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Onde será que eu vou investir? | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

Onde será que eu vou investir?

Durante as férias escolares de julho, 93 crianças e adolescentes se reuniram em um acampamento na cidade de Atibaia, distante 70 quilômetros de São Paulo. Todos eram filhos de empresários e executivos. Com idades entre 5 e 17 anos, tinham bastante tempo para brincar e manter contato com a natureza. Nem tudo, no entanto, era farra. Numa espécie de pega-pega organizado por especialistas em finanças, uma criança com as pernas amarradas corria atrás dos colegas. Aos pulos, tentava pegá-los – todos de óculos com uma imagem de cifrão nas lentes. O menino das pernas amarradas simbolizava a figura do trabalhador. Para aprender o conceito de renda ativa, era obrigado a perseguir seu salário – os demais participantes. De repente, soava uma sirene. Era o fim do expediente.

Depois de acumular certo volume de capital, o “trabalhador” podia, enfim, receber o descanso merecido. Sentado numa cadeira de praia, o menino era paparicado por todos. Esta foi a analogia usada para mostrar a transição da renda ativa para a renda passiva, resultante da aposentadoria, do recebimento de aluguéis, dividendos e outros recursos. “Eles estavam lá para aprender a lidar com o dinheiro”, diz Silvia Alambert, diretora da subsidiária brasileira da Money Camp, empresa americana que promove atividades lúdicas com o objetivo de dar um clique capitalista na cabeça da garotada. “Seus pais querem que eles saibam o valor do dinheiro já na infância, e enxerguem como empreender pode mudar suas vidas.”

É claro que este método tem lá seus críticos. Muitos. Dar um clique capitalista em crianças de 5 anos, amarradas, soa, para empresários como Ricardo Semler, quase uma agressão à individualidade e liberdade de escolha. Ele prefere um modelo de educação mais livre, flexível, abrangente. “Em casa, são os meus filhos que decidem o que querem estudar e quando”, afirma. Esses dois exemplos são diametralmente opostos, mas têm uma mesma origem: a vontade de educar os filhos da melhor maneira possível, para lidar com o futuro. Claro que a experiência pessoal dos pais guia as crenças do que pode dar certo, mas não há qualquer garantia de que o que deu certo para uma geração será suficiente para acompanhar as transformações econômicas e sociais dos próximos anos.

Mesmo assim, é preciso escolher: entre diversas linhas pedagógicas, entre atividades extracurriculares, entre experiências que moldam o caráter e até entre outras formas de ensino. Qual é a melhor? “Simplesmente, não existe a melhor opção”, diz Howard Gardner, professor de Educação da Universidade Harvard. O melhor depende de alguns fatores, como os valores, as prioridades da família e o perfil da criança. Há quem aposte em matricular o filho de 3 anos no curso de mandarim, para estar pronto para a suposta hegemonia chinesa no mundo. Há quem aposte em deixar o pequeno comer um pouco de terra numa praça com crianças do bairro. Ou estudar música.

Para entender o quanto o futuro é incerto, basta olhar o passado. Em 1910, o Brasil era agrário. Educação de qualidade se resumia à alfabetização. Em 1950, o ideal de sucesso era formar um médico ou advogado – ou um funcionário público. Na década de 70, engenharia parecia o caminho seguro a trilhar num país que vivia as grandes obras do Milagre Econômico. Cada uma dessas visões de futuro levava a um ideal de educação. E estão todas em xeque hoje. Durante as últimas décadas, o assunto educação entrou na agenda – mundial e brasileira. Mas ainda falta muito. O ensino fundamental é precário e mesmo as escolas de elite apresentam resultados aquém do padrão de excelência internacional. Hoje, o Brasil ocupa a 53ª posição entre 65 países listados no ranking de educação organizado pela OCDE. “A escola brasileira está no século 19, o professor no século 20 e o aluno no século 21”, diz Mozart Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco e conselheiro do Todos pela Educação, um dos mais importantes movimentos financiados pela iniciativa privada.

No século 21, serão cruciais duas competências: habilidade para trabalhar
em equipe e capacidade de fazer análises críticas

As competências do século 21

Intui-se, daí, que as competências para o século 21 serão muito diferentes das de hoje. Linda Shear, pesquisadora de Stanford, cita duas delas: a habilidade para trabalhar em equipe (princípio do conhecimento coletivo) e a capacidade de fazer análises críticas – fundamental na era da informação. “Na economia moderna, será muito mais difícil ter sucesso individual”, afirma John MacBeath, professor e pesquisador de Cambridge. Noções de sustentabilidade também serão tão valorizadas nos bancos escolares quanto a capacidade de acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais. É de gente assim que o país precisará para sustentar o crescimento que se prevê.

