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Espumante e lingerie para levar mulheres à bolsa | Instituto de Educação Financeira

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Espumante e lingerie para levar mulheres à bolsa

Sandra Regina: "A gente não pensa em rentabilidade, mas em guardar dinheiro"

Foi uma herança familiar que levou Helena Mil-homens, de 26 anos, à bolsa de valores. O pai e os dois irmãos montaram um clube para investir em ações. Helena, consultora em gastronomia, não entendeu bem o que era aquilo, mas aderiu. De repente, o tema investimentos começou a invadir as conversas na hora do almoço. Ela percebeu que precisava se inteirar do assunto. “Sempre fui conservadora, mas por ignorância”, confessa.

Helena foi uma das 43 mulheres que se sentiram atraídas pelo anúncio da corretora Um Investimentos de um curso de educação financeira voltado para o público feminino. O curso ocorreu em uma noite de quarta-feira e foi recheado de mimos. Espumante na entrada, sorteio de lingeries, cursos de maquiagem, tratamentos estéticos nos intervalos e rosa vermelha na saída. Tentativas de atrair um público que já invadiu o mercado de trabalho, mas ainda está longe de dominar a bolsa de valores.

As mulheres são hoje 45,23% da população ocupada segundo a última Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a fevereiro. Mas elas representam apenas 25,14% dos investidores na bolsa de valores, considerando o mesmo mês. Sua participação até cresce ano a ano, mas a passos de tartaruga. Há cinco anos, em 2007, elas eram 24,62% do total.

“Desde que me entendo por gente vejo homens investindo. Eles são instruídos por chefes e parentes sobre como fazer isso. Nunca vi uma mulher fazer isso”, afirma Sandra Regina Kasperavavincius, corretora de imóveis, de 55 anos, que não investe em ações. “Mas morro de curiosidade”, diz. O interesse cresceu desde que, na crise financeira de 2008, Sandra viu na TV uma cena em que asiáticas acompanhavam o movimento da bolsa. Foi o estímulo que faltava para ela se interessar por cursos do tema.

Sandra aplica suas reservas na poupança há 30 anos. Ela nunca comparou o rendimento da caderneta com o de outras opções de investimento. “A gente não pensa em rentabilidade, mas em guardar dinheiro para uma emergência ou para o lazer”, diz.

Conseguir poupar é a primeira batalha, explicou a professora do curso, a consultora da BM&FBovespa Tércia Rocha. “Nós levamos a fama de que consumimos muito, mas na verdade compramos para nós, para a casa e para a rede de amigos”, disse a consultora. Certa de que são as mulheres que tomam as decisões de gastos da maior parte dos lares, Tércia recomendou a eliminação do desperdício, o pagamento à vista, o pedido de desconto, a moderação na hora de comprar roupas e calçados e a elaboração de uma lista antes de ir ao supermercado.

Na hora de escolher o destino dos recursos, Tércia lembrou que existe um tripé: segurança, liquidez e rentabilidade. “Você não vai encontrar nada com o máximo em tudo”, disse. A consultora sugeriu que a poupança, queridinha dos brasileiros, seja usada para o dinheiro da emergência, como o valor da franquia do seguro do carro. “Você não vai realizar nenhum sonho na caderneta de poupança, mas vai resolver os problemas da família”, afirma.

Tércia recomendou ações para investimentos de médio e longo prazo. Nesse ponto as mulheres teriam um diferencial, segundo ela. “O homem se foca no curto prazo, nós não. Não sei se é pelos nove meses em que esperamos um filho, mas nós temos uma noção de prazo melhor”.

Para definir em que tipo de ações vai investir, cada mulher deve identificar se é conservadora, moderada ou arrojada, segundo Tércia. Para reduzir riscos, a ordem é diversificar a carteira. “Temos o hábito de guardar dinheiro na caderneta de poupança e de ouvir que o imóvel é um bom investimento há séculos. Quando se fala em ação, todo mundo dá um salto”, disse Tércia à plateia atenta.

“Até hoje não apliquei [na bolsa] pelo medo da instabilidade”, confirmou a estudante de administração Wanessa Sorato, de 23 anos, que dá preferência à renda fixa. Ela tem R$ 2 mil aplicados em Certificado de Depósito Bancário (CDB).

“As mulheres ainda são muito conservadoras”, afirma Thiago Audi, sócio da Um Investimentos, atribuindo essa atitude à preocupação com o sustento da casa. Mesmo diante do ritmo lento a que elas avançam na bolsa, Audi não perde o otimismo. “O que cresce devagar é sustentável”, afirma.

Do Portal Valor Econômico
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