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Mas, afinal, quem está pagando por todos esses iates? | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais

Mas, afinal, quem está pagando por todos esses iates?

Iates em marina do Rio Hudson, em Nova York: velha piada de Wall Street levanta a questão dos custos cobrados pelos corretores e gestores de recursos.

nde estão os iates dos clientes? Essa pergunta, feita em 1940 no livro de Fred Schwed Jr. de mesmo nome, me acomete regularmente. Sempre que me encontro com um gestor de investimentos, na verdade. Na semana passada, me peguei fazendo essa pergunta duas vezes.

A frase se refere a uma velha piada de Wall Street sobre um turista que está na enseada de Nova York e é apresentado aos iates dos corretores de valores. Ingenuamente, ele faz a pergunta mencionada acima. Indiscutivelmente, os “turistas” que passam hoje pela Zuccotti Park, em Nova York, devem estar fazendo (indiretamente) a mesma pergunta.

Assim, é uma pergunta – e um livro – que merece uma revisão. Portanto, na semana passada fui encorajado a isso, por pessoas que fizeram alusão à pergunta deste lado do Atlântico.

Na terça-feira, encontrei-me com o diretor de análise de uma das maiores administradoras de investimentos para clientes privados do Reino Unido. Ele me disse que havia acabado de redigir os dados de sua firma para a “Kay Review” dos mercados de ações do Reino Unido. Essa revisão, que está sendo comandada pelo economista e colunista do “Financial Times” John Kay, foi estabelecida este ano pelo secretário de negócios Vince Cable, para determinar como os mercados financeiros estão atendendo as companhias, poupadores e pensionistas.

Portanto, eu perguntei ao guru das análises de investimento, o quanto ele foi honesto com as despesas ocultas, taxas de plataforma e outras deduções que atuam drenando retornos dos poupadores, quando não sobre as quilhas dos iates dos administradores. De uma maneira animadora, ele respondeu: “Pensei, que droga! – e decidi contar como a coisa funciona”.

Isso é um bom prenúncio, já que Kay é um economista que também não faz rodeios. Em seu livro de 2009 “The Long and The Short of It: Finance and Investment for Normally Intelligent People Who Are Not In The Industry” ["O Long e o Short da Coisa, (ironia com o termo long/short, que define arbitragem): Finanças e Investimentos para Pessoas Normalmente Inteligentes de Fora do Mercado"] (um subtítulo que diz muita coisa), ele calcula o que teria acontecido se o investidor mais bem-sucedido do mundo, Warren Buffett, tivesse um gestor de fundos deduzindo despesas dos retornos sobre seus investimentos.

Em outras palavras, com quanto dos US$ 62 bilhões de Buffett o gestor de fundos acabaria ficando, e com quanto Buffett estaria vivendo em Idaho. Sua resposta – verificada por outros luminares como Terry Smith, da Tullett Prebon – é que o gestor teria ficado com US$ 57 bilhões e Buffett com US$ 5 bilhões. Ele chegou a isso assumindo uma taxa anual para o gestor de fundos de 2% e uma taxa de desempenho de 20% dos ganhos – a norma na indústria dos fundos hedge.

Então, quem você encontra na marina? Conforme a Lex Column do “Financial Times” apontou em 2007, sim, são os iates dos gestores de fundos. “Os barcos de Greenwich, Connecticut estão junto com os dos grande apostadores.”

Mas esse não é o caso dos fundos de varejo e pensões do Reino Unido, é?

Na terça-feira passada, ouvi que o diretor de outra gestora de investimentos havia feito uma apresentação a funcionários do Tesouro. Ele a abriu com um exemplo real do que aconteceu com um investidor privado britânico que aplicou 70 mil libras em um fundo de pensão em 1994. Nos 15 anos seguintes, o índice FTSE 100 subiu 66%. Quando o investidor pediu uma avaliação em 2009, disseram-lhe que sua aplicação valia pouco menos de 70 mil libras. O retorno do investimento, de 46 mil libras, havia sido consumido pela “cadeia de custos do valor dos serviços financeiros”. Dinheiro suficiente para comprar um veleiro cabine-dupla e 28 pés, de segunda-mão, acredito.

E esse não é um exemplo isolado – em setembro, o FT Money revelou que os fundos de previdência privada à venda hoje em dia podem abocanhar 39% do valor final do fundo em despesas, num período de 25 anos.

Você pode nem ficar surpreso quando eu digo que esse diretor era David Norman, o combativo fundador da TCF Investments, que recentemente identificou os 15 diferentes pontos de cobrança da cadeia de fornecimento de investimentos que abocanham tanta coisa das aplicações dos investidores. Seus cálculos mais recentes sugerem que investir 100 mil libras em um fundo mútuo de ações no Reino Unido ao longo de 20 anos vai resultar numa soma de 227.695 libras, assumindo uma valorização de 7% – dos quais 159.272 libras vão para as taxas, assumindo uma relação total de despesas de 1,7%, custos de negociação com o giro de uma carteira de 60%, taxas de correspondência, custos de venda, taxas legais e empréstimo de ações.

Entretanto, você pode ficar surpreso ao descobrir que a plateia ouviu com atenção e alguns até mesmo concordaram que mais coisas deveriam ser feitas para pelo menos se revelar os custos totais para os investidores, numa nova medida chamada “Total Cost of Ownership”.

Isso também é um bom prenúncio – uma vez que sugere um consenso crescente de que os investidores precisam saber pelo que estão pagando, e os obstáculos que eles precisam superar.

Caso contrário, os fundos serão vendidos com base no desempenho passado, que nenhum investidor pode obter.

Ou, como o diretor de análise colocou com honestidade, referindo-se ao programa de TV baseado em disputas de dardos, em que pessoas humildes geralmente fracassam nas tentativas de ganhar prêmios náuticos praticamente inalcançáveis: “Ainda temos o método ‘Bullseye’ de venda de fundos: eis o que você poderá ganhar”. E aparecer no “Bullseye” continuará sendo a única maneira de um pequeno poupador acabar ganhando um iate.

Por Mattehew Vincent, editor de Finanças Pessoais do Financial Times. Publicado no Valor Econômico

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