O cenário permite ser otimista. Daqui a 30 anos, o Brasil será a quarta maior economia do mundo, de acordo com um estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Um país mais globalizado, com um imenso mercado interno, vocação exportadora de recursos naturais e maior peso das grandes corporações. A população, de 205 milhões de habitantes, envelhecerá e a renda per capita será cinco vezes maior que a atual, atingindo US$ 50 mil. “Nossa renda terá passado de média para alta, nos padrões do que hoje são a Alemanha e os Estados Unidos”, diz Marcelo Moura, professor do Insper. Se essas previsões se confirmarem, daqui a 30 anos a geração que está nascendo ou crescendo agora terá mais executivos, mais profissionais globalizados e uma infinidade de empreendedores. Um empresário de médio a grande porte, nesse novo país, poderá faturar R$ 1 bilhão – o cálculo leva em consideração o faturamento médio desta faixa de empresa (até R$ 300 milhões, segundo o BNDES) e as projeções de crescimento do PIB para 2040.

Márcio Utsch, no colo da mãe: “Ela incutiu na gente o valor do estudo. E nos encheu de autoconfiança”

Preparar o profissional do futuro

Jorge Paulo Lemman, no colégio. O esporte ajudou a formar o que viria a ser a cultura Garantia

Para tornar reais essas oportunidades hipotéticas, porém, será preciso haver gente. Quanto mais bem formadas as novas gerações, mais brilhante será o futuro do país – e mais oportunidades surgirão. Não serão todos empreendedores, até porque, nesse caso, cada empresa só teria um empregado. Mas, mesmo entre funcionários ou profissionais liberais, o ensino da gestão e a capacidade de tomar decisões autônomas serão cruciais.

Preparar profissionais de acordo com o futuro cenário econômico e social não significa abandonar completamente a tradição. Algumas fórmulas atuais de sucesso são bem conhecidas, e devem permanecer assim. Perseverança, capacidade de resistir a frustrações, clareza de objetivos, criatividade, tudo isso conta para a formação do novo executivo brasileiro. Combinar essas características com as demandas do século 21 é o maior desafio na educação. Da experiência de gente bem-sucedida nos negócios, extraímos cinco caminhos possíveis para a empreitada. Alguns deles são contraditórios. Mas, na maioria das vezes, são complementares.

O caminho da competição

Para muitos pais e educadores, o ambiente escolar precisa reproduzir o ambiente competitivo. A meritocracia, que premia os que alcançam os melhores resultados, ultrapassou os limites da prática de esportes individuais, inspirou modelos de gestão de negócios e tem permeado o sistema escolar. Há gradações, é claro, mas qualquer pai cuja preocupação principal é que o filho passe bem no vestibular está, pelo menos em princípio, nessa linha. O empresário Jorge Paulo Lemann, fundador do extinto Garantia e controlador de negócios como AB Inbev e Burger King, é um dos mais ferrenhos defensores da tese. Na vida e profissionalmente. Quando jovem, Lemann foi cinco vezes campeão brasileiro de tênis. Obcecado por desempenho, levou a prática das quadras para os escritórios. Fez uma legião de seguidores da política de metas e métricas, a “escola Garantia”. Na educação, pôs os filhos nos melhores colégios e os ensinou a trabalhar desde cedo. Hoje, dois deles operam no mercado financeiro, onde as recompensas são polpudas e as perdas, pesadas.

Algumas escolas premiam os melhores alunos. O Colégio Santo Américo, em São Paulo, instituiu a entrega de um cartão de bom desempenho aos estudantes com notas acima de 8. No fim do ano, as famílias dos “notáveis” são convidadas para um aprazível e restrito coquetel. “A premiação tem como objetivo valorizar o estudo”, diz Liamara Montagner, coordenadora da educação infantil do colégio. Discípulo de Lemann, Fersen Lambranho, sócio-diretor da GP Investimento, gosta. Ele tirou seu filho, de 7 anos, de uma renomada escola de São Paulo porque o reitor decidiu extinguir um sistema de premiação semelhante. Acabou matriculando o guri no Colégio Bandeirantes, um dos mais rigorosos da capital paulista, que segrega alunos bons e medianos. Na visão de Lambranho, a vida é assim. O colégio deve ser, também.

No Bandeirantes, a partir do ensino médio, os alunos com notas acima de 8 ficam na turma de número 1. Quem se sai bem, mas nem tanto, vai para a turma 2 e assim por diante. A separação segue a lógica do ensino de um idioma estrangeiro. “Nenhum curso de inglês coloca na mesma sala de aula alunos que estão em diferentes níveis”, diz Mauro de Salles Aguiar, diretor do colégio. Segundo ele, o desempenho expresso nas notas demonstra não a capacidade intelectual, e sim a maturidade e a motivação para se dedicar seriamente aos estudos. “Criar grupos homogêneos é controverso. Mas você não passa em um vestibular de medicina se não estiver numa turma desse tipo”, diz.

