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Controlar o consumismo infantil é um desafio para muitos pais | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Finanças Pessoais

Consumismo infantil desafia pais e educadores

Por Letícia Teston

Fazer uma criança entender que não pode ter os mesmos brinquedos que a maioria dos amigos é um problema enfrentado por muitos pais. Patrícia Nunes, 33, passou por esse dilema por vários anos. A filha dela estuda em um colégio particular de Florianópolis e, ao contrário dos colegas, não têm celular, brinquedos caros e nunca ganhou uma festa de aniversário muito grande.

Depois de fracassar tentando explicar para a filha que ela não precisa de um vídeo game, Patrícia decidiu levar Maria Helena, de sete anos, para conhecer a realidade de crianças que não têm sequer acesso a necessidades básicas.

O local escolhido foi o Centro Educacional Florzinha Azul, em Palhoça, na Grande Florianópolis. A creche atente 105 crianças carentes. Patrícia relata que a filha ficou perplexa ao ver crianças de dois anos brincando com pedaços de tijolos por não terem brinquedos. As roupas e a escassez de alimentos também chamaram a atenção da menina.

“Ela simplesmente parou de insistir em ganhar um Nintendo Wii e ficou grata por tudo que tem: a cama quentinha, o banho gostoso e principalmente por receber muito amor”, revela a mãe. Ela ficou espantada quando soube que alguns colegas da filha possuem iPhone e ganham cerca de R$ 50 por semana dos pais.

“É um verdadeiro absurdo dar tanto dinheiro para uma criança nesta idade, elas acabam tendo uma vida de adulto”, avalia. É justamente esse o argumento da presidente do Instituto Alana, que combate a publicidade voltada às crianças. Ana Lucia de Mattos argumenta que, por ser mais vulnerável, o público infantil acaba entrando no universo adulto e é exposto às relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.

Quanto custa ser criança hoje?

É esta a impressão que se tem ao ver crianças de oito anos frequentando salão de beleza, fazendo unha e se maquiando: parece que estamos diante de mini-adultos. Em algumas capitais já existem centros de beleza voltados para o público infantil. As grandes marcas de roupas e acessórios também estão atentas ao consumismo dessa faixa etária.

O Fashion Weekend Kids é um evento de moda em São Paulo que já teve 13 edições. Na penúltima, que aconteceu em abril de 2011, algumas mães que tinham filhas desfilando no evento foram entrevistadas pelo jornal Estado de São Paulo. Sandra Mussi, de 39 anos, revela que o traje que a filha de oito anos usava tinha custado R$ 500. “A minha filha usa óculos Chanel, Prada. A gente gosta de coisa boa, elas aprendem. Não imagino ela colocando uma roupa da Renner nem para dormir”.

Renata Galvão, mãe de outra menina que participava do evento, conta que houve uma polêmica na escola. Quase todas as crianças tinham ido à Disney. “Como fazer com as que não foram?”, questiona.

Foi por situações semelhantes a essa que Patrícia Nunes passou com a filha. Diante do alto poder aquisitivo dos pais de alguns de seus colegas, a pequena Maria Helena reclamava por não ter acesso aos mesmos aparelhos e brinquedos caros. Nesses momentos, Patrícia questionava se ela queria estudar em boa escola, e economizar para poder bancar os estudos ou se ela preferia estudar em uma instituição pública e ter mais brinquedos. Diante do argumento, a filha sempre preferiu estudar em uma escola de melhor qualidade e não ter tantos luxos.

O dilema na hora de escolher a escola

Sentir-se deslocado no ambiente de estudo por não ter o mesmo padrão de consumo dos colegas é um dos transtornos que escolas caras demais podem causar aos pais. Ainda assim, muitos preferem não ter o carro do ano para garantir um ensino de qualidade aos filhos. Para aqueles que fizeram essa escolha, o maior desafio é fazer a criança entender que ela não pode ter tudo o que os colegas possuem.

Além disso, pais que escolhem uma instituição particular devem ter alguns cuidados. A escola deve caber no orçamento. “Na hora de calcular quanto dinheiro será destinado para este fim, outros fatores, além da mensalidade, devem ser levados em conta como saídas de estudos, viagens de confraternização e cursos extracurriculares oferecidos pela escola”, avalia a educadora financeira Celina Macedo.

Em 2011, Celina lançou livro “Filhos: seu melhor investimento” (Campus/Elsevier). Na obra, a autora destaca a importância dos pais conversarem sobre dinheiro com os filhos para que as crianças percebam o quanto pesam no orçamento. “Se não existir esse diálogo, fica ainda mais difícil impor limites”, explica.

 

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4 comentários to “Consumismo infantil desafia pais e educadores”

  1. Ótimo artigo!
    Adorei a atitude da Patrícia, levando a filha a um orfanato.
    Apesar de falarmos para nossas filhas que existem crianças pobres, que não têm quase nada que elas têm, o fato de elas verem com os próprios olhos, sem dúvida, causa um efeito muito melhor.
    Graças a Deus, eu e meu marido escolhemos bem a escola de nossas filhas e demos a sorte de termos uma amizade forte com os pais das amiguinhas delas, que têm nível financeiro compatível com o nosso e não estimulam o consumismo exacerbado em suas filhas.

  2. Adorei!

    O mais importante é a conversa.

    Abraço!

  3. A Professora Patricia é uma grande lutadora e me orgulho de ter sido seu professor no Mestrado. É importante salientar que ela não ficou apenas no ato de mostrar a dura realidade da creche para a filha, ela se envolveu e hoje ajuda a melhorar a vida das crianças daquela instituição. A festa de final de ano que ela organizou em conjunto com outras instituições pode ser vista em http://youtu.be/lCpV8Cd44B8 .

    Atualmente ela está muito envolvida em melhorar estrutura física do local.

    Parabéns Patricia e parabéns Letícia pela matéria. Sugiro uma matéria falando do que a Patricia fez e também falando do trabalho maravilhoso do ALANA

  4. Quando tinha 7 anos esperei 1 ano para meu pai comprar um videogame que eu e meus irmãos queríamos, com isso nos percebemos o real valor do aparelho e se realmente queríamos ele. Mas no caso de um celular para uma criança acho que é expor ela a um mundo que ira viver o resto da vida numa etapa da vida que mais vale se divertir, não fingir ser alguém importante. Execelente matéria.

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