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ET o quê?

Tatiana, da Itaú Asset, alerta que a aplicação mínima é muito relevante para a decisão de investir em ETFs, já que custo pesa para valores muito pequenos

Os investidores brasileiros parecem ter despertado para uma alternativa de aplicação financeira com nome e sigla em inglês, algumas semelhanças com um fundo de investimento e comportamento similar ao das ações. Os Exchange Traded Funds – ou ETFs – movimentaram nos primeiros seis meses de 2012 três vezes o volume negociado em igual período do ano passado. Entre janeiro e junho, tiveram um giro de R$ 15,67 bilhões. O valor não chega a 2% do total negociado no mercado à vista da bolsa de valores. Mas o avanço deve ser considerado como um sinal positivo. É a primeira vez que essa espécie de fundo de investimento de nome esquisito chega a esse número.

Os críticos poderiam dizer que já era hora de os ETFs deslancharem. Afinal, o produto já está há quase quatro anos na bolsa brasileira, isso se não for considerado o PIBB11, o fundo de índice lançado em 2004 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No exterior, eles são um sucesso. Movimentam centenas de bilhões de dólares. No total, 2.825 ETFs giraram mais de US$ 10 trilhões em 49 bolsas no ano passado. Cerca de 87% desse volume ficou concentrado no mercado americano. Na bolsa de Nova York, 10 entre os 20 ativos de maior liquidez são ETFs. Em defesa do mercado brasileiro, Tatiana Grecco, superintendente de fundos indexados da Itaú Asset Management, argumenta que o sucesso dos fundos de índices no mundo também demorou a surgir. “Os primeiros ETFs foram lançados no fim dos anos 90. Mas eles vingaram somente depois da crise financeira em 2008″, afirma Tatiana.

Quem olha o aumento no número de ETFs – de 10 para 14 – nesses primeiros seis meses poderia assumir que o crescimento do mercado se explica por aí. Mas os novos fundos movimentaram menos de 5% entre janeiro e junho. Segundo os especialistas, o principal motivo do aumento das negociações é a melhor assimilação do produto por investidores institucionais, que passaram a trocar carteiras de ações por cotas em ETFs, somado ao início da negociação desses fundos em mercados como o de aluguel e o de opções. “Quando só há um tipo de investidor comprando e vendendo, o mercado fica parado. Demora a desenvolver”, afirma Ricardo Cavalheiro, diretor da BlackRock, a maior gestora de ETFs no mundo. “O maior número de possibilidades ajuda a criar o ecossistema necessário para o produto deslanchar”, diz.

Outro motivo para o crescimento é o novo patamar de juros na economia brasileira, na opinião de Tatiana, da Itaú. “O investimento em renda variável pelas fundações e pelos fundos de pensão sempre foi muito baixo. Com o novo cenário macroeconômico, eles começam um movimento de migração para o risco”, afirma a executiva. São os investidores institucionais os maiores responsáveis pela negociação dos ETFs do Itaú, assim como pela movimentação do mercado. Do total, a participação dos institucionais na compra e venda dos fundos negociados em bolsa foi de 34,89% em junho. Em segundo lugar, aparecem as instituições financeiras, como bancos e gestoras de fundos, com 32,47% de participação.

Apesar da facilidade e do baixo custo do produto, aspectos que costumam ser propagandeados pelo mercado, os investidores individuais ainda não demonstraram muito interesse. Segundo o relatório da BM&FBovespa, somente 11,60% do volume financeiro negociado em ETFs saiu do bolso da pessoa física em junho. O número é ainda menor do que o percentual de participação das pessoas físicas na bolsa (14,91%). O formato dos ETFs permite um acesso democrático ao investimento em ações de forma diversificada, como mandam os manuais básicos de investimento. A barreira de entrada é baixa. Na última sexta-feira, com apenas R$ 546, era possível comprar o lote-padrão de 10 cotas do BOVA11, o ETF que segue o Índice Bovespa (Ibovespa) e que responde por mais de 92% desse mercado no Brasil.

A aplicação mínima precisa ser vista com cautela. “Para um investidor muito pequeno, o custo se torna proibitivo”, afirma Tatiana, da Itaú. Ela se refere à soma dos gastos com as taxas de administração, de custódia, de emolumentos e de corretagem. Quanto maior o aporte, menor o custo relativo para o investidor. Na corretora do Credit Suisse, especializada em investidores estrangeiros e institucionais, o custo total fica entre 0,80% e 1% ao ano. “Operamos com um spread [a taxa de corretagem] muito baixo. Nosso objetivo é dar liquidez para o mercado”, diz Mauro Oliveira, diretor da corretora do banco que, desde janeiro, opera como formador de mercado para os fundos da BlackRock. Já para o investidor pessoa física, o custo é bem maior. Em média, ele encontra um custo total entre 1,5% e 2% no mercado, dependendo da corretora e do ETF escolhidos.