Alguns pedagogos torcem o nariz para a separação dos alunos por níveis. Porém, a estratégia dá resultado. Estudos demonstram que a homogeneidade dos grupos permite turbinar em 35% o desempenho médio dos estudantes. “A maneira mais fácil e eficiente de melhorar a performance dos alunos é colocar quem tem o mesmo perfil em uma mesma sala”, afirma Ricardo Paes de Barros, coordenador da pesquisa Caminhos para Melhorar o Aprendizado, do movimento Todos pela Educação em parceria com o Instituto Ayrton Senna (leia seu artigo na pág. 46). Especialista em políticas sociais, Paes de Barros diz que o modelo tem, contudo, seu efeito colateral: a perda da diversidade. Ele sofreu na pele o problema, por ter estudado a vida inteira em escolas de altíssima competição e rigor acadêmico, como o ITA e o Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada). “Em nenhum desses ambientes os alunos tinham compaixão com os colegas.”

Horácio Lafer Piva estudou em escolas tradicionais. Na educação da filha, ele investe em experiências

Os critérios de Harvard

A escola de negócios da Universidade Harvard é a mais renomada do mundo. Todo ano, recebe cerca de 10,5 mil inscrições, de gente capacitada, e tem de selecionar menos de mil para MBA e doutorado. É claro que ela deve errar (especialmente se você foi um dos inscritos não selecionados), mas seus critérios ajudam a entender o que a universidade pensa sobre os rumos da educação.Eis o que diz o reitor de Harvard, Nitin Nohria

Excelência acadêmica 

Não é suficiente, mas é importante. É o que demonstra comprometimento do candidato aos estudos

Experiência profissional

É interessante que o candidato ao MBA, por exemplo, tenha dois ou três anos de experiência profissional

Potencial para liderar

A escola busca evidências que comprovem o potencial do candidato para liderar. Vale ter sido capitão do time da escola

Qual seu projeto?

A motivação para estudar na escola não pode se restringir à evolução pessoal. É preciso ter um projeto maior

O valor da experiência

Eike Batista dá uma carona à irmã. Agora, bilionário, costuma levar o filho mais velho para viagens de negócios

Especialmente nas escolas com apenas cinco horas de aula por dia, pais ocupados tendem a apostar nas atividades extracurriculares. Fazem parte dessa categoria a prática de esportes, a alfabetização musical e o contato com outras realidades. A empresária Ana Maria Diniz, por exemplo, acredita no poder formador do esporte. No fim de julho, enquanto acompanhava o embate de seu pai, Abilio Diniz, com o grupo francês Casino, ela seguia a distância o desempenho de sua filha Andréa, de 16 anos, num torneio de tênis na França. “Esta é a quinta semana que ela está fora de casa jogando”, diz Ana Maria. De uns tempos para cá, Andréa tem dado sinais de que pretende se tornar tenista profissional. Como sua dedicação não tem prejudicado suas notas, Ana Maria e seu marido, o cientista político e jornalista Luiz Felipe D’Avila, incentivam a vocação esportiva. “O esporte mostra a dureza da vida de forma genuína e nos poupa de criar barreiras artificiais”, diz.

Segundo Ana Maria, a prática regular de tênis tem ajudado Andréa a amadurecer e tornar-se obstinada. O caçula João, conhecido como Juca, 15, vai pelo mesmo caminho. “Ele diz que irá representar o Brasil no golfe na Olimpíada de 2016.” Não foi por acaso que o esporte entrou na vida dos seus dois filhos com D’Avila (Ana Maria também é mãe de Bruna, 25, e Bianca, 24, filhas do primeiro casamento). Na sua família, esporte é uma segunda religião. Aos 74 anos, Abilio é conhecido por manter excelente forma física se exercitando três vezes ao dia. Ana e D’Avila não ficam longe disso. “Fiz balé durante 17 anos. Hoje eu pedalo e faço aula de dança indiana e street dance pelo menos três vezes por semana.” D’Avila corre, nada, joga squash e pedala.

A importância das atividades extracurriculares é destacada por grandes universidades como um dos critérios mais importantes na seleção dos candidatos. “Além de excelência acadêmica, que demonstra comprometimento do candidato com os estudos, buscamos evidências que comprovem a capacidade e o potencial de liderança dessas pessoas”, disse Nitin Nohria, reitor da escola de negócios da Universidade Harvard. O candidato pode ter desenvolvido alguma ação social ou ter sido capitão do time da escola. Tudo conta. Segundo Nohria, os estudantes que conseguem ingressar em Harvard têm uma ampla gama de interesses e experiências pessoais e profissionais. “Normalmente, são pessoas curiosas e muito motivadas para aprender.”

