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Finanças pessoais: Você quer ser rico ou quer ser feliz? | Instituto de Educação Financeira

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Finanças pessoais: Você quer ser rico ou quer ser feliz?

Doutor em Finanças Comportamentais, Jurandir Sell Macedo Jr. é pioneiro da área no Brasil. Desde a década de 90 já treinou cerca de 5 mil gerentes de bancos. É professor adjunto do Departamento de Engenharia do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina, onde ministra a primeira disciplina de Finanças Pessoais do país, para alunos de todos os cursos da universidade. Atualmente é consultor de Finanças Pessoais do Itaú Unibanco.

 

Fundou o Instituto de Educação Financeira (IEF) e foi um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Planejadores Financeiros (IBCPF). É palestrante da ExpoMoney desde sua primeira edição, em 2003 e é Planejador Financeiro Certificado (CFP). Autor do livro “A árvore do dinheiro”, que deu início à coleção Expomoney, atualmente com 27 títulos. Autor do livro “O tempo na sua vida”. Publicou mais de 200 artigos sobre educação financeira. Jurandir Ministrou recentemente em Lages, uma palestra sobre educação financeira e explica como administrar as finanças pessoais.

 

Correio Lageano: O que é o uso consciente do dinheiro?

Jurandir Sell Macedo: Usar, conscientemente, o dinheiro, é você pensar antes de gastar. A primeira coisa para começar a cuidar das finanças pessoais é saber de onde o seu dinheiro vem e para onde ele vai. Tem pessoas que pensam que fazer planejamento financeiro é gastar menos, e não é. É gastar melhor. Quando a gente trabalha, investimento é só uma parte e bem na frente. Primeiro você tem que fazer uma reflexão: O que eu quero do meu dinheiro, para que ele serve e o que estou buscando?

 

CL: Muitas pessoas acreditam que ser feliz é ter dinheiro. Qual a sua opinião?
Jurandir: Você quer ser rica ou quer ser feliz, as pessoas querem ser felizes e acreditam que quem é rico é feliz, mas nem sempre, o dinheiro ajuda. A felicidade é composta por grandes grupos: o primeiro grupo é composto por ter prazer e garantir as necessidades básicas com qualidade; o segundo é amar e ser amado, amor carnal e social, pois as pessoas querem ser queridas, ter status social; e o terceiro é o sentimento de contribuir, de estar preocupado em transcender, com o que será da minha vida depois.

 

O dinheiro é muito poderoso para dar prazer. Mas, sentimento moral, será que o dinheiro ajuda a amar e ser amado? Ajuda um pouco, e facilita a conquista pela felicidade, mas não traz felicidade. É preciso fazer com que o seu dinheiro trabalhe para aquelas coisas que melhoram a sua vida, que te trazem mais felicidade.

 

CL: Quem precisa investir?
Jurandir: Uma pessoa jovem tem mais capital humano do que uma pessoa mais velha. Uma pessoa jovem pode trabalhar durante mais anos. A pessoa mais velha tem menos tempo. Os jovens precisam converter o capital humano em dinheiro para viver. Assim, vai chegar um dia que poderá descansar, aproveitar o que construiu com o dinheiro. Caso contrário, estará velha e sem dinheiro, pobre. O investimento deve estar muito mais ligado em ter uma reserva para emergência e para a realização de sonhos.

 

Existem algumas pessoas que estão no topo da pirâmide e ganham 3, 4, 5, 10 mil reais. Então, essas pessoas precisam reservar um pouco para o dia que ele ficarem velhas e não tiverem capacidade de vender o capital humano.

 

CL: O serrano tem medo de investir?

Jurandir: Tem uma coisa da cultura que me incomoda muito. É quando eu encontro alguém e a pessoa me pergunta: “Você é gente de quem?” O nosso referencial está muito ligado ao passado. Quando você encontra com um americano, por exemplo, ele pergunta qual é o seu propósito. Se eu vou a São Paulo, as pessoas não estão preocupadas com meus antecedentes, mas com quem eu sou e o que eu posso fazer. Outra coisa que me preocupa é a ideia de que a salvação virá de fora, com uma empresa se instalando na cidade.

 

Na verdade o crescimento das cidades e das nações é endógena, cresce de dentro. Empreendedorismo, associativismo, essas coisas é que fazem com que esse crescimento venha. Lages é uma cidade bastante conservadora do ponto de vista de investimentos, exemplo disso é o nível em caderneta de poupança que é extremamente elevado.

 

CL: Há um projeto na Assembleia Legislativa para que a educação financeira seja uma disciplina nas escolas estaduais, o senhor concorda?
Jurandir: Eu sou totalmente contrário. Quem vai ensinar? É muito bom ter educação financeira nas escolas, mas se você tiver professores preparados. Será que os professores de 1º e 2º graus têm educação financeira? Ninguém dá o que não tem. Na minha opinião, é uma coisa totalmente absurda.

 

CL: Educação financeira começa dentro de casa?
Jurandir: Com certeza os pais precisam ensinar educação financeira aos filhos. O que é educação financeira para uma criança de 3 anos? Ele vê alguma coisa e diz: – Compra pai? Ele já entendeu que você precisa ter dinheiro. Se você diz que não tem dinheiro. Ele vai dizer: – Pegue no banco. Ele já leu os códigos,você tem que ensinar que ele não pode tudo, que ele tem de esperar. Alguns pais dizem que não podem frustrar os filhos, isso é um absurdo. Nós temos frustrações a toda hora, as crianças precisam aprender desde cedo a lidar com frustrações, nem tudo pode, nem tudo dá.

 

CL: Qual a dica para cuidar das finanças?
Jurandir: Não há dicas, é preciso estudar sobre, mas uma dica que eu posso dar é ter uma caderneta e anotar tudo o que você gasta, colocar todas as notas. Assim você vai saber onde está gastando o seu dinheiro. Não é tirar o supérfluo da sua vida, é tirar o desperdício. Muitas vezes a gente tem que dizer para as pessoas gastarem mais.

 

Só existem dois erros financeiros possíveis na vida: o primeiro é economizar muito e morrer cedo; e o segundo é economizar pouco e demorar para morrer. Eu não sei se vou ficar velho, então as pessoas precisam guardar um pouco, mas não estragar o presente. Tem que viver o presente porque a vida passa e o presente tem que ser vivido.

Do Portal Correio Lageano
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