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O que aprender com 5 recordes financeiros | Instituto de Educação Financeira

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O que aprender com 5 recordes financeiros

Muito além de recordes como o maior nariz do mundo (de surreais 8,8 cm), o Guinness World Records pode registrar importantes fatos que marcaram a história. Alguns recordes financeiros, como a maior falência da história, atribuída à quebra do Lehman Brothers, trazem por trás conteúdos significantes e importantes conceitos sobre a relação com o dinheiro.

A pedido da EXAME.com, o Guinnes World Records selecionou alguns dos recordes econômicos mais relevantes, que vão de uma perda de 40 milhões de euros em um depósito, à maior venda de apólice de seguro, por 100 milhões de reais. Veja abaixo as histórias e descubra nos absurdos algumas dicas que podem ser aplicadas na prática.

1) Maior perda com um depósito

Esqueça os 10 reais perdidos em DOCs. Neste depósito foram desperdiçados muitos milhões a mais. Segundo o Guinnes Book, o russo Mikhail Prokhorov concordou em pagar 390 milhões de euros pela mansão Vila Leopolda, em Nice, no sul da França em 2008, mas perdeu os 40 milhões de euros que havia depositado após declinar do contrato. A mansão foi construída em 1902 pelo Rei Leopold II, da Bélgica e é considerada o imóvel mais caro do mundo.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail,  Prokhorov, que é o 58º homem mais rico do mundo segundo a lista da Forbes, havia depositado 10% do valor da casa à vista, mas desistiu da compra depois que a crise de 2008 eclodiu.

Pela legislação francesa não é possível voltar atrás depois que o contrato é assinado, por isso a Justiça decidiu em favor da proprietária do imóvel, a brasileira Lily Safra (viúva do banqueiro Edmond Safra) . Com isso, o jovem magnata teve que abrir mão do sinal de 10% do valor do imóvel e ainda pagar uma indenização no valor de 1 milhão de euros.

De acordo com o especialista em direito tributário, Júlio Augusto Oliveira, sócio do Siqueira Castro Advogados, via de regra, quando os contratos não são honrados pelo comprador, sejam eles de qualquer espécie, o valor que foi dado como sinal não é devolvido. “Essa lei vem do direito romano e é aplicada em vários países”, explica Oliveira. Ele comenta também que pelo descumprimento do contrato, em alguns casos, podem ser aplicadas multas por danos morais.

A situação do bilionário russo pode acontecer a qualquer pessoa que não planeje da forma correta um financiamento, mas, no caso delas, acabam endividadas. É muito importante entender as regras dos contratos e as taxas envolvidas. Além do valor da casa, à vista ou parcelado, quando se compra um imóvel é necessário pagar o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que gira em torno de 2% sobre o valor total ou mais, dependendo do município. Além disso, existe a correção, feita com base em um índice eleito no contrato, que geralmente é o Indice Geral de Preço – Mercado (IGP-M), mais a Taxa referencial (TR).

O ideal é que o parcelamento não ultrapasse os 30% da renda familiar e que a família já possua um fundo de reserva. É muito importante que o comprador faça um cálculo das despesas e de todas as parcelas do financiamento até o final do contrato, se possível, assessorado por um especialista na área imobiliária.

2) Maior venda de apólice de seguro

O britânico Peter Rosengard’s bateu o recorde da mais cara venda de uma única apólice de seguro. Em 1990, ele vendeu um seguro de vida por 100 milhões de euros a David Geffen, empresário americano da indústria cultural que atualmente tem uma fortuna estimada em 5,5 bilhões de dólares e é o 184º homem mais rico do mundo, segundo a Forbes.

Segundo o jornal The Independent, Rosengard’s vive para vender seguros de vida e, para ele, todos podem ser seus potenciais clientes, seu motorista de táxi, sua garçonete, seus amigos, e ele mesmo. Ele vende seguros até para outros vendedores de seguros.

Claudio Alberto Royo, corretor desde 1998 e sócio da Economizenoseguro.com, explica que quando a corretora não tem uma base estatística sobre determinado risco, como pode ser o caso de pessoas com patrimônios bilionários, elas costumam encarecer o preço. “No seguro de vida, quem estipula o valor da apólice é quem contrata, o corretor reúne alguns dados e sugere o valor do prêmio”, explica Royo.

Mas como avaliar o que vale a pena pagar em matéria de seguros? Jurandir Sell Macedo, consultor de Finanças Pessoais do Itaú e professor da UFSC, orienta que se avalie qual seria o prejuízo se determinado bem fosse perdido. “Se o sujeito comprou um carro e tem 100% do patrimônio concentrado no carro e usa o carro para trabalhar, é fundamental que ele contrate esse seguro”, explica.

No caso do seguro de vida, Macedo recomenda que se pondere se existem dependentes que, em caso de um falecimento, iriam precisar da bonificação. “Uma pessoa que tem filhos jovens dependentes deve pensar em contratar um seguro, que deve ter uma cobertura equivalente ao padrão de vida da família”, diz. Veja outras dicas sobre o que levar em conta antes de contratar um seguro de vida.