Gilberto Mautner, fundador e executivo-chefe da Locaweb, empresa de hospedagem na internet, escolheu a música como complemento dos estudos. Fora do colégio, sua turminha – Eduardo, 9, Felipe, 8, Gabriela, 7, e Rafael, 6 – faz duas aulas individuais de piano por semana. “Eles estão na fase de alfabetização musical.” Engenheiro formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Mautner passou boa parte da vida de estudante e profissional quebrando a cabeça com os números. Mas a música veio antes. “Nasci em contato com os clássicos por causa da minha mãe, que foi pianista profissional.” Segundo ele, a música é uma forma prazerosa de juntar raciocínio lógico e intuição de forma harmônica. “Sei por experiência própria o que eles têm a ganhar com isso.”

O mergulho em realidades distintas daquela que se encontra na escola é parte valiosa da educação de Maria, 13, filha de Horácio Lafer Piva, conselheiro e acionista da Klabin, uma das maiores empresas de papel do país. Nas férias de julho, pai e filha, na companhia de Verena (mulher de Piva) e de dois filhos dela (Samuel, 10, e Pedro, 12), circularam de carro por mais de 2 mil quilômetros em Portugal. Pararam em cidades históricas como Sintra, Évora e Porto. “Nas muralhas de Óbidos, eles brincaram, dizendo que estávamos no cenário do Harry Potter”, diz Piva. Mais que um mero exercício de observação, ele vê nessas viagens pelo desconhecido uma etapa crucial na formação de sua filha e dos dois enteados. “Sou contra essas escolas que querem ser bunkers.”

Steve Jobs também. Detestava as aulas e achava um desperdício fazer lição de casa. O ensino tradicional o cansava e ele pediu aos pais que o transferissem para uma escola mais liberal. Deu certo. Até chegar à faculdade. Jobs fez apenas seis meses de física, arrumou um estágio na HP e depois foi trabalhar na Atari. De lá, sumiu para uma temporada na Índia, usou LSD e voltou budista, com a cabeça raspada. Anos depois, com o amigo Steve Wozniak, fundou a Apple.

Pedagogia para o século 21

Polêmicas. Inovadoras. Experimentais. Novas práticas pedagógicas são a aposta para as demandas do século 21. Os exemplos vão do fim do ensino da letra cursiva nos Estados Unidos à inclusão do chinês no ensino obrigatório, como propõe a Suécia. No Brasil, a pedagogia libertária da escola Lumiar, de Ricardo Semler, é um exemplo dos novos tempos. O colégio é um dos 12 que integram um programa de inovação no ensino patrocinado pela Microsoft. Junto da Lumiar, está a Philadelphia School of the Future nos Estados Unidos. Lá, o ensino não é baseado em disciplinas, e sim em projetos interdisciplinares. Há uma ênfase na comunicação interpessoal, visto que os alunos precisam defender seus projetos em público. A importância dada ao discurso, oral ou escrito, é aprovada pela neurologista americana Judy Willis. Segundo ela, elaborar a linha de raciocínio de um texto amplia as conexões neurais e, por isso, ajuda o cérebro a desenvolver as funções lógicas necessárias na aprendizagem de outros conteúdos, inclusive matemática e ciências.

A liberdade dada ao aluno da School of the Future para ele estudar onde quiser é outra tendência. “A informação está em qualquer lugar. A sala de aula serve para alunos e professores interagirem e discutirem o conhecimento”, afirma Nitin Nohria, reitor da Harvard Business School. Ele elogia a Khan Academy, criada por Salman Khan, ex-aluno do MBA de Harvard. A academia é um conjunto de aulas em vídeo que virou febre nos Estados Unidos, onde é permitido o home schooling (ensino em casa). O que começou como uma ajudinha à prima Nadia tornou-se um negócio para Khan, que vive de doações e patrocínios.

Se as características do século 21 exigem mudanças, por que prevalece o método tradicional? O professor John MacBeath, da Universidade de Cambridge, aponta: é mais fácil de executar e comprovou ser eficiente ao longo de séculos. O problema é que o sistema baseia-se em um modelo anacrônico de avaliação, no qual os alunos são medidos pela quantidade de conhecimento que acumulam e não pelo que fazem com isso. Diferentemente das notas de um aluno, o resultado dessa deficiência demora para aparecer.

O obstáculos e as conquistas

Esses cinco tiveram de vencer grandes dificuldades. E se deram muito bem na vida

Rebeldia canalizada

Era um jantar familiar e o inquieto Bill Gates, então com 12 anos, bateu boca com a mãe. Seu pai, num gesto raro de fúria, jogou um copo de água na cara do menino. Gates respondeu: “obrigado pelo banho”. Filho de um advogado preocupado em construir carreira e de uma dona de casa disciplinadora, demonstrava uma rebeldia precoce. Um psicanalista aconselhou os pais a canalizar a inquietude do filho de forma produtiva. Bill Gates entrou em Harvard, mas desistiu do curso para fundar a Microsoft. O resto da história é conhecido

