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Economia doméstica aproxima aluna da matemática | Instituto de Educação Financeira

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Economia doméstica aproxima aluna da matemática

Quantas vezes na vida alguém terá a chance de utilizar a Fórmula de Bháskara para a resolução de uma equação de segundo grau completa? Apesar de aprender e executá-la na escola, para a maioria das pessoas, as possibilidades de aplicação desse aprendizado são raras, como muitos outros conteúdos estudados durante a infância e adolescência. A distância entre o mundo escolar e a realidade é o que provoca, muitas vezes, o desinteresse dos alunos. Entretanto, esse problema dificilmente acontece com a educação financeira. Devido a sua utilidade prática desde as primeiras aulas, o tema costuma empolgar estudantes de diferentes idades e muitos professores até se surpreendem com a rapidez com que esse trabalho gera resultados.

O interesse não vem apenas dos adolescentes; os pequenos também ficam fascinados com o universo do dinheiro. “O meu filho, apenas com 7 anos de idade, compreendeu que é preciso ter planejamento para realizar sonhos”, diz Isabel dos Santos, mãe de Eliezer, aluno da professora Silvia Helena Quintino Silveira, da Escola Municipal de Educação Básica Professor Florestan Fernandes, em Franca, interior de São Paulo. A educadora começou no ano passado, junto com a professora Sueli Helena Aparecida Menezes Rodrigues, a desenvolver um projeto mais amplo para ensinar o tema sistema monetário para os estudantes do primeiro ano do ensino fundamental. A proposta ganhou o nome de “Projeto Cofrinho: Uma coleção que realiza sonhos”. Segundo Silvia, o objetivo do trabalho é ensinar mais do que os valores das moedas. Durante todo o projeto, que está tendo continuidade esse ano, os alunos aprendem de maneira prática dicas de economia, exercícios de raciocínio lógico, relações de troca, entre outros assuntos que são compartilhados com os pais. Além disso, duas vezes por semana, as crianças levam moedas, de qualquer valor, para colocar no cofrinho da classe. Ao final do trabalho, os alunos escolhem por meio de votação qual “sonho” coletivo desejam realizar. Em 2010, o projeto foi tão próspero que rendeu uma ida a um rodízio de pizza para as crianças, com ônibus contratado também com os recursos arrecadados para levá-las ao local, além de um café da manhã “cinco estrelas” para os pais, com direito à mesa decorada e fotógrafo para registrar o momento, em agradecimento à participação com as moedas. A professora Silvia ficou surpresa com o entusiasmo dos alunos e com a mudança de comportamento relatada pelos pais, como não querer gastar à toa. “A educação financeira é importante para a criança aprender a não comprar tudo o que vê, a usar controladamente o dinheiro, pois só assim vai conseguir realizar sonhos na vida”, ressalta a educadora.

Para dar suporte ao projeto, também é utilizado o livro O Menino do Dinheiro, de Reinaldo Domingos, do Instituto DSOP de Educação Financeira. Em cada aula, um capítulo é lido e interpretado. Segundo Silvia Quintino, o material contribui para o envolvimento dos estudantes e para o aprendizado de conceitos como orçar, poupar e planejar de forma lúdica. Mesmo depois do fim do trabalho em 2010, os alunos continuaram a aplicar o que aprenderam, só que dessa vez cada um com seu próprio cofrinho de economias. “Todas as nossas expectativas foram surpreendidas pela dimensão que o projeto tomou. (…) As crianças demonstraram a compreensão, além do uso adequado do sistema monetário, do valor do dinheiro”, relata, também entusiasmada.

Ensino médio

Os resultados são ainda mais imediatos no ensino médio, pois muitas vezes os alunos já trabalham e têm a necessidade real de administrar sua própria renda. No Centro de Ensino Médio Castro Alves, em Palmas (TO), uma das escolas participantes do projeto piloto da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) nas escolas – mantido por órgãos governamentais e instituições privadas ligadas ao setor financeiro, sob coordenação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) –, as aulas são ministradas de forma interdisciplinar e rapidamente passam para a prática. O professor de Matemática Klauber Oliveira de Lima, um dos responsáveis pelo programa, afirma que busca sempre aproximar os conteúdos do cotidiano dos estudantes. “Ao invés de ficarmos só nos livros, trouxemos os temas para a realidade do dia a dia de cada um”, comenta o docente que já desenvolvia outra proposta de educação financeira (chamada Projeto Família) antes de a escola ser incluída na ENEF.

