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O Tico e o Teco do investidor | Instituto de Educação Financeira

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O Tico e o Teco do investidor

Para ser bem-sucedido na proteção e ampliação do seu patrimônio, qualquer investidor deve ser minimamente versado em economia e finanças, e acompanhar os setores onde estão as ações do seu interesse. Mas um ramo recente da economia tem mostrado que há outro grande campo a desvendar: as próprias emoções. Como seres humanos, somos às vezes reféns de processos mentais – que tanto podem nos ajudar a tomar decisões rápidas como nos condenar a erros catastróficos. Pode ser o apego a um papel que só nos dará prejuízo, o otimismo baseado em fatos irreais, a generalização a partir de um caso muito particular… A seguir, alguns exemplos de processos mentais perigosos ao bolso, e como se prevenir.

O mau humor

Aquela nuvenzinha negra que volta e meia paira sobre nós também afeta os investimentos

Assim como o otimismo exacerbado pode trazer prejuízos, as emoções negativas exercem forte influência sobre os investidores. Segundo estudos da psicóloga Jennifer Lerner, professora do centro de liderança em Harvard, eventos aparentemente irrelevantes ocorridos antes da tomada de decisão podem levar tudo a perder. Por causa de uma discussão com o marido ou a mulher no café da manhã ou um congestionamento para chegar ao escritório, seu suado dinheirinho pode ir para o ralo. “A tristeza pode fazer com que você reduza o valor do seu bem (ação, imóvel, cota de fundo) além do que seria razoável apenas para fechar negócio logo e obter uma mudança de humor”, afirma Jennifer. Movimento similar pode ocorrer com o comprador que paga caro por um bem cujo valor está em alta. Se o mal-estar tiver raízes mais profundas, o risco é maior. “A extrema insatisfação com alguma coisa pode nos fazer perder grandes oportunidades”, diz a psicóloga Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em finanças comportamentais e autora do livro Cabeça de investidor e decisões econômicas.

O sentimento de posse

Ao sentir-se dono de um papel, o investidor corre o risco de ficar cego a riscos e oportunidades

A posse é uma grande geradora de prazer – e de perigos – para o cérebro humano. Atos como experimentar uma camisa ou fazer o test drive de um carro muitas vezes são o gatilho para que nossa mente tenha faíscas de deleite por se sentir “dona” daquilo que desejamos. No mercado financeiro, o lado perigoso dessa emoção ocorre quando o vínculo com um papel passa a atrapalhar o discernimento. “Chegada a hora de se desfazer dos papéis, alguns investidores só conseguem se lembrar das dificuldades que enfrentaram para comprá-los”, diz Vera. O sentimento predominante na mente do investidor é a injustiça, já que o comprador não está nem aí para a história de vida de quem está do outro lado da mesa da negociação. Sem enxergar a autossabotagem, muitos acreditam que no futuro irá aparecer um interessado disposto a pagar mais. E o papel vai derretendo…

O otimismo exagerado

Você é autoconfiante? Cuidado, este pode ser o primeiro passo para perder muito

Entre os riscos no caminho de um investidor está o de ganhar muito dinheiro. Com o sucesso, é provável que o medo e a cautela cedam espaço ao otimismo e à autoconfiança – dois dos maiores inimigos de quem investe. A mentalidade de vencedor nos faz esquecer o medo, e com ele a precaução de coletar informações suficientes para tomar decisões. Passa-se a confiar muito na intuição e em superstições. “O excesso de confiança faz o aplicador subestimar os riscos associados aos diversos investimentos, superestimar o potencial de alta e o preço da aquisição”, diz o livro Finanças comportamentais, do economista Aquiles Mosca. Em um estudo com 1.053 profissionais do mercado financeiro, em 1999, o psicólogo e prêmio Nobel Daniel Kahneman revelou que o otimismo é um traço do investidor: 74% deles prestavam muito mais atenção nas ações nos períodos de alta, e só 7% priorizavam as baixas. “Estes 74% sofrem do viés de otimismo e geralmente são os mesmos que realizam saques ao primeiro sinal de realização do mercado”, diz Mosca. Segundo estudo feito pelos acadêmicos Brad Barber e Terrance Odean em 2002, a internet depositou ainda mais poder nas mãos dos otimistas. Com ferramentas de análise e informações, eles se sentem ainda mais capazes de decidir sozinhos.

A patroa cuida melhor

Em tempos de incerteza, a preocupação das mulheres com o amanhã segue sendo o porto seguro

Nas últimas décadas, o mercado financeiro intercalou momentos de exuberância com a sensação de abismo. Surpreendentemente, nada disso afetou o humor das investidoras não profissionais. Seja qual for o cenário, elas se mantêm estáveis, quase sempre na direção contrária ao risco. “Estudos acadêmicos mostram que as mulheres exibem maior prudência que os homens na gestão de seus portfólios”, diz Mosca. O apego à segurança é um traço fiel ao gênero, independentemente de classe social, educação ou tamanho da família. Segundo os biólogos evolucionistas, o fato de as mulheres terem uma responsabilidade maior que os homens no processo reprodutivo as conduz a uma postura de maior cautela frente ao risco. Enquanto os homens ficam enfeitiçados com o desafio, elas geralmente focam no que podem perder se sua aposta der errado.

A síndrome do “deixa estar”

O prejuízo gerado por apatia do investidor não dói tanto quanto os outros. Mas é prejuízo

Um dos artifícios do cérebro para nos distanciar da sensação de perda consiste em minimizar o peso da inércia sobre os maus resultados. Segundo essa lógica, o prejuízo causado por uma decisão consciente tem um peso muito maior do que aquele causado por inércia. Na psicologia econômica, esse comportamento é conhecido como viés de status quo. Trata-se de fechar os olhos para um perigo iminente. “Ele expressa nossa dificuldade para tomar decisões, como se dessa forma fôssemos capazes de evitar o risco, missão impossível quando nossas ações se desenrolam rumo ao futuro que ninguém conhece”, diz o livro A cabeça do investidor.

Do Portal Época
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