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A vida com juros baixos | Instituto de Educação Financeira

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A vida com juros baixos

Até pouco tempo atrás, se alguém falasse que o Brasil estava prestes a se tornar um país com juros civilizados, seria motivo de chacota. Dezoito anos após a implantação do Plano Real, que trouxe a estabilidade econômica, o Brasil parecia destinado a ser o eterno campeão mundial dos juros altos, um título jamais ameaçado por nenhum país nas últimas décadas – exceto, talvez, o Zimbábue, cuja inflação chegou a 231.000.000% em 2008. Mesmo com a inflação atual na faixa de 5,2% ao ano, o Brasil tem de conviver com taxas que passam de 400% em alguns cartões de crédito.

Agora, surgem sinais de que os juros também podem alcançar um patamar de Primeiro Mundo – ou, ao menos, semelhante ao de outros grandes países emergentes, como China, Índia e Rússia. Isso deverá trazer uma transformação profunda na vida dos indivíduos e das empresas. “É um ponto de inflexão na história brasileira”, diz o consultor e palestrante Stephen Kanitz. “Vai provocar uma tremenda mudança cultural no país.”

A queda dos juros é fruto de uma conjunção de fatores. O maior deles é a própria estabilidade. Sem ela, ainda estaríamos correndo para o supermercado no dia do pagamento do salário para comprar antes da remarcação dos preços. A atual crise global também deu sua contribuição para a virada. Com a desaceleração econômica, o Banco Central pôde promover seguidos cortes na taxa básica de juros, a Selic, usada como referência pelos bancos, sem risco de incentivar um aumento no consumo e alimentar reajustes de preços com impacto na inflação.

Hoje, a taxa básica está em 9% ao ano e, de acordo com a expectativa dos analistas, deverá baixar a 8,5% no final de maio, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o menor nível da história. Descontada a inflação, isso representará uma taxa real de 3,1% ao ano.

Se o corte alcançar 0,75 ponto, como apostam alguns, a taxa real cairia para 2,9% ao ano. E, considerando uma taxa Selic de 8% ao ano para 2012, como aponta o mercado futuro, e uma inflação projetada de 5,6% para os próximos 12 meses, como preveem os analistas, a taxa real cairia para 2,3% ao ano – muito perto dos 2% prometidos pela presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2010. Há quem veja uma taxa básica na faixa de 6% ao ano no horizonte, como o banqueiro Luiz Cesar Fernandes, fundador do banco Pactual (hoje BTG Pactual) e presidente da Laep, a holding que controla a Parmalat e a Daslu.

Dilma iniciou uma controversa cruzada contra os juros altos cobrados pelos bancos e determinou ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal que reduzissem o custo do crédito. A iniciativa gerou um mal-estar com a Febraban, entidade que reúne os banqueiros do país, contornado com diplomacia depois de muito bate-boca pelos jornais. É certo que não se derrubam os juros no grito. É preciso mais que isso para chegar lá, como diminuir a tributação das instituições financeiras e os depósitos compulsórios recolhidos ao Banco Central sem nenhuma remuneração. Os resultados, porém, começaram a aparecer.

O último golpe foi mexer no rendimento da poupança. Pelas regras anteriores, seu rendimento espelhava a variação da Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês. Isso funcionava como um freio para uma queda maior da taxa de juro. Agora, os novos depósitos da poupança deixarão de ter ganho fixo sempre que a taxa for igual ou inferior a 8,5%. Nesse caso, eles serão corrigidos em 70% da variação da Selic no período de aplicação. Isso pode acontecer ainda neste mês, se as previsões se confirmarem.

As taxas do cheque especial, dos cartões de crédito e dos empréstimos já sofreram uma boa queda em quase todo o sistema financeiro. Ainda há espaço para novas reduções. Vários bancos privados não mexeram nos juros do crédito e talvez ainda levem algum tempo para fazê-lo. Mas ninguém duvida de que o Brasil está deixando para trás os tempos dos juros nas alturas.

A queda nas taxas está provocando mudanças em todos os investimentos. Aplicações que garantiam ganhos de 10% ou 12% ao ano recentemente sem correr praticamente nenhum risco agora estão perdendo fôlego. Quem quiser ganhar um pouco mais terá de se arriscar na Bolsa ou mesmo no mundo dos negócios.

Assustados com o novo cenário e a perspectiva de novos cortes, muitos investidores estão promovendo ajustes em seus portfólios de forma intempestiva, sem se dar conta das consequências de seus movimentos. “As pessoas terão de se aperfeiçoar em termos de educação financeira”, diz Osvaldo do Nascimento, diretor executivo de investimentos e de previdência do Itaú Unibanco. Mas não há razão para atropelos. “A adaptação tem de ser gradual, para que as pessoas não cometam equívocos.”

Com uma boa orientação, é possível tirar o melhor dessa nova era. “A queda dos juros deve abrir inúmeras possibilidades para a economia e para cada brasileiro”, afirma Joaquim Levy, presidente da Bram, empresa de gestão de recursos do Bradesco, e ex-secretário do Tesouro Nacional.

Da revista ÉPOCA
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