Na escola de Palmas, existe um acompanhamento do orçamento doméstico dos estudantes por meio de diferentes planilhas, que controlam todas as receitas e despesas familiares, do pagamento de impostos às compras de supermercado. Além disso, o educador orienta os alunos a manterem um “diário de bolso”, ou seja, uma caderneta ou folha de papel com a descrição de todos os pequenos gastos realizados durante o dia, que serão contabilizados posteriormente nas planilhas. Depois da coleta dos dados, os alunos analisam os números e buscam soluções em conjunto para os problemas encontrados. Uma das conclusões obtidas nessas verificações foi a de que, de forma geral, as famílias de classe média alta desperdiçam menos do que as mais pobres. O objetivo com o aprendizado não é ficar apenas nos cálculos, mas utilizá-los como base para refletir sobre o modo de vida, questões como consumo consciente, desejos versus necessidades, planejamento, opções de poupança e investimentos, além de promover mudanças, como reduzir o desperdício.

Durante as aulas, os jovens do Centro de Ensino Médio Castro Alves também aprendem como poupar para fazer o dinheiro render mais. O professor Klauber de Lima sempre recomenda aos alunos economizarem 30% da renda mensal. O estudante do terceiro ano Dinime Bergsten da Silva, de 17 anos, aprendeu bem a lição. Ele tem no banco uma conta corrente e outra poupança e, sempre que consegue, guarda R$ 150 do salário mínimo que recebe como auxiliar administrativo. A meta dele é juntar dinheiro para comprar uma moto assim que tiver idade para tirar a habilitação. A princípio, o educando não estava no grupo que faria parte do programa da ENEF, mas pediu para mudar de turma para ser incluído no projeto, por causa do grande interesse que o tema lhe despertou. “Aprendi a controlar mais o meu orçamento. E quando comecei o curso também ajudei a abrir a mente da minha família. Se a gente não economizar, não vai conseguir coisas no futuro”, conta Bergsten sobre o que mudou depois de iniciar o curso. Klauber de Lima ressalta que o bom impacto dos novos conhecimentos dos estudantes nas famílias é um dos grandes ganhos do programa de educação financeira. “Existe mais aproximação dos pais com os filhos, uma maior conscientização sobre os gastos da casa. Os alunos passam a ter outra visão”, afirma o professor.

O aluno do terceiro ano vai ainda mais longe na conversa sobre o que aprendeu até agora, e discorre sobre a importância de se pagar corretamente as taxas tributárias, que, segundo ele, trarão benefícios principalmente para a população carente, mas diz também que é preciso cobrar do governo o que está sendo feito com os tributos arrecadados. “É importante saber para onde está indo o meu dinheiro”, diz, com jeito de quem realmente aproveitou o conteúdo das aulas de educação financeira.

Na forma de disciplina

Diferentemente do programa da ENEF, que prevê o ensino interdisciplinar da educação financeira, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis (SC), mantém desde o início do ano passado uma disciplina optativa de educação financeira para os alunos do ensino médio. Para a professora Celina Macedo, que ministra a matéria, doutora em Psicolinguística e Psicologia Cognitiva, com pós-doutorado na área de percepções do dinheiro, é importante que esse conteúdo não seja obrigatório, mas que os alunos queiram buscar esse conhecimento. E para que a disciplina seja incorporada ao currículo regular de todas as escolas, um as¬pecto relevante, segundo Celina, é que faltam educadores preparados no ensi¬no da educação financeira.

Na opinião da professora da UFSC, uma das vantagens de oferecer o tema na forma de uma disciplina é a chance de fixar melhor o conhecimento. “É como ensinar uma criança pequena a escovar os dentes, tem que ficar repetindo”, compara a educadora. Celina explica que o programa realizado no Colégio de Aplicação aborda a educação financeira de uma forma ampla, considerando a maneira como cada aluno se relaciona com o dinheiro, as experiências vivenciadas em casa e os projetos futuros. “Ensinamos primeiramente como os alunos devem planejar suas vidas porque o planejamento financeiro está ligado diretamente ao plano de vida”, exemplifica. Na sequência, vêm as discussões sobre os desejos, as escolhas realizáveis, o planejamento dos objetivos a serem alcançados e o aprendizado de conceitos menos subjetivos, como tipos de investimentos e planos de previdência. A professora também ressalta que a finalidade da educação financeira é favorecer o equilíbrio na relação com dinheiro, o que nem sempre significa ensinar apenas a economizar. “Também ensinamos a gastar, a perceber que o dinheiro é um instrumento que serve para a busca do prazer, para atender às nossas necessidades”, explica.

O interesse dos alunos do Colégio de Aplicação pela educação financeira, segundo a professora, foi aumentando no decorrer das aulas, pois no início eles não sabiam exatamente o que iriam estudar. Agora, nas palavras da educadora, os estudantes estão “super empolgados”, porque o curso os ajuda até na escolha da carreira, a fazer planos, contribuindo para o processo de amadurecimento dos jovens. Além disso, assim como acontece com outras experiências no Brasil, depois das aulas, os alunos passaram a conversar mais sobre dinheiro com os pais, comportamento também observado nos resultados preliminares da pesquisa sobre o impacto do ensino da educação financeira a partir do projeto da ENEF.

Do Portal Bem Paraná
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