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Ibovespa pode ter rali de curto prazo, diz Stuhlberger | Instituto de Educação Financeira

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Ibovespa pode ter rali de curto prazo, diz Stuhlberger

Luis Stuhlberger: Grécia, Portugal e Irlanda caminham para a moratória, mas Espanha e Itália devem se salvar

A bolsa brasileira está barata e pode até ter um rali de curto prazo, por conta da queda muito forte e rápida, mas o mercado continuará desafiador por um bom tempo, afirma Luis Stuhlberger, do Credit Suisse Hedging-Griffo. “O mercado caiu muito nos últimos dias e pode até subir 4%, 5% no curtíssimo prazo, mas não dá para dizer que vai continuar subindo”, afirma.

Gestor do Verde, um dos maiores fundos hedge do mundo, com R$ 13,5 bilhões em ativos, Stuhlberger observa que os preços de papéis importantes como bancos, Petrobras e Vale estão baixos em relação ao seu lucro projetado – a chamada relação preço/lucro, que dá uma ideia do tempo de retorno do investimento. “Mas mesmo nos menores níveis históricos de P/L, isso não quer dizer que os preços vão necessariamente subir, há vários outros fatores”, diz.

Ele acredita que, apesar de barato, será difícil o Índice Bovespa bater o CDI no médio prazo. “Mas há oportunidades fora do índice, eu estou comprando algumas coisas que ficaram baratas”, afirma. Para ele, o mercado brasileiro precisava de uma queda nos preços para ajustar-se a um cenário interno mais complicado no médio e longo prazos. “O presente do Brasil está bom, mas surgem dúvidas sobre o futuro e isso leva a bolsa a comprimir os preços das ações”, diz.

Sobre as incertezas, ele cita o fato de o país não ter encaminhado reformas importantes que poderiam reduzir o custo-Brasil, como na parte trabalhista, fiscal e previdenciária. “Do jeito que está, vamos perder indústrias para China, e há até algumas estudando mudar para o Peru ou para a Colômbia para fugir da carga fiscal e dos problemas de infraestrutura”, afirma.

Houve também uma redução das margens das empresas por conta do aumento dos custos, como salários e matérias-primas, por exemplo. “A inflação de hoje não é tão ruim como a dos anos 80 porque ela é provocada em boa parte pelo ganho salarial, mas as empresas não estão conseguindo repassar esses custos aos preços”, observa Stulhberger.

Ao mesmo tempo, há os escândalos envolvendo partidos de sustentação do governo, que trazem preocupação na área política. “O governo Dilma surpreendeu positivamente, ela é uma presidente técnica e conhece bem os problemas do Brasil”, diz. “A questão é como manter o apoio para as mudanças no Congresso em um governo de coalizão e com tantos interesses”.

Afeta também o Ibovespa a intervenção do governo em alguns setores, lembra o gestor. A Petrobras, diz, está barata, mas sofre por conta de seu uso pelo governo e da forma como foi feito o aumento de capital da empresa no ano passado. E agora a intervenção do governo foi ampliada para a Vale e ameaçou chegar ao varejo com a possível entrada do BNDES na operação entre Pão de Açúcar e Carrefour. “Essas intervenções vão pesando sobre o índice e o mercado inteiro”, afirma Stuhlberger.

O cenário externo também vai continuar atrapalhando a bolsa brasileira, afirma Stuhlberger. No caso da Europa, foco da recente queda do mercado, por exemplo, o plano das autoridades parece ser ganhar tempo. “Mas não vejo saída para Grécia, Portugal e Irlanda, que irão para uma moratória da dívida, enquanto Espanha e Itália devem se salvar”, afirma o gestor.

Para ele, mesmo em caso de “default” dessas três economias mais fracas, o euro deve sobreviver. “Bancos e governos da região vão perder com as moratórias, deve haver alguma contaminação, mas quando se olha os países em si, vemos que são economias menores e com baixo potencial de crescimento, que nem deveriam estar no euro”, diz.

Já no caso de Espanha e Itália, são países com bom potencial se fizerem reformas e ajustarem suas contas. “Mas isso tudo ainda vai demorar um bom tempo, criando incerteza e derrubando os mercados”, afirma Stuhlberger.

Sobre os Estados Unidos, o gestor diz que o país não está tão mal. E o Japão também está indo razoavelmente bem. “O problema maior está na Europa”, diz.

Stuhlberger comemora os resultados do Verde, que está conseguindo superar o CDI apesar de ter uma exposição líquida em bolsa de 38% da carteira, enquanto o Ibovespa cai 13% no ano. O fundo rende 6,78% no ano até dia 8, para 5,81% do CDI. A explicação é a compra de papéis com potencial de alta, como concessões rodoviárias e telecomunicações, e a venda de outros como construtoras, OGX e Hypermarcas, que caíram bastante este ano.

O Verde ganhou também com apostas na alta da inflação e no dólar. E também com arbitragem entre o mercado brasileiro e americano. “Apostei no Índice Standard & Poor’s, que sobe 4%, e vendi o Ibovespa, que cai 13%”, diz.

Do Portal Valor Online
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