3) Maior perda de fortuna pessoal

Dentre os bilionários que perderam dinheiro com a crise financeira global de 2008, segundo o livro dos recordes, a perda do indiano Anil Ambani se destaca. Em menos de um ano, ele havia perdido um valor estimado em 32 bilhões de dólares, cerca de 76% de toda sua fortuna com a desvalorização das ações de suas companhias Reliance Power, Reliance Communications e Reliance Capital.
Atualmente, sua fortuna é calculada em 7,8 bilhões de dólares e ele é o 118º homem mais rico do mundo segundo a Forbes. Nada mal, mas tomadas as devidas proporções, a perda não foi sutil – em 2008 ele estava em sexto lugar na lista.

As crises não costumam escolher quem vão penalizar. Sofrem tanto os bilionários quanto os pequenos investidores. Jurandir Macedo avalia que a perda de um bilionário como a do indiano tem um significado muito mais ligado ao status. “O dinheiro deixa de ter significado. É como o caso do empresário Eike Batista, que quer chegar a ser o homem mais rico do mundo. O dinheiro, para um bilionário, passa a estar mais relacionado a uma validação, mas para uma pessoa comum, a perda é muito mais significativa”, analisa.

As perdas, muitas vezes, são inevitáveis, mas, de certa forma, podem ser previsíveis. “Saber gerenciar o risco é a coisa mais importante das finanças. E gerenciar risco é simplesmente pensar no que aconteceria na pior das situações”, diz o consultor.

4) Maior prêmio de loteria

Em 30 de março deste ano, o recorde do maior valor já premiado por uma loteria foi quebrado pela USA’s Mega Millions, que destinou 656 milhões de dólares a três sortudos de Illinois, Kansas e Maryland.

O maior prêmio de loteria do Brasil parece bastante modesto perto do recorde registrado no livro. Segundo levantamento do Sindicato dos Lotéricos de São Paulo (SINCOESP), com dados da Caixa, a mais alta premiação foi paga na Mega da Virada de 2010: quatro apostadores dividiram um prêmio de 194.395.200,04 reais . Os vencedores eram de Cariacica (ES), Belo Horizonte, Fazenda Rio Grande (PR) e Pinhais (PR).

É sabido que muitos destes prêmios assim como vêm, vão embora sem dar avisos. O americano Shefik Tallmadge ganhou 6,7 milhões de dólares na loteria do Arizona em 1988. Ele conseguiu um diploma de cientista político, se mudou para a Califórnia e após passar anos viajando pela Ásia e África e comprando carros esportivos e imóveis, Tallmadge se interessou pelo ramo de combustíveis. Chegou a ser dono de quatro postos de gasolina, mas suas escolhas o levaram à falência em 2006.

Jurandir Macedo diz que muitas pessoas, quando se perguntam o que fariam se ganhassem na Mega Sena, dizem que gastariam o dinheiro em partes, sendo que o mais aconselhável seria investir o dinheiro e viver com os rendimentos. “A pessoa não está acostumada a ter dinheiro e começa a fazer tudo errado. Muita gente que ganha esse tipo de prêmio diz que vivia melhor antes. O sujeito que ganha muito dinheiro de uma hora para outra acaba perdendo suas referências”.

Jogadores de futebol, artistas e mesmo profissionais como advogados, médicos e grandes empresários passam pelo mesmo problema: sabem como ganhar o dinheiro, mas não sabem a melhor forma de manter o patrimônio. Para isso, existem consultorias financeiras especializadas em Family Office, que fazem o gerenciamento de grandes fortunas com o objetivo de perpetuá-las. Dessa forma, pode-se evitar os investimentos furados, que muitas vezes são indicados por familiares ou conhecidos, que, mesmo com boas intenções, podem não ter o conhecimento para dar a orientação mais correta para o dinheiro.

5) Maior falência corporativa

O famoso colapso do Lehman Brothers, no dia 15 de setembro de 2008, considerado o estopim da atual crise financeira internacional, é apontado pelo Livro dos Recordes como a maior falência corporativa de todos os tempos. O prejuízo estimado é de 613 bilhões de reais, mas muitos economistas defendem que os prejuízos indiretos causados pela falência são inestimáveis e foram refletidos em todo o mundo.

Se um banco da magnitude do Lehman Brothers pode quebrar, é de se pensar que nenhuma empresa está a salvo, e na verdade é exatamente isso que acontece. Existem riscos imponderáveis que podem afetar até as mais sólidas companhias, e muitas vezes é impossível se prevenir quanto a isso.

No entanto, é claro que existe a possibilidade de diminuir os riscos, e a maneira mais eficiente de fazer isso é por meio da diversificação dos investimentos, conceito chave das finanças. Se a maior parte do patrimônio está concentrada em um único tipo de ativo, como as ações ou um imóvel, ou em papéis de um único emissor – seja de renda fixa ou variável, a exposição à perda é muito maior do que se o patrimônio estiver distribuído em diferentes investimentos, de baixo e alto risco.

“Além de diversificar os investimentos é sempre importante trabalhar sempre com pessoas que são se achem infalíveis. A pior coisa é quando um gestor acha que sabe muito e que sabe o que vai acontecer no futuro”, comenta Jurandir Macedo.

 Do portal EXAME
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