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Equilibrar relacionamentos, saúde e finanças é o segredo para se chegar bem aos 60 anos”, receita professor de finanças comportamentais | Instituto de Educação Financeira

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Equilibrar relacionamentos, saúde e finanças é o segredo para se chegar bem aos 60 anos”, receita professor de finanças comportamentais

IMG_4967“Cuidar da saúde, da mente e dos relacionamentos é tão importante quanto cuidar do dinheiro na busca por uma aposentadoria feliz”. Quem faz a afirmação é Jurandir Macedo Sell, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e consultor de finanças pessoais do Itaú Unibanco.

Em entrevista concedida ao Portal Previdência Total, o professor revela que existem quatro fatores determinantes para se chegar bem aos 60 anos. “É fundamental cuidar de quatro capitais: o capital físico, que é o cuidado com o corpo e com a saúde, essenciais na garantia da longevidade saudável; o capital social, que nada mais é que a capacidade de criar e manter bons relacionamentos com família e amigos; o capital intelectual, representado pela capacidade de relacionamento com as mudanças do mundo ao nosso redor – sociais, nas regras de convívio e comportamentos das novas gerações e até tecnológicas, com a internet e toda a mobilidade possibilitada por celulares e outros aparelhos, incluindo os caixas eletrônicos dos bancos. E o capital financeiro, que é a capacidade de a pessoa viver bem com o que tem.”

Na entrevista, o professor avaliou, ainda, a importância de contratar um plano de previdência privada para complementar a aposentadoria, “sem jamais deixar de contribuir com a Previdência Social”, e aborda a importância da educação financeira, desde os primeiros anos de vida.

Confira a íntegra da entrevista:

Previdência Total – A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – 2012 revelou que 22% dos aposentados no país têm entre 40 e 49 anos de idade. Como o senhor avalia esse cenário?

Jurandir Macedo Sell - A situação é bem preocupante, na medida em que se percebe um aumento considerável de aposentadorias precoces. Esse grande número de jovens aposentados, que passam de contribuintes a beneficiários da Previdência Social, traz um cenário tenso para os cofres públicos.

Um sério agravante para a Previdência é o crescimento da expectativa de vida no país. Hoje, ela é de 71,3 anos para homens e de 78,5 para mulheres. Em 2041, deve alcançar 80 anos, para ambos os sexos. A projeção mostra que, com a continuidade das aposentadorias precoces, teremos pessoas se aposentando cada vez mais cedo e gozando do benefício da aposentadoria por período cada vez maior.

 

O fator previdenciário foi uma das alternativas criadas para equilibrar essas aposentadorias precoces. O senhor vislumbra outras alternativas na busca desse equilíbrio?

É preciso se pensar em alternativas ao sistema previdenciário. Uma opção poderia ser a criação de um mecanismo pelo qual o trabalhador se aposentasse aos poucos, mais vagarosamente, sem haver uma ruptura entre o “momento trabalho” e o “momento aposentadoria”. Por que não criar um processo em que, com o avançar da idade e do tempo de serviço, o trabalhador reduza lenta e progressivamente sua jornada de trabalho e seu salário, até culminar, então, na aposentadoria?

As pessoas poderiam, assim, se adaptar aos poucos à aposentadoria enquanto contribuem com seu conhecimento adquirido. Não raramente, acompanhamos na imprensa casos em que a pessoa se aposenta e, pouco tempo depoi,s sai em busca de reinserção no mercado de trabalho, por ainda se achar jovem para parar de trabalhar.

 

O aumento da expectativa de vida exige do trabalhador mudanças de comportamento, no que diz respeito ao planejamento da aposentadoria?

Com certeza. Não há mágica. Se viveremos mais, teremos de nos preocupar mais com o planejamento da aposentadoria. No decorrer dos anos, houve uma mudança na estrutura da família e na forma de se pensar a aposentadoria.

Antigamente, a expectativa de vida era mais baixa, poucas eram as pessoas que alcançavam idades avançadas. O costume era de guardar certo capital e, em caso de eventualidade, contar com o socorro da família. Os jovens tinham na possível herança, o seu porto seguro.

Agora, com o envelhecimento de mais integrantes da família, a demanda gerada é maior. O perfil atual da família exige um grande e importantíssimo equilíbrio financeiro. Quem pensa em cuidar do futuro do filho, precisa antes se preocupar com o seu próprio futuro. E o foco do jovem de hoje também deve mudar. Ele precisa pensar em seu futuro desde cedo, desde os primeiros anos de vida profissional.
Como o senhor avalia o comportamento/ planejamento atual do brasileiro rumo à aposentadoria?

