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Jurandir Sell Macedo Jr. | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

Jurandir Sell Macedo Jr.

Quem não quer aprender a poupar mais dinheiro e fazer com que suas reservas tenham a maior rentabilidade possível? É justamente isso que Jurandir Sell Macedo Jr. ensina através das suas aulas de Finanças Pessoais da Universidade Federal de Santa Catarina. E o mais interessante é que o número de alunos querendo fazer essa disciplina é simplesmente enorme.

Doutor em Finanças e mestre em Engenharia Econômica, Jurandir lançou, no ano passado, seu primeiro livro: A Árvore do Dinheiro – Guia para cultivar sua independência financeira, editado pela Campus. Ele também é consultor do Instituto de Educação Financeira (www.edufinanceira.org.br), onde realiza palestras e cursos na área de investimentos e finanças pessoais.

Nesta entrevista exclusiva para a revista InvestMais, Jurandir divide conosco um pouco da experiência que adquiriu nesses 26 anos de carreira. O especialista nos ensina a melhor maneira de investir em ações.

Quando e por que você decidiu investir na Bolsa?

Invisto em ações desde 1982. E, a partir dessa época, lembro que já queria me tornar sócio de grandes organizações. Foi nesse período que conheci pessoalmente algumas empresas de alimentos aqui em Santa Catarina e fiquei impressionado com os parques fabris e toda a modernidade envolvida. Isso me empolgou muito para começar a comprar ações. Eu ainda era estudante e, como ganhava muito pouco, lembro que tive de insistir muito para ser aceito por alguma corretora.

Sendo estudante, imagino que foi difícil guardar parte da sua renda para investir em ações. Você era disciplinado quanto a isso?

Eu sempre fui muito disciplinado para guardar dinheiro. Uma vez eu troquei de emprego e passei a ganhar bem mais do que ganhava anteriormente. E por mais de dois anos vivi como se ainda estivesse ganhando o salário antigo, guardando todo o resto.

Você se considera um investidor conservador, moderado ou arrojado?

Atualmente me considero um investidor moderado, pois já arrisquei muito mais do que arrisco hoje. Já passei três meses comendo “miojo” porque tinha perdido boa parte das minhas reservas. Mas isso foi quando eu ainda era solteiro e não tinha filhos. Hoje, preciso ser mais ponderado nas escolhas de investimento que faço.

Como sua carteira de ações é formada?

Eu a divido: de um lado, tenho a maior parte das minhas ações e mexo muito pouco nelas, apenas faço o acompanhamento. E na outra parte tenho ações com as quais gosto de brincar, faço day trade, um pouco de especulação, etc. Para o pequeno investidor ter sucesso com ações, a estratégia tem de ser de longo prazo. Mas como isso é um pouco chato para mim, acabei reservando uma pequena parte para me divertir.

Qual a porcentagem das suas reservas totais está investida na Bolsa?

Hoje, meus investimentos em ações estão em torno de uns 30% das minhas reservas. O restante está dividido em imóveis, renda fixa, papéis do tesouro direto, fundos e em uma empresa que tenho de reflorestamento. É uma carteira bem diversificada.

Qual a sua maior preocupação em investir na Bolsa?

Absolutamente nenhuma. Eu já vi a Bolsa, logo após o plano Collor, cair mais de 90% em relação ao seu pico. Já passei por muitos altos e baixos do mercado e não tenho medo dessas flutuações. Uma das coisas que eu mais gosto é ver a Bolsa cair bastante e subir bastante. Muitos investidores que estão iniciando sentem receio nessas épocas de extremos, mas são justamente nelas que se abrem as melhores oportunidades de compra e venda.

 Nesses 26 anos de investimentos em ações, qual a história mais interessante que já viveu?

Em 1999, fiz uma viagem de bicicleta com o objetivo de atravessar os Andes. Eu havia saído do Chile e estava chegando a Villa La Angostura, na Argentina. Foi quando encontrei uma edição do jornal Clarín que estampava na capa, em letras garrafais: “O Brasil Quebrou”. Geralmente quando viajo, procuro abandonar os investimentos mais especulativos, mas naquela situação não me contive e acabei ligando para o Brasil. Descobri que as ações estavam praticamente de graça e me interessei pelas ações da Klabin, que custavam R$0,13. Comprei as ações e um ano depois elas já tinham valorizado mais de mil por cento. Eu consegui fazer isso de forma tranqüila porque estava fora do País, sem estar no centro da crise e sem ter sido influenciado emocionalmente por ela. Eu só pensei “o que a Klabin faz? Guardanapo e papel higiênico. E, por pior que seja a situação, as pessoas vão continuar consumindo esses produtos.”

Como você escolhe as empresas nas quais vai investir? O que você analisa?

A primeira coisa que eu faço é exigir boa governança corporativa e isso é muito simples de analisar. Basta você mandar um e-mail para o diretor de relações com investidores. Se ele não responder, esqueça. Em segundo lugar, procuro empresas com vantagens competitivas. Eu gosto muito daquela frase do Warren Buffet que diz “Invista em empresas que qualquer idiota possa administrar, porque um dia algum deles chegará a presidência”. Eu procuro setores em que o Brasil tenha diferenciais competitivos, como a indústria de alimentos, de minério, de energia elétrica e bancos por exemplo. São setores simples, com pouco risco. Dentro desses setores, procuro identificar as empresas que estão fazendo um bom trabalho. Não gosto de setores como tecnologia ou telefonia.

O que você faz quando uma ação que você comprou começa a cair consecutivamente?

Para mim, o cair é em relação ao índice – Ibovespa. Se isso está acontecendo com uma ação que eu tenho, tento identificar o motivo da queda, se é interno (com relação à gerência da empresa ou lucratividade, por exemplo) ou externo (crise em outros países ou em determinado setor). Se a ação cai por causa de fatores externos, isso me alerta que é uma boa oportunidade para comprar ainda mais, pois a crise mais cedo ou mais tarde vai passar. Quando não há um motivo externo, aí, em algumas situações, acabo usando stop loss.

 Qual o seu projeto atual de investimento?

Até os meus 45 anos, guardava uma parte do que ganhava para investir. Depois disso, percebi que o que eu tinha juntado já era suficiente. Então, não pretendo retirar nada do que já investi e nem fazer um novo investimento nos próximos seis anos. Após esse período, quero começar um processo de desinvestimento, porque pretendo chegar ao fim da vida com o menos possível guardado.

Da Revista InvestMais

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