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Chega de tabu$ | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

Chega de tabu$

Conversar sobre dinheiro em casa é a melhor forma de manter equilibradas as finanças da família

Dinheiro não dá em árvore, diz o senso comum. Mas todos podem aprender a cultivá-lo.

Na casa de Jurandir Macedo, dinheiro é assunto debatido no dia a dia

Quando criança, aprendemos nas aulas de matemática a somar maçãs, subtrair lápis de cor e fracionar barras de chocolate. A disciplina escolar era divertida e não havia preocupações nem dores de cabeça. Adultos, nos damos conta de que ficou faltando uma lição importante sobre planejamento, orçamento, dívidas, cheques especiais e juros do cartão de crédito. “Por que omitiram justo essa parte?”, lamentamos. Se tivéssemos colocado em prática a lição “gaste apenas o que você tem e poupe para o futuro”, muitas histórias poderiam ter finais bem diferentes.

Mas por que não sabemos administrar nosso dinheiro?

A educadora financeira Teresinha Maria da Cruz Rocha, 62 anos, arrisca um palpite: o desequilíbrio financeiro é uma questão cultural.

— Passamos por uma sucessão de gerações dependentes financeiramente. Por isso, ainda é comum termos um tio, um primo ou outro familiar que precisa da ajuda de parentes para pagar as contas — observa. Para ela, a melhor forma de sair dessa emboscada de cifras descontroladas está em três pilares: educação financeira em casa, na escola e na prática.

Outros pesquisadores das áreas de exatas e humanas também questionam e investigam o comportamento de homens e mulheres de diferentes idades diante da riqueza — que insiste em voar de nossas mãos, como poetizou Paulinho da Viola.

É mais fácil falar sobre sexo do que sobre dinheiro

Será? Segundo experiência clínica da psicóloga Valéria Meirelles, a resposta é “sim”. Para a maioria dos casais, esse assunto é delicado e envolve muita coragem e jogo de cintura para que nem ele nem ela sejam tachados de “interesseiros” ou “mesquinhos”.

- As pessoas acham que se você falar sobre dinheiro estará colocando o casamento em risco. Mas o dinheiro faz parte do nosso dia a dia e o casal precisa combinar como agir com contas, lucros e economias – explica a especialista.

A opinião é compartilhada pela educadora financeira catarinense Celina Macedo, autora do livro Filhos: seu melhor investimento e professora de Educação Financeira no Colégio de Aplicação da UFSC, em Florianópolis. Segundo ela, para conquistar o equilíbrio financeiro, é importante o casal conversar sobre o assunto antes mesmo de constituir uma família. O tema dinheiro, entretanto, continua sendo um tabu, e questões simples como “quem paga as contas?”, “quem cuida do dinheiro?’, não são discutidas entre o casal.

- Não é por acaso que ocorrem desentendimentos quando as contas chegam ou quando acaba o dinheiro – diz.

Filhos que são autônomos sabem planejar melhor as finanças quando adultos, diz psicóloga

Pais defendem a mesada como construção da liberdade financeira do filho

Julia, 18 anos, e Gustavo, 14 anos, cresceram ouvindo falar em dinheiro, poupança, futuro, orçamento… E não podia ser diferente. Eles são filhos da professora Celina Macedo e do consultor de finanças pessoais do Itaú e professor das disciplinas de Finanças Pessoais e Finanças Comportamentais da UFSC, Jurandir Sell Macedo Júnior.

Celina vem de família rica. Jurandir teve que dar duro para estudar e trabalhar. Casaram-se em 1987. Foi quando Celina compreendeu que para ter dinheiro é preciso trabalhar muito, ter dedicação, força de vontade, competência e, principalmente, gastar um pouco menos do que se ganha.

Em 1993 nasceu a Júlia e, quatro anos depois, Gustavo. E as lições financeiras foram repassadas às crianças.

— Filhos que conhecem seus limites e são autônomos, quando adultos saberão lidar com seus desejos, necessidades e objetivos com mais tranquilidade. Saberão planejar suas vidas, inclusive a financeira, porque aprenderam a fazer escolhas e a aproveitar as oportunidades. Possivelmente esses filhos terão sucesso pessoal e profissional — explica Celina.

O casal de educadores financeiros defende a adoção da semana ou mesada à criança, sob a argumentação de que este é o primeiro passo para a construção da liberdade financeira do filho.

— Se desde cedo ele se organizar financeiramente para alcançar os próprios objetivos, o dinheiro será um aliado nesta busca. Será a solução, não o problema — explica.

