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Deu errado! E agora? | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais

Deu errado! E agora?

No segundo semestre do ano passado, o engenheiro e empresário Luiz Sanchez, de 45 anos, um investidor na bolsa de valores nascido em Itu, no interior de São Paulo, considerou que as ações da Telemar já haviam subido suficientemente. Eram negociadas a cerca de 30 reais o lote de 1 000 e tenderiam a cair. Confiante em sua análise, Sanchez vendeu opções de compra da ação a 1 real. Se o preço baixasse como previa, seu lucro seria considerável. Alguns dias depois, porém, as ações iniciaram movimento contrário ao que imaginava. Sanchez não se assustou com a possibilidade de prejuízo e persistiu em sua posição na ponta oposta à do mercado. Finalmente, passados longos três meses e meio de acompanhamento diário, ele reconheceu seu erro de avaliação. Para evitar sangria maior, comprou as mesmas opções a 5 reais, desfazendo a operação inicial. O total do prejuízo, medido em milhares de reais, não é revelado por Sanchez. “Não gosto nem de lembrar”, diz. “Era minha principal posição na época e perdi um dinheirão.”

O erro cometido por Sanchez é mais comum do que se pensa. Na tentativa de escapar de um prejuízo, os investidores costumam insistir numa posição perdedora até não agüentarem mais — e terem de reconhecer a derrota numa escala piorada. “Os investidores ficam valentes diante da perda”, diz Jurandir Sell Macedo, professor do Departamento de Contabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina. “Querem evitar ao máximo sentirem-se culpados pelas falhas.”

O professor Macedo, engenheiro e administrador de empresas em sua formação original, acaba de completar doutorado em finanças comportamentais, um campo de pesquisas desbravado por Daniel Kahneman, psicólogo americano nascido em Israel e ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2002. Segundo essa corrente, os investidores estão longe de ser totalmente racionais na hora de aplicar seu dinheiro. Ao contrário, alguns desvios de comportamento nos levam a cometer erros sistematicamente, que resultam em prejuízos, como aconteceu com o ituano Sanchez. Os novos estudos acenam com a possibilidade de minimizar as perdas com armadilhas financeiras. “O objetivo é chegar a resultados simples que os pequenos investidores possam utilizar”, diz Macedo.

Por enquanto, Macedo relaciona algumas tendências que levam quase certamente a prejuízos financeiros. A partir daí, dá alguns conselhos para evitá-las (veja quadro ao lado). A receita mistura emoções presentes na história humana desde seus primórdios, como medo, ganância, dificuldade para assumir a culpa e excesso de confiança. A persistência no erro exibida por Sanchez, por exemplo, é o outro lado da moeda do impulso que faz os aplicadores vender rápido demais suas posições vencedoras. “Os investidores sentem-se inteligentes apurando lucros, mesmo que uma análise indicasse potencial de ganhos maiores”, diz Macedo. Um jeito de diminuir esse tipo de interferência emocional nos investimentos é estabelecer metas de ganho e, ao mesmo tempo, limites de perda. “É preciso planejar antes de investir”, diz o professor.

Um investimento que costuma dar muita dor de cabeça — e, novamente, prejuízo — por causa da falta de planejamento é o imobiliário. A queda da taxa de juro tem levantado o interesse de aplicação nesse ativo, que normalmente requer a ajuda de profissionais em razão dos valores envolvidos e da conhecida falta de liquidez do mercado. “Os investidores costumam não fazer as contas da taxa de retorno e dos custos de transação”, diz Ricardo Moraes Filho, diretor da corretora Spirit, de Curitiba.

O resultado de uma operação imobiliária mal planejada está sendo vivido pelo engenheiro paulistano Denis Marum, de 41 anos, diretor de uma das grandes concessionárias de automóveis GM da cidade de São Paulo. Há seis meses ele tenta vender um imóvel de lazer construído às margens da represa de Igaratá, no interior do estado, mas não consegue. A casa tem 540 metros quadrados e fica dentro de um condomínio fechado. O problema é que Marum afirma ter gasto 1 500 reais por metro quadrado na construção, pronta há dois anos e meio. Agora que ele identificou novas oportunidades de investimento e precisa do dinheiro, não acha comprador nem por 1 000 reais o metro quadrado. “Meu erro foi gastar demais na construção”, diz Marum. “Ninguém quer pagar por acabamento de primeira no campo ou na praia.”

Evitar o domínio da emoção e aguçar a racionalidade na hora de investir será fundamental num mercado que se sofistica. “Na bolsa, é preciso enfrentar os altos e baixos sem alternar os sentimentos de ganância e medo”, diz Mauro Halfeld, professor de finanças da Universidade Federal do Paraná. Mesmo em outros mercados, como os de imóveis, de dólar e de renda fixa, o investidor terá de dar tacadas mais certeiras para obter retornos maiores. “O tempo de entrada e saída de cada investimento é cada vez mais importante”, diz Paulo Colaferro, responsável pela área de planejamento financeiro da Mony Consultoria, de São Paulo. “Por isso é prudente contar com um profissional a seu lado.” Faz sentido. Afinal, o importante é que a emoção sobreviva — também seu dinheiro.

Do Portal Exame
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