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“Faça o que digo…” | Instituto de Educação Financeira

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“Faça o que digo…”

por Emília Chagas e Letícia Teston.

Com um jeito tranquilo e em tom de brincadeira, o dono de uma das maiores fortunas do mercado de ações brasileiro tem um conselho inusitado: não façam o que eu fiz. Mas por que Ari Hilgert, alguém que lidou (e lucrou) com a vulnerabilidade da bolsa durante a Crise do México, em 1995, o atentado terrorista de Nova York, em 2001, e o mais recente colapso econômico, em 2008, não deve servir de exemplo?

Se as decisões de Hilgert são consideradas arriscadas para o atual mercado, o que dizer da ousadia desse investidor que enfrentou os percalços econômicos dos períodos anteriores. Era preciso mais do que um coração forte para atuar no mercado de ações na década de 1970, em um período denominado por economistas como “a era da turbulência”.

São ao todo 40 anos de experiência, retratados no livro Casos de sucesso no Mercado de Ações, de Geraldo Soares. Da infância pobre vivida no interior do Rio Grande do Sul, em uma família de dez irmãos, ao sucesso financeiro – tudo foi relatado no livro. Em entrevista ao blog, Hilgert conta um pouco de sua trajetória singular.

IEF – Como surgiu seu interesse pela bolsa de valores?

Ari Hilgert- Na época eu trabalhava numa loja comercial e morava numa pensão. E eu tinha um colega que morava comigo, que trabalhava numa corretora. Ele foi chamado para trabalhar numa corretora maior e, para sair da anterior, precisava indicar alguém para ficar no lugar dele. Ele me indicou, eu gostei e estou até hoje. Mas eu sempre tive vontade de trabalhar nessa área.

IEF – O senhor começou na bolsa com zero de patrimônio. Como isso foi possível?

AH – Quando eu comecei a trabalhar na corretora, por volta de 1972, fui trabalhar na custódia, que era a parte de valores. Naquela época não existiam títulos escriturais, eram títulos físicos mesmo. Quando o cliente chegava para vender essas frações, eu comprava a preço de mercado.  Era muito difícil conseguir informações. A gente começou mesmo praticamente sem nada. Hoje com internet e com todos os meios de comunicação disponíveis ficou muito mais fácil.

IEF – É mais fácil, mas ao mesmo tempo a informação que você tem, todo mundo tem.

AH - Eu morava em Porto Alegre nessa época, e quem tinha as informações eram os investidores do Rio e de São Paulo. Aqui no Sul a gente tinha que correr. Quando eu vinha pra São Paulo trabalhar, era uma felicidade.

IEF – Sobre suas experiências com as crises econômicas, o que dizer a quem está começando no mercado financeiro?

AH - Se puder comprar, compre. Essa é minha receita. Nunca se deve vender nessas horas, tem que esperar o “efeito manada” passar que as ações voltam ao patamar de antes.

IEF – O senhor se considera um case de sucesso?

AH - Sim, porque eu vim de uma família muito humilde, nós somos dez irmãos e o único que saiu do padrão fui eu. Eu sou bastante audacioso, essa é realmente uma característica minha, eu gosto do risco. Eu me considero um caso se sucesso sim, apesar das crises pelas quais passamos, porque não foi só um mar de rosas, não. Passamos por muitas dificuldades, o dinheiro era pouco, então não tinha como perder o pouco que a gente tinha. Mas com paciência e persistência conseguimos passar por tudo isso.

IEF – Qual foi o momento chave da sua trajetória?

AH - Teve momentos que foram chave.  Um deles foi uma ousadia minha porque eu apostei tudo num papel só. Isso eu não recomendo pra ninguém fazer, a não ser que tenha certeza absoluta do risco, que não era o meu caso. Mas é isso, o ganho é proporcional ao risco. Não quer arriscar? Vai para a poupança! Não tem risco, mas também não vai ganhar. Agora, o risco é importante, mas tem que saber medi-lo. Eu brinco dizendo que é o risco proporcional à dor de estômago.

IEF – O senhor tem estômago forte, então?

AH - Já foi mais forte, hoje estou mais tranquilo.

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