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Educação financeira em casa e na escola | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Finanças Pessoais

Educação financeira em casa e na escola

Por Celina Macedo

Saber respeitar limites, esperar, suportar, ter seus desejos frustrados, fazer trocas e planejar é ter educação financeira. Assim, o sucesso da educação financeira está diretamente ligado à educação que os pais dão aos filhos.

Estabelecer limites é uma das tarefas mais difíceis do processo de educação.  Só reconhece e valoriza um “sim” quem já recebeu um “não”. Pais que não sabem dizer “não” aos filhos nunca vão, de fato, educá-los. E se a educação não vem de casa, só resta uma alternativa – a educação muito mais dura imposta pela sociedade.

Educar é uma forma de preparar o indivíduo para a vida autônoma. Mas esse sentido é muitas vezes deturpado por pais superprotetores que deixam de lado os próprios desejos para atender às vontades dos filhos. Esse comportamento é consequência, muitas vezes, do sentimento de culpa que os adultos têm por não poderem estar presentes no dia a dia dos filhos e, pelo mesmo motivo, tentam compensar a ausência com bens materiais.

Ensinar o filho a enfrentar as dificuldades através desses agrados é o primeiro passo para torná-lo um futuro consumista e endividado. O que a criança e o adolescente aprendem dessas situações é que para todo sofrimento existe uma recompensa material. Com a orientação dos pais, as crianças e os adolescentes podem aprender a restringir certas vontades, a trocar uma coisa por outra, a aceitar que existe momento certo para cada atividade.

E o exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais só serão referências para a educação financeira se eles usarem o dinheiro de forma consciente, fizerem pesquisa de preço, comprarem à vista, pedirem descontos, tiverem controle de suas finanças, souberem quanto têm e o quanto podem gastar, investir e poupar. Ou seja, se eles cuidarem das próprias finanças.

Muitos pais dizem para os filhos não gastarem, mas chegam do shopping com um monte de sacolas nas mãos. Na educação dos filhos, em especial na educação financeira, não vale o ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Para evitar o consumo desenfreado, estabeleça regras válidas para todos em casa. Definir datas para ganhar presentes pode ser uma delas. O que for combinado e planejado não sai caro e cria a disciplina necessária para lidar com o dinheiro de forma saudável.

Portanto, boa parte das razões que levam um adulto a se tornar um consumista e a se endividar está na infância ou na juventude, quando em vez de receber limites em casa ele, ao contrário, foi criado com muitas facilidades. Crianças e jovens que não aprenderam a lidar com frustrações viram adultos tiranos, sem rédeas de suas vidas, nem de suas finanças. Afinal de contas foram criados como “o centro do universo”.

Quando os pais não conseguem passar esses ensinamentos aos filhos esse problema passa a ser da sociedade. Para um país crescer é fundamental que as pessoas poupem para poder investir. Além disso, vivemos cada vez mais, o que torna fundamental a preparação para a aposentadoria. Portanto, se os pais não estão dando educação financeira adequada aos filhos, esse espaço precisa ser ocupado por outros agentes sociais, como, por exemplo, os professores. Essa ideia vai ao encontro da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) que indica incluir aulas de educação financeira no currículo básico das escolas públicas.

Incluir educação financeira de forma obrigatória nas escolas tem alto risco. Como os professores poderão ajudar os alunos a terem educação financeira se muitos não a receberam?

Partindo do pressuposto de que ninguém pode dar o que não tem, a primeira preocupação da escola deve ser com a formação/capacitação dos professores em educação financeira para que eles melhorem a gestão financeira  pessoal e  tenham condições de levar a educação financeira aos alunos.  E não basta conhecer números e preços. Educação financeira é muito mais do que falar de dinheiro, é falar sobre projeto de vida, que inclui o financeiro. Afinal, precisar de dinheiro para viver é diferente de viver para ganhar dinheiro. Dinheiro é meio, não fim.

Portanto, somente depois que o professor tiver o conhecimento de grandes temas, como comportamento humano (valores culturais e perfis psicológicos), dinheiro, poupança, consumo, renda, planejamento financeiro, organização financeira, aplicações financeiras, investimentos, endividamento, crédito, ética e cidadania e previdência social e privada é que estará apto para lecionar educação financeira.

O programa de educação financeira pode ser estruturado de duas formas: disciplina optativa ou abordagem transversal. A disciplina optativa de educação financeira pode ser dada em horário contrário das aulas, uma vez por semana, para alunos interessados e por professores especializados. Nessa estrutura, a disciplina é oferecida através do desenvolvimento de uma sequência lógica, proporcionando um aprendizado consistente e vinculado aos objetivos delineados. São utilizadas reflexões de práticas e teorias sobre o tema. Ou seja, de um lado os alunos aprendem teorias através de jogos, literatura, reflexões, de outro, através de seminários de análise de casos de finanças de pessoas reais. Portanto, nessa estrutura, o professor acompanha de forma muito próxima o desenvolvimento do aluno.

Na abordagem transversal há a possibilidade de envolvimento de mais professores ensinando o mesmo tema por diferentes áreas. Para o conhecimento acontecer é preciso ter reuniões entre os professores envolvidos para haver uma organização no desenvolvimento do programa. Por isso é fundamental ter um coordenador dos projetos e das atividades, que também devem ser teóricas, práticas e lúdicas.

Em ambas as estruturas, os temas deverão ser adequados aos diferentes níveis de ensino, proporcionando um aprendizado consistente e vinculado aos objetivos delineados para cada série/ano.

Por fim, aos professores que abraçarem o desafio de lecionar educação financeira, afirmo que o principal motivo para oferecer essa disciplina em escolas é disseminar informação financeira para crianças e adolescentes que um dia saberão transformar os seus sonhos em metas. Definidas as metas, o planejamento será como um mapa para atingir o sucesso – que nada mais é do que alcançar as metas traçadas.

Assim, ensinar educação financeira é possibilitar que as pessoas gerenciem o seu dinheiro com o objetivo de atingir a satisfação pessoal, profissional e financeira no decorrer da vida.

Da Revista Carta Capital
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1 comentário to “Educação financeira em casa e na escola”

  1. Artigo muito bom, tanto pelo conteúdo quanto pelo ótimo português! Parabéns!

    Espero que as escolas realmente capacitem seus professores para passarem bem aos alunos mais essa disciplina tão importante, que é a educação financeira!

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