, esquecendo que, se um dia pretendem ter filhos autônomos, eles terão necessariamente de quebrar o aquário. Seus meninos e meninas precisarão ser homens e mulheres para sair ao mar aberto, criar seu próprio mundo e buscar seu sustento.

De uma forma ou de outra, o mar vai mostrar a seu peixinho que ele não é o centro do mundo. Se você não quer fazer seu filho sofrer com a dureza da educação, saiba que os métodos utilizados pela sociedade vão ser muito mais duros do que aqueles que você pode utilizar.

Educar é transformar meninos e meninas em homens e mulheres. E você, como está se saindo nessa tarefa? Não custa nada lembrar: nenhum sucesso material irá compensar um fracasso na família.

Artigo publicado originalmente na revista RI

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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2 comentários to “Os jovens de aquário e o amargo sabor da educação terceirizada”

  1. Olá Jurandir, tudo bem?

    Parabéns por esse artigo, muito lúcido, sobre essa questão dos jovens da atualidade. Eles realmente acham que o mundo inteiro está aqui para servi-los, e principalmente seus pais!

    Claro que muito disso é consequência de nossas próprias atitudes como pais, que agora temos que lidar com essas atitudes e explicar que é tudo ao contrário!

    E nesse caso, acho que passa pela educação financeira e emocional… grande desafio para todos nós!

    Abs,
    Fabiane
    Sócia da Ricca RI e mãe de 2 adolescentes! ;-)

  2. Eu sou um desses jovens que foi criado num ambiente todo errado com uma família disfuncional. Eu vejo que se eu tivesse tido apoio nas areas certas e sido melhor educado eu seria uma pessoa melhor.

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