O brasileiro se preocupa tardiamente com o planejamento da aposentadoria. O número de brasileiros que contribui com a Previdência Social ainda é muito baixo e, no que diz respeito à previdência privada, muita gente acha que, tendo menos de 50 anos, é muito cedo para se pensar nesse tipo de investimento. Só que, ao chegar aos 40 anos, ele passa a refletir melhor, se arrepende do tempo não contribuído e vê que já passou da hora de planejar a aposentadoria.

Em geral, a visão que o brasileiro ainda tem é a de que o governo tem a obrigação de garantir o nosso futuro, mesmo sabendo que isso dificilmente acontecerá. Quem dita o dia de amanhã devemos ser nós. E, para isso acontecer de maneira saudável, o planejamento é essencial. Quanto mais cedo ele começar, menos oneroso e mais simples será alcançar uma aposentadoria tranquila.

 

Qual é a importância de se fazer um plano de previdência privada em conjunto com a Previdência Social e desde quando o brasileiro deve pensar nisso?

A resposta está no interesse de cada trabalhador. O teto máximo do INSS hoje é de R$ 4.159,00. Poucos, porém, conseguem alcançar esse valor. De acordo com o Ministério da Previdência, dos 17 milhões de aposentados, somente 220 mil recebem essa faixa de benefício. Grande parte dos contribuintes tira, em média, R$ 2 mil/mês. A pergunta que todos devem se fazer é se esse valor é o ideal. A resposta definirá a importância de se fazer um plano de previdência privada para complementar a renda.

É importante, porém, fazer duas ressalvas. A primeira é que o INSS deve ser pago sempre, desde o primeiro dia de trabalho, antes de qualquer plano privado. Não se deve abrir mão dessa contribuição e do futuro benefício.

A segunda ressalva é o cuidado que se deve tomar na escolha do plano de previdência privada. A pessoa que realiza esse tipo de investimento está, na verdade, nomeando um gestor que vai cuidar de seu dinheiro. É preciso acompanhar onde a instituição escolhida aplica os recursos; monitorar o rendimento. O cliente deve saber que não basta pagar mensalmente. Tem que tomar ciência daquilo que está sendo feito com o dinheiro. Essa vigilância faz enorme diferença lá na frente, no momento de retirar o rendimento. O pensamento a ser seguido é: “ou você ou o seu dinheiro vão ter que trabalhar enquanto você existir”.

 

O senhor acha que falta nas escolas e universidades uma disciplina de educação financeira?

As mudanças constantes na economia também deram dinamismo ao processo de educação financeira. Hoje, uma criança de seis ou sete anos já tem noções sobre dinheiro. Pais costumam dar semanadas ou mesadas para seus filhos e os eles aprendem que, para comprar algo que se queira, é preciso administrar os ganhos. Isso é educação financeira.

E a responsabilidade de ensiná-la não cabe somente às escolas e universidades. Deve começar cedo, em casa, e ser aprofundada, acompanhando o desenvolvimento da pessoa. Esse aprofundamento deve seguir vindo do lar, em conjunto com as escolas, universidades e governo.

 

Existe algum segredo para a aposentadoria tranquila? Qual o momento ideal para se aposentar?

Em um trabalho que desenvolvi com dois executivos do Itaú Unibanco, Martin Iglesias e Denise Hills, traçamos os fatores determinantes para se chegar bem aos 60 anos.

Mostramos que é fundamental cuidar de quatro capitais: o capital físico, que é o cuidado com o corpo e com a saúde, essenciais na garantia da longevidade saudável; o capital social, que nada mais é que a capacidade de criar e manter bons relacionamentos com família e amigos; o capital intelectual, representado pela capacidade de relacionamento com as mudanças do mundo ao nosso redor – sociais, nas regras de convívio e comportamentos das novas gerações e até tecnológicas, com a internet e toda a mobilidade possibilitada por celulares e outros aparelhos, incluindo os caixas eletrônicos dos bancos. E o capital financeiro, que é a capacidade de a pessoa viver bem com o que tem.

A boa velhice é alcançada quando se consegue o equilíbrio desses capitais. Para alcançá-los, há que se considerar três importantes influências: o que já recebemos pronto de nossos pais, a sorte ou acaso, também chamado de destino para quem acredita, e a forma como nos comportamos perante as outras duas influências. É o modo como enfrentamos os desafios e oportunidades que a vida nos apresenta e que vai nos dirigir ao que somos e no que seremos (ou não) na velhice.

Agora, tão importante quanto alcançar tais capitais para se chegar bem aos 60 anos é mantê-los constantemente.

Entrevista publicada no site da Previdência Total
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