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O apelo do 'míni' | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais

O apelo do ‘míni’

O investidor Gilberto Cabral investia no mercado à vista antes da crise, época em que ‘tudo subia’: “Quando voltei, no ano passado, estava mais difícil”, diz ele, que agora opera com minicontratos

“Dá um ‘dinheirinho’ bom todo mês, que ajuda a complementar a renda. E é interessante porque eu consigo ganhar seja qual for a tendência da bolsa.” A frase, do investidor Gilberto Cabral, de Varginha (MG), reflete o sentimento de um número crescente de pessoas físicas que adentram o mundo dos derivativos pela porta dos minicontratos futuros de Índice Bovespa: ganhar no curtíssimo prazo, sem desembolsar muito dinheiro, independentemente do rumo do mercado.

Com 32 anos, Cabral, que é funcionário público, começou a investir na bolsa há cerca de seis anos, quando o Ibovespa se encontrava em meio a uma fase exuberante. De olho nos gráficos com o histórico de preços das ações, ele comprava papéis para vender em uma ou duas semanas com lucros. “Era mais fácil operar, quase tudo subia”, diz o investidor, que deixou a bolsa no começo de 2008 para aplicar em terrenos. “Quando voltei ao mercado, no ano passado, estava mais difícil. Preferi os mínis.”

Graças, em grande parte, a investidores como Cabral os minicontratos do Ibovespa não param de crescer. No ano passado, foram negociados na BM&FBovespa 38,95 milhões de minicontratos, 48% a mais que em 2011. De 2008 para cá, o número de transações praticamente se multiplicou por quatro. “Aumentou muito a procura do investidor de varejo pelos mínis de Ibovespa. É algo que está virando moda”, afirma Jansen Costa, diretor da Ativa Corretora. “E com a sofisticação do mercado, este produto tende ganhar apelo”, diz Frederico Meinberg, diretor do Rico.com.vc, home broker da corretora Octo.

Além de abrir possibilidade de ganhos seja qual for a direção do Ibovespa – um trunfo em tempos amargos para a bolsa -, os mínis tem outro atrativo para a pessoa física: não exigem uma aplicação inicial elevada. Para operar, o investidor precisa apenas depositar uma margem de garantia na bolsa, de acordo com a data de vencimento do contrato. O valor da margem flutua ligeiramente todos os dias. Atualmente, para contratos com vencimento este ano, a margem exigida varia de cerca de R$ 2.100 até R$ 2.800. Outro ponto que costuma atrair o investidor é a taxa de corretagem, que gira entre R$ 1 e R$ 2. E quem faz muitas operações diárias tem desconto. “O fato de a margem ser pequena me estimulou a operar com mínis. É mais barato que comprar ações”, afirma o investidor Gilberto Cabral. “Tem gente que perdeu com ações, ficou sem dinheiro, mas quer operar e volta ao mercado com os mínis”, diz Costa, da Ativa.

 

Para entender o fenômeno, é preciso ter em mente que operar um míni é participar de um sistema de aposta em torno do rumo do Ibovespa. Essa aposta é feita por meio de compra e venda de um contrato, cujo valor é definido de acordo com o número de pontos do Ibovespa. No minicontrato futuro de índice, versão reduzida do contrato-padrão, cada ponto do Ibovespa equivale a R$ 0,20. Se o índice estiver cotado a 60 mil, o valor do contrato será de 12 mil. Mas o investidor não precisa desembolsar R$ 12 mil para comprar um contrato. Esse valor é apenas uma referência para os negócios. Tudo o que o investidor tem que fazer é depositar a margem de garantia.

Imagine que o Ibovespa está aos 60 mil pontos e o investidor negocia um minicontrato. Cada variação de um ponto do Índice significa um ganho ou uma perda de R$ 0,20. Se o índice subir para 61 mil pontos, quem comprou um míni (apostou na alta) embolsa R$ 200 (o equivalente a R$ 0,20 multiplicado por mil). Se a bolsa tivesse caído, quem ganharia seria o investidor que tivesse vendido o minicontrato. A cada dia, o aplicador recebe os ganhos ou arca com as perdas, dependendo da variação do índice. “Essa coisa de entrar e sair dinheiro é mais estimulante do que comprar ações e esperar para ‘realizar’ o lucro”, diz Cabral.

No exemplo, em vez de desembolsar, por exemplo, os R$ 12 mil do “valor de referência” do contrato, o aplicador investiu apenas R$ 2.100. Nesse caso, o ganho de R$ 200 significa uma rentabilidade de quase 10% sobre a aplicação inicial. Isso a partir de uma valorização de 1,66% do Ibovespa (de 60 mil para 61 mil). É claro que o raciocínio inverso também é verdadeiro – ou seja, o investidor pode ter perdas elevadas mesmo com quedas pequenas do índice.

Além de apostar na alta ou na baixa do índice, o investidor pode vender minicontratos de Ibovespa para fazer uma operação de “hedge” [proteção] de uma carteira de ações, caso tema uma queda do mercado. Se a bolsa cair, o investidor compensa a perda com desvalorização das ações com os ganhos no mercado futuro. “Mas poucas pessoas fazem ‘hedge’. O grande volume é em operações direcionais”, afirma Meinberg, do Rico.

Antes de se aventurar no mundo dos minicontratos, investidores precisam estudar e entender profundamente a aplicação. Qualquer passo em falso pode significar perdas gigantescas. “É mais recomendável começar com operações pequenas, em que a margem de garantia represente percentual mínimo do portfólio para não abalar o patrimônio em caso de perda”, diz Keyler Carvalho Rocha, professor do Laboratório de Finanças da FIA. “Não são poucos os casos de grandes investidores aqui e lá fora, e mesmo de empresas, que tiveram dissabores com derivativos.”

Os minicontratos futuros do Ibovespa parecem longe de integrar o grupo de derivativos a que o lendário investidor americano Warren Buffett classificou de “armas financeiras de destruição em massa”. Mas, como se trata de um derivativo, mesmo que míni, todo cuidado ainda é pouco.

Do Jornal Valor Econômico
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