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Conheça o cartão de crédito com juros de 1.044% ao ano | Instituto de Educação Financeira

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Conheça o cartão de crédito com juros de 1.044% ao ano

A maior parte dos brasileiros já está careca de saber que os cartões de crédito costumam ser a forma mais cara de financiar uma compra – a não ser nos casos em que a loja oferece a opção do parcelamento sem juros. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média de juros dos cartões alcançou 238,3% em dezembro. Ainda que percentuais tão altos não sejam encontrados em nenhuma outra economia minimamente organizada, essa taxa ainda poderia ser considerada moderada quando comparada às de alguns cartões específicos do mercado brasileiro.

No caso dos plásticos oferecidos pela rede de supermercados Carrefour, os juros máximos que podem ser cobrados dos clientes que não pagam a fatura na data do vencimento podem chegar a até 18,59% ao mês – ou 637% ao ano. Mas não é só isso. Considerando o IOF (imposto federal cobrado sobre operações financeiras), os juros de mora de 1% ao mês e a multa de mora de 2%, o custo efetivo de financiar uma compra com um cartão de crédito do Carrefour chega a um percentual impressionante de 1.044,20% ao ano.

Isso quer dizer que alguém que não paga uma fatura de 1.000 reais hoje terá de desembolsar mais de 11.000 reais para quitá-la daqui a 12 meses. Para efeito de comparação, o investidor que aplica os mesmos 1.000 reais na caderneta de poupança ganharia cerca de 70 reais no período – ou menos de 1% do que o Carrefour fatura colocando o mesmo dinheiro para trabalhar.

Parece razoável supor que esses juros seriam apenas os de tabela e que, em caso de inadimplência, o Carrefour abriria mão de parte dos encargos e aceitaria um acordo que permitisse o pagamento da dívida por um valor intermediário, que coubesse no bolso do cliente. No site Reclame Aqui, entretanto, é possível encontrar consumidores que dizem ter cometido o erro de não pagar faturas com o cartão Carrefour e que não conseguiram nenhuma facilidade da loja ao tentarem renegociar os débitos.

Para Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, juros que superam 1.000% são emblemáticos para mostrar quão nocivos podem ser os cartões de crédito quando mal utilizados. A popularização do cartão de crédito em si não é o problema. Mesmo um plástico como o do Carrefour oferece uma série de vantagens, como períodos de até 40 dias para pagar as compras sem juros, descontos exclusivos para portadores do cartão ou maiores prazos de parcelamento para a compra de determinados itens.

Essas são exatamente as vantagens realçadas pela loja na hora de convencer o consumidor a contratar o serviço. O problema, diz Gonçalves, acontece quando o consumidor se deixa ludibriar pelas facilidades de aprovação de crédito concedidas pelos cartões e faz dívidas que crescem como uma bola de neve até que se tornam completamente impagáveis.

Entre as “facilidades” que sempre devem ser evitadas, estão o pagamento apenas da parcela mínima da fatura (que, por lei, é de 15% no Brasil), deixando o resto para ser financiado no chamado crédito rotativo. A fatura deve ser 100% quitada todos os meses. Outra opção do cartão que é muito fácil de contratar e bem difícil de pagar é o saque de dinheiro em caixas eletrônicos (juro de 15,99% ao mês mais IOF no caso do cartão do Carrefour). Muitos cartões de loja também incluem, além de juros e impostos, tarifas por serviço e anuidades, que encarecem ainda mais as operações.

Segundo Gonçalves, o consumidor que possui dívidas com juros elevados no cartão deve quitá-las assim que possível. Mesmo quem não tem dinheiro pode conseguir um empréstimo mais barato numa agência bancária ou em uma financeira e trocar uma dívida cara por outra menos salgada.

Lojas X bancos

Os cartões distribuídos por empresas de varejo costumam ser de dois tipos: private label (aquele com a bandeira da própria varejista e que só pode ser usado em algum estabelecimento da rede) ou híbridos (que pode ser usado tanto nas lojas da rede como no comércio em geral porque também possuem uma bandeira, como Visa ou Mastercard). A penetração desses plásticos cresce exponencialmente no Brasil porque eles podem ser acessíveis até mesmo a quem não tem conta em banco.