Na casa de Celina e Jurandir Macedo, educação sempre esteve à frente de qualquer necessidade. Nunca encararam mensalidade escolar, livros, viagens, aulas de línguas, música, artes e esportes como custo, e sim como investimento. Mas nem por isso Julia e Gustavo ganhavam tudo o que pediam. Aprenderam a dar valor ao dinheiro desde pequenos.

No livro de Celina, cada um dos filhos escreveu um depoimento. Leia alguns trechos:

“Como não via meus pais gastando muito, até hoje não gosto de gastar no que não é necessário. Diferente das minhas amigas, não sinto nenhum prazer em comprar roupas e só compro se eu realmente gostar. Muitas vezes vejo, gosto e não compro. Se ficar pensando na roupa ou no sapato em casa, volto à loja e adquiro – isso se o valor estiver de acordo com o meu orçamento”.

Julia, aos 17 anos

Quando o assunto é economizar, tenho uma lembrança muito forte de quando comecei a surfar. Claro que eu queria ter a minha própria prancha, e meu pai se comprometeu a me dar uma. Mas, para conquistá-la, tive que me tornar um verdadeiro fiscal na minha casa. A condição era simples: nossa conta de luz estava muito alta; minha missão era diminuí-la. Se eu conseguisse baixar a conta, ganharia minha prancha. Toda vez que alguém esquecia uma luz ligada eu ia correndo para apagar. Com isso, consegui diminuir a conta significativamente. No dia em que atingi a meta, fomos comprar minha prancha”.

Gustavo, 14 anos

Curso da UFSC ajuda jovem a gerir o próprio dinheiro de forma eficiente

Jovens não fazem planejamento financeiro para o futuro

O catarinense Jurandir Sell Macedo Júnior é doutor em Finanças Comportamentais, e pioneiro da área no Brasil. Dirige o Instituto de Educação Financeira (IEF), com sede em Florianópolis. Escreveu os livros A árvore do dinheiro, O tempo na sua vida, e Finanças Comportamentais — como o desejo, o poder, o dinheiro e as pessoas influenciam nossas decisões.Ele é professor da primeira disciplina de Finanças Pessoais do país, para alunos de todos os cursos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo Jurandir, as aulas nasceram da necessidade que os jovens profissionais têm de planejar suas finanças e o pouco preparo dos estudantes nessa área.Todo semestre são abertas 80 vagas disponíveis aos alunos de todos os cursos interessados em gerir o próprio dinheiro de forma eficiente. — As pessoas estão pouco preparadas para lidar com seu próprio dinheiro. Frequentemente tornam-se profissionais bem sucedidos que, no entanto, têm as próprias finanças desorganizadas — avalia Jurandir. O professor ressalta que mesmo nas carreiras ligadas à gestão empresarial é comum encontrar profissionais pouco preparados para a gestão financeira pessoal.A proposta da disciplina é preencher essa lacuna. Por ter um caráter multidisciplinar, é oferecida como disciplina optativa para todos os cursos da universidade. Além dos aspectos comportamentais e de planejamento de carreira, o aluno aprofunda conhecimentos sobre o mercado financeiro e de capitais.

Projeto ensina conceitos de educação financeira através de jogo de tabuleiro

Os alunos interpretaram membros de uma mesma família e, em conjunto, tomaram decisões referentes aos desafios apresentados

Celina Macedo ministra a disciplina de Finanças Pessoais no Colégio de Aplicação da UFSC, para alunos do ensino médio. É um projeto pioneiro no Brasil. Ano passado, os alunos participaram de uma oficina sobre o uso consciente do dinheiro. O projeto, em parceria com a Fundação Itaú Social, levou aos jovens importantes conceitos sobre educação financeira através de um jogo de tabuleiro.Os alunos interpretaram membros de uma mesma família e, em conjunto, tomaram decisões referentes aos desafios apresentados. Com o jogo eles também aprenderam a lidar com situações práticas referentes à administração financeira.—  Para os alunos esta é uma forma divertida de trabalhar com alguns problemas financeiros muitas vezes vividos em casa pelos pais — analisa Celina. Eles também puderam perceber como o uso da planilha ajuda no controle dos gastos.O jogo reforçou conceitos apresentados na disciplina, como a importância de ter um planejamento no longo prazo para atingir os objetivos.Está tramitando na Assembleia Legislativa um projeto-de-lei que prevê a implantação da disciplina de educação financeira em todas as escolas do Estado. E, a nível nacional, decreto do governo federal instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira – uma série de iniciativas pedagógicas voltadas às escolas e a adultos com o objetivo de erradicar o analfabetismo financeiro no país. Os educadores vão desenvolver conteúdos adaptados sobre o tema para todas as nove séries do ensino fundamental e as três do ensino médio.
Da revista Donna DC, jornal Diário Catarinense 
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