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O descontrole financeiro alheio pode afetar o seu bolso | Instituto de Educação Financeira

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O descontrole financeiro alheio pode afetar o seu bolso

Por Jurandir Sell Macedo*

torneira-jogando-dinheiro-no-ralo1Você sempre tirou nota 10 em matemática, é extremamente controlado com suas finanças pessoais e tem significativo conhecimento no mercado financeiro? Ainda assim, é muito provável que você seja vítima da falta de educação financeira. É que a educação financeira não age apenas na unidade, ela age diretamente no conjunto.

Olhando o problema da perspectiva macroeconômica, podemos ver que o Brasil está perdendo seu bônus demográfico. Para entender o bônus demográfico, vamos olhar as finanças de uma pessoa que começou a trabalhar e a acumular riqueza aos 20 anos.

Assim o fez até os 65, quando se aposentou a passou a usufruir aquilo que acumulou na fase mais produtiva da vida. Quando um país tem a maior parte da sua população entre os 20 e os 65 anos, ele tem uma grande oportunidade de enriquecer. Não é o que acontece hoje no Brasil.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, entre os anos de 1980 e 2012, o Brasil conseguiu investir, em média, 18,4% do produto interno bruto. Em uma amostra de 40 países, estamos na 38° colocação – à frente apenas do Reino Unido (17,3%) e do Uruguai (16,5%). Evidentemente estamos muito distantes do primeiro lugar, a China, com 40,8%. Mas o que assusta é estarmos atrás também de nossos principais concorrentes. Índia (26,9%), Rússia (22,6%) e o vizinho Chile (23,7%). Segundo as previsões do governo, nos próximos cinco anos, nossa taxa de poupança deve subir para 22,4%. Já o Chile prevê investimentos de 24% do PIB.

As finanças das pessoas

Além dos motivos macro, há diversos motivos microeconômicos que justificam a situação. As décadas que vivemos sob inflação extremamente elevada fizeram com que o brasileiro tivesse uma visão focada no curtíssimo prazo. O dinheiro derretia em nossas mãos, então o melhor que tínhamos a fazer era convertê-lo em qualquer produto ou serviço que estivesse ao alcance.

Já estamos nos aproximando da segunda década de inflação sob controle. Porém, ainda mantemos um comportamento muito parecido com aquele que aprendemos durante a inflação elevada. Para complicar a situação, os brasileiros passaram a contar com o crédito que era praticamente inacessível à maioria da população tempos atrás.

Se bem utilizado, o crédito é uma ferramenta excelente para permitir acesso a produtos e serviços. Mas, quando utilizado sem planejamento ou como complemento salarial, gera endividamento excessivo. Infelizmente os problemas financeiros costumam transbordar para outras esferas da vida das pessoas.

Finanças fora do controle geram estresse elevado, o que afeta a vida familiar e bate à porta das empresas com significativa redução da produtividade dos colaboradores. A situação culmina em pedidos de demissão que são incentivados por uma legislação trabalhista arcaica, o que leva a sérias perdas de investimentos em treinamento feitos pelas empresas.

O mal e a cura

Muitas empresas costumam adotar uma visão simplista para tentar resolver o problema: tentam de todas as formas restringir o acesso ao crédito dos seus funcionários. Os resultados obtidos não costumam ser dos melhores. Impedidos de acessar ao crédito formal, muitos funcionários acabam se tornando presas fáceis para o chamado crédito cinza, que pouco respeita as leis e frequentemente apela para métodos nada ortodoxos de cobrança.

Educação Financeira

Felizmente, inúmeras companhias e mesmo órgãos de governo têm usado uma nova abordagem. O grupo Randon, de Caxias do Sul, é um dos pioneiros. Começou a oferecer educação financeira ao público interno em 2006, por meio de um trabalho coordenado pela psicóloga gaúcha Márcia Tolotti.

O programa de educação financeira intensivo ajuda os funcionários a lidar de forma saudável com as próprias finanças e a interromper hábitos danosos para o bolso, a vida familiar e o trabalho. Até hoje a Randon já atendeu 11 mil colaboradores com palestras, oficinas e coachings. Os participantes relatam que pagaram dívidas, compraram casa, reconheceram que as emoções interferem diretamente na administração financeira, perceberam onde estavam errando e elogiaram a iniciativa da empresa em oferecer os cursos.

Outro programa de sucesso é o “Uso Consciente do Dinheiro”, que o Itaú Unibanco oferece tanto para correntistas quanto para a sociedade em geral e, especialmente, para o público interno. A empresa percebeu que, embora trabalhem em uma instituição financeira, seus colaboradores lidam com dinheiro da mesma forma que o restante da sociedade, no mesmo nível de acertos, dúvidas e dificuldades.

Nesse programa, o Itaú oferece cursos a distância, presenciais, simuladores de orçamento, palestras, workshops e mesmo orientação individual. O resultado é que desde o início das atividades houve crescimento de 24% no número de funcionários que possuem poupança, aumento de 17% no número de adesões aos planos de previdência (ou seja, melhor preparo para a aposentadoria) e queda de 3% no atraso em produtos de crédito utilizados pelos colaboradores.

Empresas que têm postos internos de atendimento bancário do Itapu também vêm recebendo ajuda gratuita para que implantem programas de educação financeira voltados a seus funcionários.

Felizmente, Itaú e Random não estão sozinhos nestas iniciativas. Os maiores bancos perceberam que clientes sem educação financeira podem dar lucros no curto prazo, mas geralmente tornam-se superendividados e inadimplentes. Já os clientes com educação financeira são capazes de utilizar os instrumentos financeiros para melhorar suas vidas e, assim, podem manter uma relação de longo prazo rentável para ambas as partes.

Somente evoluindo a educação financeira da sociedade como um todo poderemos, cada um, usufruir as vantagens de uma economia estável com empresas em sólido crescimento. No entanto, é preciso que haja um esforço conjunto: por parte das empresas em implantar essa cultura, por parte das instituições financeiras ao conceder esse conhecimento e colocá-lo em prática na hora de conceder seus produtos e servições, do governo e instituições do mercado na disseminação da educação financeira. E, claro, por parte dos próprios colaboradores, com o interesse em mudar de situação e melhorar de uma vez suas vidas. E você o que tem feito pela educação financeira do nosso País?

Publicado na Revista RI

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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1 comentário to “O descontrole financeiro alheio pode afetar o seu bolso”

  1. Boa noite Jurandir,

    Educação financeira muda a vida das pessoas.
    Tem 33 anos e aos 25 comecei a ler alguns artigos gratuitos na internet, sem ajuda de ninguém, repito, MUDEI MINHA VIDA.

    Uma das coisas fantásticas que administro muito bem: cartão de crédito, tenho faz 12 anos e nunca fiquei endividado, mas 99% das pessoas tem pânico quando se fala dessa ferramenta.

    Abraço e parabéns pelo site.
    Sempre leio e tentar ajudar os amigos que vivem atolados.

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