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Muito além da matemática | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Finanças Pessoais

Muito além da matemática

por Denise T. Hills*

Vivemos a realidade de uma economia estável, com mais possibilidades de escolhas financeiras e, ao mesmo tempo, convivemos com um baixo conhecimento e a pouca experiência no tema por parte das pessoas em geral. Tal habilidade é essencial para a base do crescimento dos indivíduos, sua capacidade de gerar renda e seu desenvolvimento.

O tema educação financeira é bastante novo, tanto para as pessoas e famílias, quanto para escolas e mesmo para empresas e organizações. A universidade nos prepara para uma carreira, mas não necessariamente para lidarmos com os resultados dela, entre eles o financeiro. As escolhas relacionadas a usar ou não o dinheiro não costumam fazer parte da nossa formação, na escola ou em casa. São poucos os que receberam estas informações, especialmente na infância e na juventude.

Nesse sentido, a necessidade de levar a educação financeira às escolas de ensino fundamental e médio parece clara. Ela poderia ser parte da formação nas escolas considerando-se que, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), e os Parâmetros Curriculares Nacionais, “o objetivo da educação é o desenvolvimento do educando, assim como seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Em vários países, em desenvolvimento ou desenvolvidos, há a preocupação de disseminar programas de educação financeira nas escolas. Esses programas permitem que os futuros adultos saibam gerir suas finanças com o objetivo de conquistar a independência financeira. A questão é definir como levar a educação financeira às salas de aula.

Existem basicamente duas abordagens: a primeira compreende adicionar ao currículo uma disciplina específica de educação financeira, oferecida através do desenvolvimento de uma sequência lógica, proporcionando acompanhamento da evolução do aluno por um professor especializado. O problema nesse caso é encontrar professores especializados em educação financeira para uma necessidade que é imediata.

Já a segunda abordagem é a transversal, com envolvimento de diferentes professores ensinando o mesmo tema em cada uma das áreas do conhecimento. A grande vantagem da inclusão da educação financeira por meio do ensino transversal é que a carga horária da escola não precisa ser aumentada. Falar de dinheiro também pode ser mais um incentivo para aprender português, história, ciências, matemática. Além disso, saber fazer uso consciente do dinheiro é importante para a formação do indivíduo, que pode sair da aula colocando em prática a sua aprendizagem.

Na aula de português, pode-se conjugar o verbo poupar no lugar do verbo brincar. Em arte, o desenho de um cofrinho e não de uma casinha no campo. Nos problemas de matemática, reais e listas de supermercado em vez de contas de subtrair maçãs. Na aula de história comparam-se períodos de alta inflação com os dias atuais. Iniciativas simples como essas devem ser inseridas no cotidiano escolar de crianças e adolescentes.

A abordagem transversal permite que os temas sejam contextualizados e trabalhados de acordo com as diferenças locais e regionais, promovendo uma experiência enriquecedora em sala de aula. Esse trabalho é interessante pelo diálogo entre as disciplinas, em um modelo que inclui mais preparação prévia, discussão de didática e metodologia do programa e das atividades, que também devem ser teóricas, práticas e lúdicas. Em cada aula a discussão deve partir da realidade do aluno, a construção e a explicação de conceitos básicos podem ser feitas com atividades como caça palavras, jogos e outras brincadeiras para que o aluno sistematize o conhecimento.

De acordo com a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), os temas a serem abordados passam por dinheiro, poupança, consumo, renda, planejamento financeiro, investimento, endividamento, crédito, agentes econômicos, planos futuros, ética e cidadania. A adequação destes conteúdos à realidade de cada grupo de estudantes é essencial e requer parcerias entre diferentes especialistas de mercado e educação atuando juntos, com um plano que garanta a implementação desta estratégia de forma constante.

Como as escolas ainda têm pouco domínio na área de educação financeira, parcerias com instituições financeiras e de mercado, como CVM, BM&FBovespa, Ambima, bancos e operadoras de cartões de crédito podem ajudar neste caminho. E ainda há a possibilidade de oferecer atividades extracurriculares e visitas educativas a sedes de instituições como a própria bolsa de valores, o Banco Central, a Casa da Moeda e bancos comerciais.

São todas formas válidas de aumentar o engajamento dos professores, alunos, governo e comunidade neste processo de implementação de uma nova cultura com relação ao planejamento de vida e o planejamento financeiro dos futuros cidadãos. Afinal, educação financeira é instrumento de cidadania. É um conjunto de orientações que ajudam as pessoas a mudar posturas e atitudes diante de questões financeiras.

*superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco
Colaborou Celina Macedo,  professora do Colégio de Aplicação da UFSC
Da revista Carta Fundamental
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