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Cabeleireira diz estar com 'trauma' após ter cheque clonado | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais

Cabeleireira diz estar com ‘trauma’ após ter cheque clonado


Depois de fazer um favor a uma amiga, a cabeleireira Zenaide Moraes Cavalcante diz que está com “trauma” e que não pretende mais usar cheques. No fim do ano passado, ela comprou móveis para a amiga numa rede de lojas e parcelou parte do pagamento em 20 cheques de R$ 250. As primeiras parcelas começaram a ser pagas em janeiro, mensalmente.

(Série Manual do cartão e do cheque: o G1publica nesta semana reportagens com exemplos de pessoas tiveram problemas ao usar esses meios de pagamento e dicas para usá-los melhor.)

O problema aconteceu no dia 7 de julho, quando um cheque foi apresentado ao banco para ser descontado da conta corrente dela no valor de R$ 2,8 mil. Segundo Zenaide, o banco não descontou o cheque por ter reconhecido que a assinatura estava falsificada.

Ela foi à agência e viu que o cheque apresentado era igual ao cheque do mês de julho dado à loja de móveis – até a numeração era a mesma. A suspeita de clonagem surgiu quando, no dia 22 de julho, o cheque “original” de R$ 250 foi descontado na conta dela.

“Não sei se pegaram meu cheque e levaram em uma copiadora. Só sei que a assinatura não bateu”, conta. Assim como o cheque original, o adulterado também estava cruzado. O favorecido era um titular de conta poupança de outro banco em São Paulo.

A cabeleireira fez um boletim de ocorrência e contratou um advogado. Segundo ela, nem a loja nem o banco deram explicações até o momento. Enquanto isso, Zenaide sustou os outros cheques dados à loja para evitar mais problemas e pretende pagar as prestações restantes em dinheiro.

“Estou apavorada, não quero mais saber [de cheques]. A gente tenta ajudar um amigo e agora estou aí tendo que pagar advogado. Nunca passei por nada semelhante”, desabafa. “Peguei o maior trauma de ficar usando cheque, não vou mais usar. Dá medo porque você passa o cheque numa loja de nome e acontece um negócio desses. Para pra pensar, é demais né?”, acrescenta.

Folhas de cheque roubadas

Há dois anos, o gerente comercial Gilberto Marques Carlos levou um susto ao conferir seu extrato bancário. Um cheque de aproximadamente R$ 300 havia sido debitado de sua conta e ele não se lembrava da despesa. No mesmo dia, outros quatro cheques foram descontados. Nos dias seguintes, mais alguns cheques caíram na conta, totalizando um prejuízo de quase R$ 4 mil.

O gerente procurou o talão e percebeu que faltavam algumas folhas do final. Chegou a sustar os cheques, mas já era tarde. Carlos tinha sido vítima de um golpista e só foi perceber dez dias depois. “Tive que contratar advogado para montar um processo, e durante seis ou sete meses fiquei com nome negativo. Foi um descuido”, relembra. O banco devolveu os valores depois.

“Depois que consegui arrumar isso aí, cancelei cheques, nunca mais usei. Se você é roubado e têm ciência no momento, você vai ligar para o banco e sustar. Só que eu não percebi isso, só vi quando debitaram os valores. Aí complicou. Depois que apresentei minha assinatura no banco, tive que fazer um processo. Foi um pouco chato pra arrumar”, diz.

Os golpes

Se você tem um “bom nome na praça”, isto é, se nunca usou crédito e tem bom histórico de pagamento, pode ser uma vítima de golpistas, dizem os especialistas. “Geralmente o fraudador vai usar a identidade de uma pessoa que tem ótimo crédito”, diz o gerente de soluções antifraude da Serasa Experian, Celso Rodrigues Pinto.

Os alvos preferidos são os bons pagadores, concorda Mendes Vilela, analista de prevenção à fraude da Telecheque.

“[Os golpistas] escolhem pessoas honestas do interior que nunca tenham utilizado análise de crédito e que tenham um CPF ‘virgem’”, diz. Com dados como nome, RG e CPF de uma vítima, o golpista abre uma conta bancária com endereço falso, recebe talões de cheques e passa a utilizá-los.

Segundo Vilela, parte das fraudes acontecem por extravio de folhas de cheque em branco. O extravio pode acontecer a partir do próprio banco, da gráfica ou do correntista.

“Muitos consumidores, quando encerram contas num banco, não destroem as folhas. O talonário acaba ficando com o consumidor e anos depois pode ser extraviado ou jogado no lixo e alguém acha”, diz o analista.

Dicas dos especialistas

Outro tipo de fraude é a alteração do valor do cheque dado pelo consumidor. Geralmente isso acontece quando o cheque é passado para outras pessoas – daí a importância de sempre cruzar os dados e colocar o nome do favorecido.

“Tenho o costume de cruzar o cheque para obrigar o depósito numa conta. No comércio, há o costume de se pagar um fornecedor com um cheque [de outra pessoa]. Então, tem que ter o mínimo de rastreabilidade”, aconselha o especialista em segurança bancária Marcelo Lau .

Para Lau, costumes antigos como escrever “hum mil reais”, fazer o símbolo de jogo da velha (#) antes e depois dos algarismos, riscar espaços em branco e não aceitar canetas de outra pessoa ainda valem.

Outra dica é ter cuidado com a grafia na hora de escrever. O algarismo 1, por exemplo, não deve ser escrito com uma linha reta na vertical porque essa linha pode ser “adaptada” e virar o algarismo 4 ou outro.

Assim como os cartões de crédito, os cheques também podem ser alvo de clonagem, como ocorreu com a cabeleireira Zenaide. “Eles podem construir um cheque novo ou conseguem tirar só um pedaço do papel e colocar outra camada”, diz o especialista da Serasa Experian.

É importante tomar cuidado com o destinatário do cheque, conferir sempre o extrato e só carregar a quantidade necessária de folhas para evitar que alguém tire cheques do seu talão e você não perceba. Os documentos de identificação, como RG e carteira de habilitação, devem ser guardados separadamente dos cheques. E, em caso de perda, furto ou roubo, o consumidor deve procurar o banco imediatamente e registrar um boletim de ocorrência.

Do portal G1 
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