Para os próximos meses, a expectativa é que o perfil do investidor em ETFs ganhe um incentivo extra para mudar pelo menos um pouco. O motivo é o início das negociações de mais um ETF referenciado ao Ibovespa sob a gestão da Caixa Econômica Federal, banco público que tem capilaridade grande e penetração forte junto aos investidores de menor porte. Ainda sem uma data de lançamento, o fundo será oferecido aos correntistas do banco. O desafio é grande, como explica Alexsandra Camelo Braga, diretora executiva de Ativos de Terceiros da Caixa. O primeiro passo será treinar os funcionários sobre o novo produto de nome gringo e formato híbrido. “Nossa expectativa é instruir cerca de 150 gerentes nas capitais e grandes centros até o lançamento”, afirma. Alguns serão formados como instrutores para poder disseminar o conhecimento para os colegas.

Como executivo da maior gestora de ETFs do mundo, Cavalheiro, da Blackrock, afirma que o produto tem tudo para atrair a pessoa física. Argumenta que a transparência da carteira de ações é maior que a de um fundo de investimentos – afinal, ela reproduz um índice de ações público – e o preço de compra ou venda das cotas é on-line. “O investidor não precisa esperar o fechamento da cota para saber exatamente quanto irá resgatar”, diz. Nos Estados Unidos, o investidor pessoa física detém 50% dos ETFs. No Brasil, o jeito é esperar para ver.

Mercado de ETFs ainda é concentrado na carteira do Ibovespa

O mercado brasileiro de fundos de índice negociados em bolsa se resume, na prática, a apenas um fundo. O BOVA11, que reproduz o Índice Bovespa (Ibovespa), responde hoje por 92,41% do volume médio negociado diariamente (veja a tabela). Em um distante segundo lugar, aparece o ECOO11, o ETF referenciado ao Índice de Carbono Eficiente (ICO2), com 3,53% do volume médio negociado no ano. O ECOO11 é o mais novo entre os 14 ETFs (Exchange Traded Funds) brasileiros. Lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e gerido pela americana BlackRock, foi listado no dia 8 de junho, depois de o banco prorrogar o prazo de sua oferta pública inicial e reforçar a sua publicidade.

A concentração do mercado no BOVA11 se deve a alguns fatores. O primeiro é o fato de o ETF ser uma aplicação financeira ainda muito nova. Nada mais natural, portanto, que o fundo ligado ao índice mais popular do mercado de ações tenha maior sucesso. “A indústria de investimentos no Brasil é muito concentrada no Ibovespa e no DI [Depósito Interfinanceiro]. A liquidez concentrada no BOVA11 reflete isso”, afirma Tatiana Grecco, superintendente de fundos indexados da Itaú Asset Management.

A preferência por fundos indexados a índices de maior notoriedade também é realidade em outros mercados. Nos Estados Unidos, o ETF mais negociado é o SPY. Ele segue o S&P 500, um dos mais importantes índices de empresas listadas na bolsa de Nova York. O fundo não é apenas o queridinho entre os investidores em ETFs. É também o ativo com a maior negociação no mercado americano entre todos os papéis disponíveis, segundo a “World Federation of Exchanges”.

Para Ricardo Cavalheiro, diretor da BlackRock, o investimento em produtos segmentados é naturalmente um segundo passo em qualquer mercado. Normalmente, o investidor começa investindo de forma ampla, como em um produto referenciado ao Ibovespa, para depois selecionar posições específicas, como os ETFs setoriais. “Combina uma estratégia núcleo com estratégias satélites”, afirma Cavalheiro.

A concentração dos investidores no BOVA11 também se explica nos portfólios montados pelos fundos e regimes previdenciários estaduais e municipais para cumprir as metas atuariais. “Com o cenário de redução de juros, esses gestores começam a procurar a renda variável. E o Ibovespa é o ‘benchmark’ preferido”, afirma Alexsandra Braga, diretora executiva de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal.

Essa preferência dos regimes previdenciários se deve a uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que permite a esses fundos somente a compra de ETFs baseados em índices amplos, como o Ibovespa. Ele será a referência do primeiro ETF da Caixa. A instituição venceu a disputa com o Itaú e com o Banco do Brasil, segundo fontes do mercado, e se prepara para apresentar, até o dia 20 deste mês, o projeto de seu novo produto para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Do portal Valor Econômico
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