Warning: preg_match() [function.preg-match]: Unknown modifier 't' in /home/edufinan/public_html/wp-content/plugins/mobile-website-builder-for-wordpress-by-dudamobile/dudamobile.php on line 603
O dinheiro e a sustentabilidade | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

O dinheiro e a sustentabilidade

Por Denise T. Hills

“Mãe, quando a gente joga as coisas fora, ‘fora’ é onde?”. Criança às vezes coloca a gente em cada situação… Esta pergunta, por exemplo, feita alguns anos atrás pelo meu filho mais novo, foi o suficiente para embaralhar minha cabeça. Como assim, onde é fora? Fora sempre foi um lixão ou um aterro sanitário em algum lugar. E de preferência bem longe da minha casa.

Só que o que meu filho chama de casa é a Terra, o planeta azul das fotos feitas do espaço que ele admira desde muito pequeno. O complicado é que ele tem razão: não dá para jogar o lixo fora dessa grande casa. Com a postura do meu ecologista precoce, passei também a me preocupar com a questão ambiental, a separar o lixo para reciclar e a refletir sobre o impacto do consumo da minha família na natureza.

Como uma executiva que trabalhou ao longo de toda a carreira no mercado financeiro, eu sempre estive um tanto distante do tema. Afinal, eu pensava que a responsabilidade ambiental de um banco compreendia no máximo economizar algumas folhas de papel e copos descartáveis de café ou água. Mas em uma das tantas voltas que a vida dá, acabei me interessando e me especializando em sustentabilidade e assumi a superintendência da área no Itaú-Unibanco. Além da questão ambiental, o programa também inclui a educação financeira.

Mas qual a relação entre finanças e sustentabilidade? Banco não é fábrica, não tem resíduo industrial para reaproveitar ou destinar corretamente… E não é a falta de educação financeira que traz lucros para o banco? A função me mostrou que estas premissas do senso comum estão muito longe de serem verdadeiras.

Os bancos têm um grande potencial para contribuir com o desenvolvimento sustentável. O Itaú, por exemplo, condiciona a liberação de empréstimos a projetos que, em sua concepção, tenham preocupação com a sustentabilidade. É um caso de impacto positivo para o meio ambiente, que nos aproxima do verdadeiro sentido de desenvolvimento sustentável: aquele capaz de suprir nossas necessidades atuais, sem esgotar recursos nem comprometer as futuras gerações. O conceito retira o foco de estratégias individualistas de curto prazo em favor de estratégias de geração de valor no longo prazo. E só existe geração de valor quando acontecem ganhos mútuos, caso contrário só existe transferência de valor, do perdedor para o ganhador.

Uma empresa ou indivíduo que ganha dinheiro prejudicando o meio ambiente está apenas se apropriando de um valor coletivo, sem verdadeiramente gerar valor. Ocorre o mesmo em um negócio em que apenas um dos envolvidos ganha. Desta noção de ganhos mútuos deriva a ideia de sustentabilidade dos negócios de uma maneira geral, conforme definição do filósofo Robert E. Freeman.

Essa relação fica clara no caso de um cliente não educado financeiramente, que utiliza os produtos bancários de forma errada. Gera lucros para o banco no curto prazo, mas ele próprio ganha pouco. Ou seja, clientes sem educação financeira geram uma relação ganha–perde, que não é sustentável.

Quando disponibilizamos ao cliente um crédito pré-aprovado para lhe ajudar em uma emergência, acreditamos que estamos melhorando a vida dele. Mas se ele utiliza o crédito para tentar cobrir furos no orçamento mensal, vai prejudicar sua vida.

Portanto, é necessário oferecer educação financeira para orientar as pessoas a administrar de forma consciente os recursos financeiros, a avaliar os impactos do consumo no seu bem-estar e nas suas finanças, a poupar e a investir para realizar sonhos e ter um futuro melhor. Ou seja, consumir produtos e serviços que melhorem a vida.

Nosso programa de educação financeira defende um consumo consciente, incentivando as pessoas a refletir sobre seu consumo. Acreditamos que indivíduos que têm bom planejamento financeiro conseguem consumir melhor e evitam desperdícios que impactam o futuro do planeta e seu próprio futuro financeiro.

Acontece que o que é desperdício para alguém pode ser um supérfluo para outra pessoa. Claro que há algumas definições mais gerais de desperdício, como uma torneira vazando, uma lâmpada acessa sem ninguém no ambiente, um carro desregulado consumindo combustível em excesso ou uma roupa comprada e esquecida no armário. A mesma água que é fundamental para a vida pode também ser um supérfluo, como quando alguém toma um banho mais demorado, ou um desperdício, no caso da torneira pingando.

A educação financeira ajuda a identificar e a eliminar o desperdício – ruim para as finanças das pessoas e para a manutenção da vida no planeta. Já o supérfluo deve ser cortado por aqueles que estão endividados. O corte de despesas não fundamentais permite quitar as contas e parar de desperdiçar dinheiro pagando juros. Mas uma vez que as contas estiverem em dia, é hora de fazer planos para poder gastar com o que melhora nosso dia a dia.

Sem ações conscientes para médio e longo prazo, jamais teremos equilíbrio nas finanças ou nas demais áreas de nossas vidas. Se conseguíssemos eliminar todo tipo de desperdício estaríamos dando um precioso passo em direção à sustentabilidade da sociedade como um todo.

Dessa forma, nossa noção de desenvolvimento sustentável passa a extrapolar as questões ambientais e assume relação com nossa própria sustentabilidade como indivíduos, na vida pessoal, na família e no trabalho. É preciso, portanto, difundir o conceito de educação financeira de qualidade. Esta é uma tarefa que precisa ser encarada por toda a sociedade: desde os governos até as escolas, as entidades de mercado e todo o sistema financeiro. Penso que o banco Itaú está fazendo sua parte.

Veja a revista Carta Fundamental em PDF

Da Revista Carta Fundamental
Você gostou deste artigo? Compartilhe:

Deixe seu recado