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Não decidir pode custar caro | Instituto de Educação Financeira

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Não decidir pode custar caro

Por Jurandir Macedo

A maioria das pessoas deveria se sentir aliviada pelo fato de ter liberdade e poder fazer escolhas.  Mas quando estamos diante de uma decisão que consideramos complexa sentimos medo e ficamos tentados a adiá-la o máximo possível. Além de correr o risco de deixar passar grandes oportunidades, quem age dessa forma pode estar perdendo dinheiro sem perceber.

Procrastinar uma decisão pode parecer atitude de um despreocupado ou até mesmo de um preguiçoso, mas o processo psicológico é muito mais complicado do que parece. E as decisões de longo prazo são sempre as mais difíceis.

Escolher qual faculdade cursar, mudar de emprego ou de país são alguns exemplos de decisões que irão refletir em nosso futuro. Além de adiar nossas escolhas, outra tendência que aparece nessas horas é a de delegar para os outros essa tarefa. Segundo os psicólogos, estamos, na verdade, procurando um culpado para apontar caso algo dê errado. Ambas as atitudes funcionam como uma válvula de escape da nossa consciência.

Já no mercado financeiro não decidir pode custar caro. Na bolsa de valores, em particular, é possível perder muito sem fazer absolutamente nada. E muitas pessoas estão, neste momento, procrastinando decisões, querendo que alguém escolha por elas ou congelando de medo diante das mudanças do mercado financeiro.

O medo leva os investidores a ficar paralisados diante dos movimentos do mercado financeiro, o que prejudica a capacidade de análise e decisão dos indivíduos. Diante do medo de movimentos bruscos do mercado financeiro, alguns investidores “esquecem-se” dos seus investimentos e evitam a qualquer custo ter contato com notícias do mercado. Por exemplo, recusando-se a perceber que a queda da taxa de juros vai exigir mudanças nos planos de aposentadoria.

Existem ainda os investidores que entram em pânico, o que é ainda pior, pois gera uma pressão urgente para agir. São pessoas que mesmo que há poucos meses tenham entrado na bolsa com objetivos de longo prazo, tomam decisões impulsivas e arriscam perder seus patrimônios ao menor sinal de perigo. Tanto não agir quanto tomar uma decisão movida pelo pânico são duas atitudes que os investidores devem evitar.

Em termos evolutivos, o medo e o pânico foram uma poderosa alavanca para a sobrevivência das espécies. Para nossos ancestrais, não dar atenção aos sinais de perigo poderia representar ser morto por um predador. Somos biologicamente induzidos a ter pensamentos de curto prazo, pelos hormônios do estresse que são liberados durante episódios de medo. Esses hormônios nos tornam propensos a lutar ou fugir. Diante do medo, tendemos a ver apenas riscos onde antes enxergávamos oportunidades.

Investidores modernos acabam se comportando diante de um extrato de investimentos da mesma forma que nossos ancestrais nas savanas africanas. Ficam hipervigilantes com a possibilidade de perder ainda mais dinheiro ou de vender e se arrepender muito depois de uma espetacular alta.

A única forma de viver bem com os investimentos em renda variável é pensar em prazos extremamente longos e se despreocupar com os movimentos de curto prazo. Porém, infelizmente, a nossa genética não colabora para essa visão distanciada diante dos bruscos movimentos do mercado financeiro.

Claro que especuladores treinados também passam por episódios de medo e, eventualmente, até de pânico, mas aprendem a controlar esses sentimentos e conseguem se livrar deles logo após o mercado fechar a cada dia. Já os iniciantes estragam suas noites de sono, pensando no dia seguinte do mercado.

Se a brusca variação da bolsa estava prejudicando sua vida, pense seriamente em aproveitar a relativa recuperação do mercado para mudar seus investimentos para um bom e seguro título público, ou para um CDB de um banco de primeira linha. Afinal, como falou Peter Lynch, o lendário gestor da Fidelity, maior empresa de administração de fundos dos Estados Unidos: “se você gastar mais de 14 minutos por ano nervoso com o mercado, então você terá desperdiçado 12 minutos da sua vida”.

Do Jornal O Globo

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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1 comentário to “Não decidir pode custar caro”

  1. muito bom, seus artigos sempre muito claros, parabens….

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