Exemplos negativos

A mãe de Larry Ellison tinha 19 anos – e era solteira – quando entregou o filho de nove meses à irmã. Criado pela tia amável e pelo tio severo, Ellison entrou na Universidade de Illinois, mas largou o curso após a morte da “tia-mãe”. Um ano depois, entrou e saiu da Universidade de Chicago. O padrasto dizia que o futuro dono da Oracle jamais faria algo extraordinário. “Eu via figuras autoritárias na escola e em casa. Foram ótimos exemplos de como eu não queria ser.” Ellison atribui seu sucesso ao fato de questionar a sabedoria convencional

A arte de sobreviver

Aos 20 anos, Andy Grove já era um sobrevivente. Na infância, curara-se de escarlatina, escapara de ser morto primeiro pelos nazistas (judeu, viveu escondido na 2ª Guerra Mundial com uma família cristã) e depois pelos comunistas (o exército soviético invadiu Budapeste e ele fugiu para os EUA). Viveu com os tios em Nova York, formou-se e fez doutorado em engenharia química. Mas foi a engenharia eletrônica que forneceu a base teórica para fundar com dois colegas, em 1968, a fabricante de microprocessadores Intel, que liderou até 1998

Subornado para estudar

Steve Jobs detestava as aulas e achava um desperdício fazer lição. Uma professora da 4ª série notou seu talento e, para incentivá-lo, oferecia doces e notas de US$ 5. “Ela me subornou”, disse Jobs. Deu tão certo que o garoto passou direto para o 6º ano numa escola barra-pesada. Mais jovem da turma, era perseguido. Exigiu dos pais que o transferissem. Estagiou na HP, fez seis meses de faculdade e foi trabalhar na Atari. Viajou à Índia, usou LSD e voltou budista. Anos depois, com o amigo Steve Wozniak, fundou a Apple

Influência dos livros

Joanne K. Rowling, a criadora da saga Harry Potter, nasceu em uma casa com muitos livros, uma predileção tanto da mãe quanto do pai. Dos contos e romances, ainda menina, tirava a inspiração para suas próprias histórias – narradas com devoção para sua fiel plateia, a irmã mais nova. Na escola e na universidade, tirava boas notas, mas saía-se mal no esporte, por causa da timidez. Tanto quanto o talento, contou a seu favor a persistência: ouviu uma dúzia de nãos em editoras até conseguir publicar o primeiro livro.

O poder do exemplo

Fernanda Ralston foi expulsa de três colégios. Hoje tem o seu próprio

O capital cultural da família acelera a ascensão social da segunda geração. Segundo uma pesquisa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/UERJ), o peso da origem familiar chega a ser maior que o da educação. O filho de um profissional bem qualificado tem 2,71 vezes mais chances de ascender socialmente do que o filho de um trabalhador braçal – o que já é esperado. Já a força de um diploma universitário na escada social é quase três vezes menor. Pode parecer estranho, mas a chance de um jovem formado na universidade ascender é praticamente igual à de outro que não concluiu a universidade.

Quando envolve valores e princípios de instituições e empresas tradicionais, a transmissão de conhecimento de geração a geração pode ser tão importante quanto a educação formal. É o caso dos Ermírio de Moraes, donos da Votorantim, um dos maiores grupos empresariais familiares. O hábito de formar “dentro de casa” chegou à quarta e quinta gerações, compostas por mais de 60 herdeiros. Um deles é José Roberto Ermírio de Moraes Filho, de 25 anos. Há três anos, Beto, como é conhecido, fundou a Perfin, uma gestora independente de fundos de investimento, e tem investido capital próprio em empresas de tecnologia. Ele teve uma educação tradicional. Estudou na Escola Morumbi e fez faculdade de administração de empresas no Insper. Na adolescência, cursou o “high school” em Oxford, na Inglaterra. “Não foi uma experiência inesquecível”, diz. Memoráveis mesmo, ele conta, foram as conversas com seu pai, presidente do braço industrial do grupo, e os tios, na fazenda da família no interior paulista. Os Ermírio reuniam a garotada e começavam a falar da importância do grupo Votorantim. Invariavelmente, levavam as crianças para visitar as fábricas. Beto iniciou a turnê industrial aos 8 anos. Desse tempo guarda a lembrança do milk shake após o passeio e de uma definitiva lição de seu pai. “Ele mostrava os carroceiros na rua e dizia que aquele ia ser o meu futuro se eu não trabalhasse.” Assim como os primos, Beto conta com um programa familiar para auxiliá-lo a conciliar a preservação do legado e a busca do próprio caminho. Os jovens são divididos por idade e recebem aconselhamento de especialistas e dos mais velhos. Também assistem a palestras de economistas, cientistas políticos, esportistas e até de concorrentes.

