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Disciplina, estudo e informação: conselhos de um investidor de sucesso | Instituto de Educação Financeira

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Disciplina, estudo e informação: conselhos de um investidor de sucesso

por Emília Chagas e Letícia Teston.

A instável economia brasileira, com o surto inflacionário da década de 1980, foi um incentivo para muitos investidores entrarem no mercado de ações. E o motivo era bastante simples: a insatisfação em perder parte do que era aplicado em fundos mais tradicionais era maior do que o risco que esse tipo de investimento poderia representar.

Foi por essa razão que o pernambucano Samuel Emery dicidiu atuar na bolsa de valores. O médico e ex-militar, acostumado desde a infância a uma rotina rígida de estudos, adotou essa disciplina também como investidor – passou a estudar administração, economia e a ler jornais. Hoje Emery é um case de sucesso no mercado financeiro e está entre os brasileiros que mais ganhou dinheiro no mercado de capitais. Segundo ele, para ser um acionista bem sucedido é primordial entender como o mercado funciona.

E não era uma tarefa simples decifrar a economia desse período, que ficou conhecido como “a década perdida”. O novo aumento no barril de petróleo, em 1979, elevou a inflação mundial e os Estados Unidos aumentaram a taxa de juros para tentar frear o consumo. Como consequência, a dívida externa e a inflação brasileiras cresciam ainda mais. Passamos a pagar, em dólar, pelo déficit nos cofres públicos – herança de uma política desenvolvimentista adotada pelos militares nos anos anteriores.

Com as constantes crises econômicas e com a moeda fraca e instável, era difícil aumentar o patrimônio da classe média do país. O cruzeiro perdia valor semanalmente e os investidores precisavam fazer verdadeiros malabarismos para driblar as adversidades.

As histórias e os segredos dos mais de 30 anos de sucesso de Samuel Emery, vividos durante esse conturbado período, foram apresentados por Geraldo Soares no livro Casos de Sucesso no Mercado Financeiro. Em entrevista ao blog, Emery contou um pouco sobre essa trajetória.

IEF – O senhor começou pela teoria para depois ir para a parte prática. O caminho inverso do que a maioria faz…

Samuel Emery – Sim. Como médico, eu tinha dedicação exclusiva ao trabalho, não sabia nem o que era um balanço, o que era um ativo, um passivo, não tinha nenhuma noção. Comecei a me informar, lia todos os jornais, até mesmo pra começar a entender o que era a inflação. Fui me envolvendo cada vez mais e hoje eu parei com a medicina, tenho uma empresa de gestão na área do mercado de ações e me dedico apenas à bolsa de valores.

IEF – Por que o senhor entrou no mercado acionário?

SE – Na década de 1980, eu tinha um dinheiro emprestado da cooperativa do Banco do Brasil e acreditava que, por ser pública, ela não pudesse falir. Mas ela faliu. Eu atuava ainda como médico e investia apenas na caderneta de poupança e o ministro da Fazenda na época, Delfim Neto, determinou que a correção monetária da poupança corresponderia a 50% da inflação, que nessa época estava em torno de 86% – a correção chegou aos 43%. Percebi que não poderia aplicar meu dinheiro ou perderia cerca de 50% do valor. Fui então procurar uma corretora e me informar como funcionava o mercado de ações. Como não sabia nada sobre o mercado financeiro, passei a estudar contabilidade, administração e comecei a ter uma base para começar a atuar. Pesquisava muito sobre o assunto e faço isso até hoje.

IEF – O senhor levou essa disciplina da medicina e da carreira militar para o mercado financeiro?

SE – Sempre estudei muito, essa é uma característica que carrego desde o seminário, onde estudava nove horas a fio. Sou disciplinado, mas isso não significa que eu seja quadrado.  Ao contrário, fui até muito arrojado em meus investimentos, apostei em empresas que ninguém conhecia. Algumas vezes eu errei, mas, no geral, obtive bons resultados.

IEF – E qual foi a principal lição que o senhor aprendeu?

SE- A mais importante delas foi aprender a diversificar. Eu sou muito eclético, por natureza e por filosofia, tenho uma gama ampla de diversificação. Leio muito sobre todas as empresas, todos os relatórios a que tenho acesso. Hoje nem tanto, até porque, de uns tempos pra cá, muitas empresas entraram no mercado.

IEF – Em termos de estratégia o seu foco é a diversificação?

SE – Depende muito da época. Quando eu comecei, a estratégia era descobrir empresas que teriam um resultado bom e comprar suas ações antes do mercado descobri-las. Quando o balanço saía, eu vendia. Desde a implantação do Plano Real, meu foco são os dividendos. Eu tenho empresas de crescimento, mas foco fundamentalmente em empresas de dividendo. Dou muito valor ao fluxo de caixa. Com o dividendo das ações, posso gerar novas compras.

IEF – Em algum setor específico?

SE – Não, eu diversifico em todos os setores até porque essa é uma das qualidades do mercado financeiro: poder diversificar. Por melhor que seja a empresa não se deve apostar todas as fichas nela, mesmo porque essa empresa pode passar por um momento ruim – é o que ocorreu com a Petrobras quando sua maior plataforma afundou. É importante investir no maior número de setores possível – financeiro, elétrico, civil, de telecomunicações.

IEF – Sendo investidor desde a década de 1980, o senhor passou por muitas crises no mercado financeiro. Qual foi a sua postura diante delas?

SE – Quando tinha dinheiro, eu comprava. É durante as crises, como a de 2008 que se estende até hoje, que temos a oportunidade de comprar ações de ótimas empresas por um preço excelente. Por exemplo, Bradesco, Itaú, Petrobras, Vale – as ações dessas empresas caíram sensivelmente. Em função também da nossa legislação, não sofremos como o resto do mundo sofreu com essa crise e tivemos a oportunidade de nos tornarmos sócios dessas empresas.

IEF – Mas em um momento de crise é preciso saber onde investir e que ações comprar. Como o senhor define essas compras?

SE – É aí que entra a importância da informação. Pra entender como o mercado funciona, você precisa estar atento. Por exemplo, eu era comprador do setor têxtil, e percebi que as importações, principalmente vindas da China, estavam aumentando, o setor não ia sobreviver se não fosse protegido e o governo não dava sinais de que faria isso. Então, eu abandonei os investimentos nesse setor porque a gente deve focar naquilo que o país tem como diferencial de competitividade em relação ao concorrente. É o caso do setor mineral, do setor agrícola, do financeiro.

IEF – As relações comerciais entre o Brasil e a China vêm crescendo, não apenas no setor têxtil. Em quais setores o investidor deve estar atento?

SE – A China está entrando no setor de máquinas com um preço 30% a 40% mais barato do que é produzido aqui. Esse é só um exemplo. O investidor precisa ter essa percepção antes do fato ocorrer, mesmo que hoje esteja ganhando bem investindo em determinado setor, saber como o mercado vai estar daqui alguns anos é importante.

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1 comentário to “Disciplina, estudo e informação: conselhos de um investidor de sucesso”

  1. Muito inteligente, sou fã desse cara, agradecemos por ter um profissional desses aqui em recife

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