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Da bolsa ao mundo dos negócios em dez anos | Instituto de Educação Financeira

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Da bolsa ao mundo dos negócios em dez anos

Na esteira do vaivém do mercado de ações, que acabou afastando o investidor individual da bolsa, a Expo Money teve de se reinventar. No ano em que comemora o décimo aniversário, a feira – que começou com o objetivo de aproximar empresas de capital aberto e pessoas interessadas em investir em ações – inova trazendo palestras sobre carreira e empreendedorismo.

Com os juros básicos no menor nível da história, mudanças nas regras da poupança, bolsa para baixo e contínua fuga de pessoa física, o evento teve de diversificar seu conteúdo para atender as necessidades de um público que mudou, conta o diretor da Expo Money, Luis Abdal. Os novos temas a serem tratados na edição deste ano, que acontece dos dias 20 a 22 de setembro no Transamérica Expo Center, na cidade de São Paulo, foram indicados pelo próprio público, em pesquisa realizada no evento do ano passado.

A discussão sobre carreiras, a ser liderada pelo consultor Max Gerihnger, vem para atender uma demanda de jovens interessados em saber como investir no próprio crescimento profissional, exemplifica o diretor. A feira contará ainda com um espaço temático sobre franquias. A ideia, continua Abdal, é atrair tanto pessoas que buscam informações sobre como abrir um negócio quanto empresários que querem expandir suas atividades. A consultoria ficará a cargo da Global Franchise, que vai explicar o funcionamento das redes de franquias, as vantagens e os desafios desse modelo de empreendedorismo.

O engenheiro químico Aires Iacovone, 59 anos, é um investidor de bolsa que hoje tem um interesse especial pelo empreendedorismo. “Estou formando patrimônio no mercado financeiro investindo em ideias de outros para juntar capital suficiente para investir no meu próprio negócio”, afirma.

Para ele, o atual ambiente macroeconômico, com taxa de juros na mínima histórica, é um estímulo ao investimento produtivo. “O empresário tem mais risco, mas sua margem também é maior”, argumenta. Nos planos de Iacovone, que hoje trabalha em uma multinacional como consultor de pesquisa e desenvolvimento, está investir em um negócio no setor agrícola.

Enquanto esse dia não chega, seu patrimônio continua aplicado no mercado financeiro. Dos recursos totais, cerca de 25% estão na bolsa de valores, sobre a qual ouviu falar pela primeira vez aos 16 anos. Foi em uma conversa com o pai de um amigo, que contou ter comprado sua casa com dinheiro que havia ganho com ações. Iacovone chegou a testar o mercado acionário na ocasião, mas o investimento em ações de fato veio bem mais tarde, quando ele já trabalhava.

Em busca de informações, ele esteve na primeira edição da Expo Money, da qual diz ter saído “deslumbrado”. “Como você não conhece nada, acaba acreditando em tudo o que ouve”, lembra. Mas foi lá que começou a aprofundar seu conhecimento sobre o mercado e escolheu a corretora com a qual opera até hoje. Segundo ele, ter informação e adquirir cultura financeira são fundamentais para identificar boas oportunidades de investimento. Tanto que sua estratégia na bolsa mudou ao longo do tempo.

No início, Iacovone girava muito mais sua carteira, comprando e vendendo ações até o limite de R$ 20 mil por mês para ter isenção de Imposto de Renda (IR) sobre o ganho de capital. “Olhava a cotação todo dia e quando via que estava ganhando 1% a 2% em uma semana, dinheiro que levaria mais de mês para acumular num banco, realizava o lucro”, conta. Com a vivência, passou a mirar um horizonte maior de tempo e buscar ações com boas perspectivas de distribuição de dividendos e valorização no longo prazo.

Depois de todos esses anos, ele diz ter percebido que investir na bolsa é um “exercício de fé”, já que, quando vem uma turbulência, as ações caem independentemente de a empresa estar bem e ter um desempenho sólido. “Na crise, parei de acompanhar o mercado para não me desesperar, e também não coloquei mais dinheiro”, ressalta. Ainda assim, Iacovone considera positivo o saldo de todos esses investindo na bolsa, com a obtenção de ganhos acima da inflação – ele estreou no mercado acionário, diga-se de passagem, quando o Índice Bovespa estava na casa dos 12 mil pontos.

No universo da renda fixa, o investidor tem aplicações na velha caderneta de poupança, em fundos e também no Tesouro Direto, sistema de compra e venda de títulos públicos pela internet. Essa última alternativa Iacovone conheceu durante uma visita à Expo Money. Para ele, trata-se de uma opção boa e mais barata, relativamente aos fundos DI e de renda fixa, para quem pretende investir em um título público e carregá-lo até o vencimento.

Foi justamente para atender as necessidades de investidores como Iacovone que a feira partiu para a diversificação de seu conteúdo. Temas que vão além da aplicação em bolsa passaram a ser mandatórios ao longo dos últimos anos, ressalta o diretor da Expo Money, Luis Abdal. A grande virada, conta ele, veio com a crise financeira, em 2008, que levou o principal índice da bolsa, o Ibovespa, a amargar prejuízo de 41,22%.

Até 2007, com a disparada da bolsa, que chegou a 73 mil pontos naquele ano e atraiu grande quantidade de companhias novas, o público participante da feira crescia a passos largos – saiu de pouco mais de 9 mil em 2003 para quase 20 mil. Em 2008, o número de visitantes caiu para cerca de 16 mil e, apenas no ano passado, a feira voltou a registar público participante na casa de 20 mil.

“Diante da crise, percebemos que as pessoas precisavam de informações sobre outros assuntos, de caminhos alternativos”, afirma Abdal. Assim, a feira passou a olhar para o universo dos investimentos em geral, trazendo informações sobre alternativas de aplicação na renda fixa, imóveis, previdência, seguros, entre outros. Palestras sobre o Tesouro Direto e fundos imobiliários, por exemplo, foram incluídas na programação.

Os ‘amantes’ do mercado acionário, contudo, continuam no centro das atenções. Fernando Paiva, engenheiro civil de 41 anos, aproveitou a participação nas primeiras edições da feira para aprender técnicas para investir. Ele conta que conseguiu surfar a alta das ações nos últimos anos, apesar de ter entrado no mercado sem conhecimento, mas por ter feito sua estreia quando o Ibovespa estava em 8.500 pontos. “Peguei uma época de valorização extraordinária. Hoje, é preciso ser mais cuidadoso e ter estratégias definidas”, afirma Paiva.

Uma das ferramentas usadas por Paiva é o financiamento de ações com opções. Trata-se de uma técnica que ele conheceu na Expo Money e que tem como objetivo aumentar o potencial de retorno da aplicação, ao mesmo tempo em que funciona como proteção para a carteira durante uma crise. A feira também acabou despertando nele a curiosidade sobre diversos assuntos do mercado financeiro, levando-o a buscar conhecimento em um MBA voltado às finanças.

A Expo Money também ganhou o país. Hoje, a feira de finanças pessoais percorre 13 cidades brasileiras com palestras e exposições gratuitas.

Do Portal Valor Econômico
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