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Gasto mais responsável | Instituto de Educação Financeira

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Gasto mais responsável

O brasileiro começa a tomar empréstimos de maneira mais consciente. É o que mostram dados sobre a utilização do crédito divulgados nos últimos dias. O mais recente relatório do Banco Central revela a redução considerável na procura por financiamento de bens. Os empréstimos para aquisição de veículos, por exemplo, tiveram retração de quase 6% nos últimos 12 meses.

Mas o que mais chama a atenção é que, em meio à queda do consumo parcelado, outros tipos de crédito parecem estar em escalada. É o caso do consignado e do crédito para pagamento à vista — como uso do cartão com a fatura quitada na data e, portanto, sem incidência de juros. O primeiro teve aumento de 20,8% nos últimos 12 meses, e o segundo, de 15,4%. Mas o que isso quer dizer?

A reflexão é fundamental para não confundirmos causa e efeito. Será que a queda no financiamento para consumo reflete uma decisão do consumidor ou é resultado de uma decisão daqueles que concedem crédito? Será que o tomador finalmente percebeu que o consignado tem taxa mais atrativa ou foram os bancos que perceberam que é melhor emprestar com taxa mais baixa para ter mais chances de receber o dinheiro de volta?

Independentemente do motivo, a migração mostra o início de um processo de amadurecimento do setor. O crédito pode ser muito positivo ou muito negativo, dependendo da forma como é usado. Para o consumidor, ele não pode ser um meio para gastar mais do que ganha. Pessoas com orçamento descontrolado, que tentam recorrer ao crédito para gastar além da conta chegam a um ponto insustentável, que leva a sérios problemas financeiros e pessoais. O crédito ajuda a sair de uma emergência, a investir em um negócio próprio, a financiar a educação, a comprar a casa própria ou a facilitar a realização de um sonho. Mas, para que o sonho não se torne um pesadelo, planejamento é fundamental.

Trocar dívidas caras por crédito consignado, descontado na folha de pagamento e mais barato, é uma opção acertada. Porém o consumidor precisa primeiro compreender o que o levou ao endividamento. Se foi por gastar mais do que ganha, terá que fazer mudanças significativas em sua vida. Precisará rever a situação financeira, organizar as contas, cortar gastos e, principalmente, começar uma reserva de emergências tão logo os débitos sejam quitados.

O crédito recebe tantas críticas que é fácil pensar que ele por si só é o problema. Mas, na realidade, é um instrumento importante para a economia do país e para as pessoas. O problema é a falta de educação para o uso adequado dele.

A alteração na estrutura da matriz de crédito é sinal de que houve avanço na educação financeira dos brasileiros e amadurecimento das instituições que concedem crédito. O próprio governo começa a perceber que existem limites para incentivar o consumo via crediário. Afinal, esse remédio pode até aquecer a economia em um primeiro momento, mas traz efeitos colaterais danosos a médio prazo.

Artigo publicado no Correiro Braziliense

Jurandir Sell Macedo é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco, professor da UFSC e fundador do IEF.

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