Reginaldo explica que os de cartões emitidos por lojas costumam embutir juros bem mais altos que os dos bancos porque geralmente não há nenhum tipo de pré-seleção dos clientes que terão ou não direito ao plástico. Praticamente qualquer um que apresente documentos de identidade e comprovante de endereço conseguirá ter acesso a boa parte desses plásticos. Já os bancos costumam exigir algum tipo de comprovação de renda para entregar um cartão.

Como o risco para o varejista é grande com esse tipo de operação, a solução encontrada foi cobrar juros elevadíssimos que compensem eventuais inadimplências. “É aquela pessoa que cumpre com todas suas obrigações que acaba financiando essa distribuição desenfreada de cartões para os maus pagadores”, afirma o professor. No final, o negócio acaba sendo ruim para todo mundo – menos para a loja.

Altas taxas de inadimplência, vale notar, não são boas nem para as empresas. A solução adotada pelo varejo para atrair os clientes bons e não morrer abraçada com os ruins é dar um cartão com um limite baixo de gastos mensais para os consumidores e, à medida que eles se mostrem responsáveis em termos de pagamento, possam requerer aumentos nos tetos para os gastos mensais.

Mesmo assim, as taxas de inadimplência do cartão estão elevadas. Segundo dados do Banco Central, o percentual de dívidas com atraso de mais de 90 dias para o pagamento alcançou 21,5% em 2011, o maior percentual em nove anos. É por esse motivo que bancos, lojas e empresas de cartões de crédito têm feito campanhas para que o consumidor faça o uso consciente do cartão. Todas as ações de conscientização estão, portanto, focadas no lado da demanda por crédito.

Para Gonçalves, entretanto, já está provado que esse modelo não funciona. É muito fácil empurrar um cartão para um consumidor ressaltando benefícios como um prazo maior de pagamento, descontos ou até mesmo prêmios e milhas aéreas. Mesmo com as regras que obrigam os varejistas e os bancos a dar um mínimo de publicidade também para os eventuais malefícios do cartão, muita gente simplesmente não consegue entender suas potenciais armadilhas. É por isso que ele acredita que deveria haver também algum tipo de restrição para a oferta de cartões. “O Banco Central precisa regular esse mercado e impedir que as lojas empurrem o serviço para quem não sabe usá-lo.”

O professor acredita que a primeira medida a ser adotada pelo BC deveria ser um teto para os juros do cartão. “Se deixar a coisa correr frouxa, em breve vai aparecer no mercado brasileiro um cartão que cobra taxas efetivas de 2.000% ao ano.”

Ele também defende a criação de um limite máximo para o comprometimento do salário com os gastos totais com cartões. Seria algo parecido com o que existe no Brasil no crédito imobiliário. Quem deseja comprar uma casa no Brasil não tem o financiamento aprovado se a prestação comprometer mais de 30% da renda nem pode tomar mais de um empréstimo imobiliário por vez.

“Eu acho que alguém que ganha 5.000 reais por mês não deveria ultrapassar o limite de mais de 20% dessa renda em gastos com o cartão [ou 1.000 reais por mês].” Você achou radical demais? “Os países ricos têm escancarado os efeitos nocivos de uma bolha de crédito na economia e deveriam servir de exemplo do que não deve ser feito no Brasil”, diz ele.

Outro lado

Procurada, a assessoria de imprensa do Carrefour optou por se manifestar por meio de nota, que EXAME.com publica na íntegra abaixo:

“O Carrefour Soluções Financeiras esclarece que a taxa informada se refere ao custo efetivo total da transação por ano, que é composto por IOF, juros, multa e mora, e não somente os encargos cobrados por atraso do pagamento da fatura. A empresa ressalta ainda que tem como política comercial estimular que seus clientes optem por programas de parcelamento sem juros, amplamente divulgados em suas lojas, e não incentiva em suas correspondências que o consumidor escolha pelo pagamento de valores inferiores ao total da fatura.”

Do Portal Exame
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