Bem menos formal, Horácio Piva prefere o caminho do exemplo de vida, não apenas o profissional. Recentemente, o empresário passeou de carro com os três filhos pela Cracolândia, reduto de consumidores de crack em São Paulo. “Sem que eu precisasse fazer qualquer discurso careta, eles entenderam o que as drogas causam às pessoas.” Caminho parecido foi trilhado pelo empresário Marcos de Moraes, dono da Sagatiba, fabricante de cachaça que está presente em 42 países. Quando seus filhos tinham 10 e 13 anos, idade em que os pais se preocupam com os perigos da adolescência, Moraes decidiu levá-los à associação dos narcóticos anônimos de São Paulo. Os dois ouviram o relato de uma menina de 13 anos viciada em drogas que havia contraído o vírus HIV. Ficaram assustados. Volta e meia, a visita à menina era tema de reuniões da família. Por conta desse episódio, seu filho mais velho decidiu construir uma biblioteca numa favela. “Você tem de viver a verdade do mundo, e não uma situação ilusória gerada por uma posição privilegiada”, afirma Moraes.

Milionário aos 33 anos, quando vendeu o Zip Mail para a Portugal Telecom, por US$ 365 milhões, Moraes, hoje com 45 anos, não quer que os dois filhos sigam a sua trajetória – nem a do pai, o ex-rei da soja Olacyr de Moraes. Ambos largaram os estudos para trabalhar (o primeiro largou o colégio, o segundo, a faculdade). Os filhos adolescentes do dono da Sagatiba estudam em bons colégios. “O trato que eu tenho com eles é o seguinte: façam o que quiserem, desde que tenham dedicação”, diz Moraes.

A força da comunidade

Marina (à direita), num noviciato. Para se educar, e para educar os filhos, contou com a ajuda da “tribo”.

Muitas vezes, os exemplos não vêm da prática, mas dos valores ensinados em casa ou na comunidade. A ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, candidata à Presidência em 2010, contou com a ajuda de uma rede de proteção – o sindicato, o partido e, principalmente, a família – em seu processo educacional. Ela viveu numa “tribo”, como costuma dizer. Nascida no seringal Bagaço, no vilarejo de Breu Velho, a 70 quilômetros da capital do Acre, teve apoio dos avôs, tios e primos. E, claro, do pai. “Até hoje, meu pai, Pedro, de 84 anos, é uma espécie de cacique que aconselha as pessoas.” Aos 16 anos, Marina mudou para Rio Branco para cuidar de uma doença e foi morar com um tio. Com o sonho de ser freira, fez o Mobral, o programa de alfabetização para adultos. Sua avó dizia que não havia freira sem saber ler ou escrever. Marina não conhecia o alfabeto, mas tinha noção de matemática porque aprendera a fazer contas de quanto um seringueiro deveria ganhar. Ao ver a professora ensinando os fonemas, deduziu que as palavras eram formadas pela soma dos sons das letras. Com ajuda de um primo, decorou o som de cada letra. Em 15 dias, sabia o alfabeto e, em três meses, concluiu o primário. “Aquele diploma era a fresta da janela de oportunidade”, diz. Ela se formou em história.

Marina tem quatro filhos, com idades de 20 a 30 anos. Os mais velhos estão formados em psicologia e publicidade, os mais novos estudam Direito e jornalismo. Ela diz que não interferiu na decisão deles. Mas fez de tudo para que chegassem lá. Quando era professora de uma escola privada em Rio Branco, conseguiu bolsa de estudos para os quatro. E valia-se da ajuda de parentes nas ocasiões em que os deveres políticos a impediam de acompanhá-los nos estudos. Educação era prioridade zero para quem aprendeu a ler aos 16 anos.

Outra prova de que valores familiares e educação consistente podem trazer bons resultados está na família Utsch. Em menos de 40 anos de trabalho, Márcio Utsch saiu da infância pobre para a presidência da Alpargatas, a fabricante das sandálias Havaianas. Era o quinto de nove filhos. Começou a trabalhar aos 12 anos, como cobrador de ônibus (naquela época era permitido), e nunca mais parou. Tem 52, hoje. “Minha mãe era uma pessoa admirável. Incutiu na gente o valor do estudo. E nos encheu de autoconfiança. Tudo era possível, ela dizia.” Os estudos foram num colégio de padres, disciplinador. Mas em casa tinha um contraponto. “Meu pai [produtor rural] era o exemplo de bom humor. Estava sempre brincando, contando piada. Era impossível não dar risada com ele.” Na educação dos filhos, ele diz ser um liberal. “Eles podem fazer o que quiserem.” A partir dessa escolha, entra a disciplina. “O que eles escolherem tem de ser bem feito.”

