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Colégio de SC forma a primeira turma de Educação Financeira para jovens do país | Instituto de Educação Financeira

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Colégio de SC forma a primeira turma de Educação Financeira para jovens do país

Por Celina Macedo*

O desafio de lecionar sobre Finanças Pessoais é muito maior do que simplesmente ensinar os jovens a cuidarem do orçamento. A importância de planejar os sonhos e de estabelecer metas desde cedo vai refletir na formação desses futuros adultos. Por isso, a responsabilidade é imensa. Este foi o meu maior desafio ao iniciar um projeto inédito na área no Brasil: fazer da educação financeira um aprendizado para toda a vida.

“Educação Financeira para Jovens” é um trabalho pioneiro. O projeto iniciou em fevereiro de 2011, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a primeira turma se formou no dia 30 de novembro deste ano.

Além de aprender sobre planejamento financeiro, os alunos passaram a entender a importância de conversar sobre dinheiro com a família e de colocar na ponta do lápis todos os sonhos e objetivos. Entenderam que para alcançar o que desejamos, precisamos abrir mão de algumas coisas e estabelecer o que é prioridade. E as aulas renderam bons frutos.

A primeira investidora da sala foi Luise, de 15 anos. Desde já ela planeja ter uma aposentadoria confortável com os rendimentos que terá aplicando na bolsa de valores. Fernando, 18, mobilizou toda a família para diminuírem os gastos com a conta de luz. Depois de estudar o orçamento, percebeu que havia muito desperdício que poderia ser evitado. “Conseguimos economizar quase R$ 200. Agora podemos utilizar esse dinheiro para planejar uma viagem em família” revela.

Na casa de Artur, 17, o dilema era outro: eles gastavam muito menos do que poderiam. Ele mesmo guardava praticamente toda a mesada que recebia dos pais. “Era muito radical, agora aprendi a administrar melhor meus gastos”, avalia.

A disciplina optativa é aberta a todos os estudantes no ensino médio do colégio que estiverem interessados no tema. Alguns se mostraram surpresos com a abrangência da disciplina. Otto, 16, não imaginava que com as aulas poderia planejar melhor o sonho de viajar para França.

O maior desafio

A adolescência é um período especialmente delicado na educação dos filhos. Pais que não souberam impor limites quando os filhos ainda eram crianças sofrem em uma sociedade que parece não impor barreiras ao consumismo.

Recentemente, um repórter da MTV de São Paulo foi a uma das baladas mais caras da cidade para descobrir quanto os jovens costumam gastar por noite. “Cerca de R$ 500” responde uma garota. E quem banca? “Meu pai”.

O vídeo circulou pela internet por algumas semanas e já foi visto por pelo menos 50 mil pessoas. Muitas ficaram indignadas com o fato dos jovens gastarem um salário mínimo em apenas uma noite. Em Florianópolis algumas festas chegam a custar mais de mil reais, fora os gastos com consumação e deslocamento. É difícil imaginar que um jovem que está começando a vida profissional tenha dinheiro suficiente para arcar com um nível tão elevado de vida.

E a maioria deles sequer trabalha e continua sendo sustentada pelos pais mesmo depois de ter saído de casa. Esses filhos acostumados com o dinheiro fácil muitas vezes nem imaginam quanto pesam no orçamento dos pais no fim do mês.

Nessa fase da vida, pais que mimaram os filhos durante a infância já perderam o controle da situação. Jovens que tiveram tudo o que desejaram quando crianças não admitem cortar despesas e diminuir gastos. Não aprenderam a andar com as próprias pernas.

Por isso defendo que a Educação Financeira nessa fase da vida é primordial. Apesar de saber que ainda não temos profissionais capacitados para implementar uma disciplina obrigatória em todas as escolas do país, é importante que o governo esteja atento à necessidade de capacitarmos profissionais nessa área.

É bem menos oneroso para o Estado investir na educação agora do que ter milhares de adultos endividados e dependentes no futuro.

* Professora de Educação Financeira, consultora do IEF e autora do livro “Filhos: seu melhor investimento” (Campus/Elsevier).

 

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