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Mudanças | Instituto de Educação Financeira

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Mudanças

por Jurandir Sell Macedo

Completo esta semana quatro anos a frente desta coluna*. Foram 208 semanas ininterruptas escrevendo com total liberdade sobre aquilo que acredito e que é um dos meus grandes objetivos de vida: a divulgação da educação financeira.

Este desafio é muito anterior a 2007, quando cumpri as rígidas especificações profissionais do edital de seleção para o futuro articulista do site do Banco do Brasil. Ele remete ao princípio de minha carreira como professor, na década de 1980.

Comecei lecionando matemática financeira e procurava demonstrar aos meus alunos a magia dos juros compostos. Acreditava que toda pessoa que entendesse os efeitos dos juros sobre juros seria capaz de aprender a poupar para enriquecer.

Anos depois, com a economia em crise em função dos graves problemas causados pela hiperinflação, passei a lecionar Mercado de Capitais. Minha meta era transmitir aos alunos que todo jovem pode e deve começar a comprar ações para se tornar sócio de grandes empresas.

Em paralelo, criei um curso de mercado de capitais para gerentes de banco. O treinamento de três dias contava com um jogo que simulava a gestão de uma carteira de investimentos por dez anos. Na simulação, os profissionais viam que diversificar as aplicações, incluindo parte em ações, reduzia o risco global de uma carteira de investimentos. O curso foi um sucesso, com mais de cem turmas e quase quatro mil alunos. Eu acreditava que a maioria sairia dali pronta para investir o dinheiro e recomendar aos clientes o investimento de parte da poupança em ações.

Sempre tive por costume perguntar aos ex-alunos que encontrava se estavam poupando e investindo. Infelizmente eram raros aqueles que estavam colocando as lições em prática. A maioria não investia no mercado financeiro ou sequer poupava. O resultado prático de tanto trabalho não era nada motivador.

Em busca de alternativas, participei em 1999 do programa de gestão da Amana-Key em São Paulo. Foi quando percebi que o processo de aprendizagem se dá muito mais pela emoção do que pela razão. Para obter sucesso com meus alunos, eu precisava ir além dos números.

Novos rumos

Parei tudo que estava fazendo e, em 2000, iniciei um programa de doutorado para estudar uma área então bastante nova na época, as Finanças Comportamentais. Durante o doutorado passei um ano no Canadá e conheci o trabalho do professor Arshad Ahmad, da John Molson School of Business da Concordia University. Ele tinha uma disciplina de Finanças Pessoais para alunos de graduação. Voltei de lá com a ideia de fazer o mesmo no Brasil.

Ao finalizar o doutorado, em 2004 consegui implantar a primeira disciplina de Finanças Pessoais em uma universidade brasileira. A partir de então passei a dedicar minha vida a este tema. Logo descobri que para falar de finanças pessoais, mais do que números, é preciso entender de gente.

Comecei a estudar Psicologia, o que culminou em um ano de pós-doutorado no laboratório de Psicologia Cognitiva da Universidade Livre de Bruxelas, ano passado. E chega a hora, então, de mais mudanças. São elas que me fazem abrir mão deste espaço para me envolver com outros projetos de divulgação da educação financeira.

Aproveito para agradecer aos leitores, em especial àqueles que mandaram milhares de e-mails com perguntas, críticas e elogios e que sempre foram como bússolas a me orientar o caminho a seguir. Espero que todos continuem buscando informações sobre esse tema, que sempre estarão disponíveis aqui no site do Banco do Brasil.

Agradeço ao Instituto de Estudos Avançados por operacionalizar o contrato. Um agradecimento pessoal à jornalista Emília Chagas que me ajudou a dar mais fluidez aos textos, reduzindo meu viés acadêmico dentro do possível.

E, finalmente, tenho um agradecimento muito especial ao Banco do Brasil e a seus funcionários que sempre foram atenciosos e competentes ao longo desses quatro anos. Sempre me permitiram, com total liberdade, sem nenhuma interferência divulgar a educação financeira sem preocupação direta de promover qualquer produto financeiro de forma específica. Neste espaço sempre pude passar minha visão de que não existe produto financeiro bom ou ruim, mas sim produto financeiro adequado à situação e ao perfil de cada um.

Certamente, ter ocupado este espaço nos últimos quatro anos já é, e será sempre, um dos pontos altos da minha história de vida.

Muito obrigado!

*Artigo publicado no site do Banco do Brasil, onde o professor Jurandir manteve coluna semanal entre março de 2007 e março de 2011.

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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