Utsch sempre teve o estilo cobrador. “Tem de ter nota boa, tem de ter bom comportamento.” A imposição podia incluir palmadas. De chinelo. “As pessoas têm de saber que tem comando, que tem regras.” A autoridade, porém, é temperada com muito carinho e apoio às decisões dos filhos. Tiveram uma vida mais fácil que a do pai, em termos de bens materiais, mas Utsch diz ter sempre mostrado a eles que “as coisas não vêm fáceis”. É preciso batalhar. Desde que eram muito pequenos, 6 e 4 anos, levava-os para o trabalho (nas lojas Mesbla, no Rio de Janeiro). Segundo Utsch, deu muito certo. Francisco, o filho mais velho, 29 anos, é sócio de um negócio na área financeira. Juliana, 27, é uma profissional na área de publicidade. Ambos moram sozinhos e estão comprando seu apartamento próprio. “E fazem questão de passar fins de semana comigo e com a minha mulher.”

Não são apenas os bons exemplos familiares que forjam uma carreira bem-sucedida. Problemas caseiros, muitas vezes, turbinam o potencial criativo. Larry Ellison, o fundador da Oracle, ouviu várias vezes de seu padrasto e de professores que não seria ninguém, sobretudo depois que abandonou a faculdade. “Eu tinha figuras fortemente autoritárias, tanto na escola quanto em casa, que serviram como exemplos maravilhosos de como eu não queria ser”, disse, em recente entrevista a um site americano. Bill Gates teve melhor sorte. Seus pais, cansados da rebeldia adolescente do menino, o levaram a um psicólogo. O diagnóstico: que o ajudassem a canalizar a inquietude de forma produtiva. Os pais o mandaram a Harvard. Ele não concluiu, mas montou a Microsoft.

As 5 mentes

O novo século começou com exigências diferentes na maneira de pensar e aprender nos negócios, na escola, na sociedade. Segundo o psicólogo americano Howard Gardner, professor de Cognição e Educação na Universidade Harvard, há cinco modelos mentais essenciais para os dias de hoje. “As pessoas deveriam desenvolver todos”

A Mente
… disciplinada
É especialista em alguma profissão e, além dela, domina amplamente um ou mais assuntos gerais

… sintetizadora

Hábil para filtrar as informações, integrá-las e ainda reproduzi-las eficientemente*

… criadora

Capaz de antecipar problemas e encontrar soluções inovadoras para novas questões

… respeitosa
Tolerante à diversidade, algo fundamental nos dias de hoje

… ética

Capaz de cumprir os compromissos como cidadão e trabalhador

* Para o americano Murray Gell-Mann, Nobel de Física, essa é a habilidade mais necessária em plena era da informação

A inspiração da liberdade

Ana Maria Diniz e seu estoque de leite. Para ela, o esporte mostra a dureza da vida de forma genuína

Se há pais que acreditam na rigidez da disciplina e no espírito competitivo como pilares da educação, num outro extremo estão os que pregam a liberdade quase absoluta. É o caso de Ricardo Semler, do Grupo Semco, e sua mulher, Fernanda Ralston. “Valorizamos muito mais a omissão do que a ação na educação dos nossos filhos”, diz Semler. Juntos, eles levaram para a zona rural de Santo Antônio do Pinhal, cidade próxima a Campos do Jordão (SP), o método pedagógico libertário da Escola Lumiar, que segue os ideais de liberdade do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau. Na prática, os alunos são envolvidos na tomada de todas as decisões – da escolha dos temas abordados nas aulas à expulsão dos colegas –, e não têm provas nem boletins. A Fundação Ralston-Semler administra as escolas Lumiar (duas em Santo Antônio, uma em São Paulo).

Quatro dos cinco filhos do casal estudam na Lumiar. Como as duas unidades (uma pública e uma privada) funcionam praticamente no mesmo espaço, os filhos de Semler e Fernanda fazem várias atividades com os filhos de caseiros e empregadas domésticas. A diversidade é estimulada a todo momento. “Não suporto as escolas em que as crianças vestem as mesmas roupas e têm até o mesmo corte de cabelo”, diz Fernanda. Assim como o seu marido, que se consagrou ao publicar livros criticando a gestão tradicional de empresas, Fernanda é questionadora por natureza. “Fui expulsa de três escolas por não me adequar aos métodos.” Semler se formou na São Francisco, a faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, cursou MBA em Harvard e não completou o mestrado de ciência política em Oxford. Mais tarde, tornou-se professor do MIT. “Estou usando tudo o que vi por aí para educar os meus filhos e interferir de alguma forma na educação do país”, diz. Ele tem dado palestras e publica artigos sobre o assunto.

O bilionário Eike Batista também é um empresário a favor de uma educação sem amarras. O que chama mais a atenção no seu caso é a maneira, digamos, experimental com que conduz a formação de Thor, de 20 anos, e Olin, 15, seus dois filhos do casamento com a modelo Luma de Oliveira. Olin faz aulas com professores particulares na sede da EBX, holding dos negócios de Eike. O motivo, segundo o próprio Eike, é que seu filho foi expulso de duas escolas em menos de dois anos. “Ele não se adequou a nenhuma delas, agora está pagando o preço”, diz. Para Eike, as expulsões ocorreram parte por indisciplina e parte por causa da timidez de Olin, que volta e meia se expressava de forma inadequada na sala. Atualmente, o “home schooling”, como é conhecido o ensino doméstico, não é regulamentado no Brasil, o que já levou alguns pais a serem processados. “Olin quer voltar para a escola, sente falta do convívio social”, diz Eike.

