Warning: preg_match() [function.preg-match]: Unknown modifier 't' in /home/edufinan/public_html/wp-content/plugins/mobile-website-builder-for-wordpress-by-dudamobile/dudamobile.php on line 603
É possível exercitar o músculo da força de vontade | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Família e finanças, Jovens

Como exercitar o músculo da força de vontade

Os pais são capazes de ensinar os filhos a serem profissionais comprometidos e organizados? Quem não aprendeu a controlar os próprios impulsos desde cedo consegue fazê-lo depois de adulto? Durante décadas cientistas tentaram encontrar evidências no comportamento humano que respondam essas questões.

Walter Mischel, da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, observou suas filhas adquirirem a capacidade de retardar uma gratificação imediata por volta dos quatro anos. O que, na prática, significou o fim dos escândalos e crises de choro nas lojas de brinquedos e no supermercado.

Como não havia estudo na época que relacionasse a educação recebida na infância com a capacidade de autocontrole dos filhos, o psicólogo inventou o teste do marshmallow. O doce era colocado na frente das crianças e aquelas que resistissem à tentação de comê-lo por 15 minutos, ganhariam outro.

As reações foram as mais inusitadas possíveis e o resultado, compatível com que Mischel observou no comportamento das filhas. As crianças que aos quatro anos conseguiram esperar para ganhar o segundo marshmallow obtiveram as maiores notas nos testes finais do ensino médio, maior taxa de acesso à universidade e melhor desempenho acadêmico.

Na idade adulta, essas mesmas crianças apresentaram menor incidência de tabagismo e abuso de drogas, menor índice de deliquência e menos problemas familiares. O resultado era bastante satisfatório para orientar a educação de pais e professores.

O teste não explicava, no entanto, como adultos com problemas financeiros, pessoas com sobrepeso ou adolescentes com baixo desempenho escolar conseguem abandonar velhos hábitos e mudar seus estilos vida.

Não comprar por impulso, resistir ao consumo de alimentos calóricos, praticar atividades físicas com regularidade, fazer o dever de casa são apenas alguns comportamentos que exigem esforço e dedicação diários.

Para realizá-los, precisamos travar uma luta como o nosso cérebro reptiliano, que está o tempo todo em busca de conforto e não vai fazer o menor esforço para sair da frente da televisão e praticar alguma atividade física. Podemos culpá-lo também quando não resistimos à sobremesa de chocolate depois do almoço ou quando adiamos tarefas importantes.

O teste do marshmallow mostrou que ao sermos estimulados desde a infância, desenvolvemos mais cedo a capacidade de vencer essa batalha. Quando aumentamos nossa capacidade de concentração, melhoramos nosso autocontrole e nossa competência cognitiva.

Mas manter uma vida equilibrada, infelizmente, não é tão simples como andar de bicicleta. O autocontrole não é uma capacidade que desenvolvemos um dia e que seguirá conosco para o resto da vida, precisamos exercitá-lo.

Para mostrar como alguns hábitos nos ajudam na hora de dominar nossos instintos, Megam Oaten e Ken Cheng, dois pesquisadores australianos, criaram um programa de exercícios de força de vontade. Eles inscreveram 24 pessoas com idades entre 18 e 50 anos num programa de exercícios físicos ao longo de dois meses.

Para a surpresa dos próprios participantes, não foi apenas o corpo que sentiu os benefícios da prática diária de atividades físicas, diversos setores da vida apresentaram mudanças. Quanto mais tempo ficavam na academia, menos cigarros e álcool consumiam, dedicavam mais horas à lição de casa, passavam menos tempo assistindo tv e estavam menos deprimidos.

Num segundo experimentos, 29 pessoas participaram de um programa de gerenciamento de dinheiro. Os participantes tiveram que se privar de luxos como ir ao cinema, comer em restaurantes caros e preciram ter autodisciplina para anotar todos os gastos.

E o resultado foi muito semelhante daquele apresentado pelas pessoas que deixaram de ser sedentárias. Eles também fumaram menos cigarros, beberam menos álcool e cafeína, comeram menos comida industrializada e ficaram mais produtivos no trabalho e na escola. O mesmo desempenho obtido por 45 estudantes que criaram novos hábitos de estudos através de um programa de melhoria acadêmica.

Os estudos foram apresentados no livro “O Poder do Hábito”, do jornalista investigativo do New York Times Charles Duhigg. Depois de estudar centenas de artigos acadêmicos sobre o tema e de entrevistar cientistas e executivos, a conclusão do jornalista é bastante positiva para aqueles que mesmo depois de adultos não conseguem esperar para ganhar o segundo marshmallow. Todos nós podemos exercitar o músculo da força de vontade.

Os cientistas envolvidos em pesquisas que tentam decifrar o segredo por trás da força de vontade acreditam que quando nos forçamos a mudar velhos hábitos, aprendemos a controlar nossos impulsos e as diversas formas de tentação que nos cercam diariamente.

Letícia Teston é estudante de jornalismo. Trabalha no IEF há dois anos.

Facebook Twitter 

Você gostou deste artigo? Compartilhe:

1 comentário to “Como exercitar o músculo da força de vontade”

  1. Parabéns Professor! Mais uma vez um ótimo artigo, como sempre!

Deixe seu recado