Não são apenas os bons exemplos que formam uma carreira bem-sucedida.
Problemas caseiros podem turbinar o potencial criativo

Thor também não tem visto os professores. Trancou a faculdade de economia no primeiro ano e agora se prepara para prestar vestibular de relações internacionais. “Não estou preocupado porque sei que os dois sabem voar”, afirma Eike. Como pai, o dono da maior fortuna do país, oitava do mundo, procura envolver Thor no dia a dia dos negócios da EBX. “Ele estava comigo quando fui me encontrar com o xeque Mansour bin Zayed al-Nahyan, um membro da família real de Abu Dabi”, diz. Ele também incentiva as habilidades de Thor como investidor. Diz ter dado R$ 70 mil para que o primogênito, aos 15 anos, se acostumasse com as apostas na bolsa. Recentemente, Eike aportou R$ 6 milhões na construção da filial carioca da boate Pacha, o primeiro negócio do filho. “Na idade dele, eu também tinha um desejo enorme de ser independente.”

Como qualquer pai, Eike tem o desafio de educar um filho em um mundo totalmente diferente daquele em que foi criado. “Fui educado para ter vergonha de pedir dinheiro aos pais”, diz. Ele teve seis irmãos. Thor não é bem assim. Tem um Aston Martin e pode usar o helicóptero de Eike. Para evitar o comodismo que pode derivar de uma vida em que tudo parece estar ao alcance, Eike arrumou um trabalho de uma semana para o filho numa oficina mecânica na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio. Sofrer um pouco de estresse na fase de desenvolvimento não faz mal a ninguém, afirma. A tese vem da sua infância. Ele tinha asma a ponto de cair da cama à noite. “O tratamento da minha mãe era me jogar na piscina, sem que eu tivesse chance de reagir.” Depois de engolir alguns litros de água, aprendeu a nadar, expandiu os pulmões e se curou da doença. “Hoje, corro maratonas”, diz. “Para minha mãe eu era o bundinha de ouro, mas tinha de levar as coisas a sério.”

A nova escola e as cinco mentes
Howard Gardner ficou famoso ao criar a teoria das inteligências múltiplas nos anos 80. No século 21, ele defende as mentes múltiplas

Como as grandes questões do século 21 – mudança climática, novas tecnologias, desemprego nos países desenvolvidos – afetam a forma como os jovens devem ser educados? Na história, identificamos alguns momentos de ruptura na educação. Um deles aconteceu com a difusão da escrita, e outro, com o surgimento da impressão na Renascença. O início desse século é um momento desses. Há uma série de mudanças importantes: o poder e a confiança crescentes na ciência e na tecnologia; a incrível conectividade que resulta disso; a enorme quantidade de informação acessível e, frequentemente, de qualidade duvidosa; e também a incessante circulação e choque entre pessoas de diferentes origens e aspirações. Em tempos assim, não é possível levar as coisas como sempre foi feito. É preciso considerar mudanças. Uma delas é pensar que tipos de mentes devemos ter para enfrentar os novos desafios.

Na discussão sobre a melhor forma de educar os jovens, há quem defenda um ambiente escolar competitivo e puramente racional. E há quem defenda uma abordagem mais humanista. Qual a sua opinião? Estou convencido de que é preciso ajudar os jovens a desenvolver esse perfil mais respeitoso e ético, o que envolve um sistema de valores robusto e inteligências emocional e social. Já há muita competição em nossa sociedade. A última coisa que deveríamos fazer, como educadores, é aumentar esse espírito competitivo. A maior parte dos problemas hoje vem dessa falta de ética e respeito mútuo. Basta lembrar o escândalo recente no Reino Unido, envolvendo o [empresário da News Corp., Rupert] Murdoch.

Como o senhor educou os seus quatro filhos? Eles estudaram em escolas da linha progressiva [em que a experiência e a integração social são prioridades]. Como pai e educador, aprendi que não existe a melhor escola ou a melhor linha pedagógica. Cada criança é única e, se os pais têm condições, deveriam considerar isso ao fazer a matrícula dos seus filhos. Como a maioria não tem condições de fazer essas escolhas, a melhor opção é complementar da melhor forma a educação das crianças de acordo com as suas necessidades. Com a experiência de 40 anos observando e cuidando dos meus filhos e agora dos netos, digo duas coisas. Uma é que as crianças não prestam atenção no que você fala para elas, mas registram tudo o que faz. A segunda questão é que nada dito nas conversas durante o jantar é esquecido. Essas duas questões valem em qualquer lugar do mundo.

Do Portal Época Negócios
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