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A importância da educação financeira transpõe barreiras | Instituto de Educação Financeira

Finanças Pessoais, Notícias

Educação financeira transpõe barreiras sociais

O resultado de um ano de trabalho de um projeto que leva a educação financeira à comunidade de Florianópolis mostra a importância de iniciativas como essa.
Por Letícia Teston

Dívidas e dificuldades financeiras surgem muito mais por falta de organização do que por falta de recursos. Quanto mais cedo crianças e adolescentes aprenderem a cuidar do próprio dinheiro e entenderem a importância de planejar o futuro, menores serão as chances de se tornarem adultos endividados.

A educação financeira ainda é um hiato nas escolas do Brasil. Faltam profissionais capacitados para preencher essa lacuna nas instituições, tanto públicas, como privadas. E nas comunidades mais carentes o acesso à educação financeira é ainda mais restrito.

Foi pensando nisso que o Instituto de Educação Financeira (IEF) iniciou uma parceria com a equipe do projeto Casa dos Girassóis, que atende a comunidade do Mont Serrat, em Florianópolis. Desde o primeiro semestre de 2011, os pré-adolescentes que frequentam a instituição receberam aulas de Educação Financeira. A primeira turma se formou em dezembro deste ano.

As aulas foram organizadas pela educadora Celina Macedo, que ministra uma disciplina sobre o tema no Colégio de Aplicação da UFSC, e pela jornalista Emília Chagas. Um grupo de oito alunos, com idades entre 11 e 13 anos, participou dos encontros.

Pés no chão e cabeça nas nuvens

O casal Carl e Ellie, personagens do filme “Up, uma aventura nas alturas”, sonhava em viajar pelo mundo. Para realizar o sonho, eles guardavam em um pote de vidro todas as sobras do mês. Mas a reserva que seria usada para realizar a viagem acabou servindo para outras emergências: o pneu do carro furou, Carl quebrou a perna e gastou com o tratamento médico, a casa precisou de uma reforma depois de uma tempestade.

O que é mais importante é que os dois tinham um sonho e se organizaram financeiramente para realizá-lo. Essa é a lição financeira do longa: economizar só faz sentido quando sabemos onde queremos chegar. O filme foi exibido para os pré-adolescentes para debater a importância de ter um objetivo e planejar qual é a melhor forma de alcançá-lo.

Nas primeiras semanas, os alunos foram questionados sobre o que queriam para suas vidas. Surgiram vontades mirabolantes: viagens, ipods, iphones. Objetos e sonhos caros cujo custo muitos pais da classe média não poderiam arcar. Uma das alunas estabeleceu como meta de vida conhecer o Justin Bieber. Como? Ela não fazia ideia.

A partir de então, durante os encontros, os alunos aprenderem a estabelecer objetivos específicos e realizáveis no curto e no longo prazo. “Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro”. O poema “Ou isto ou Aquilo” de Cecília Meireles, trabalhado em sala, inspirou os alunos a colocarem em prática os conceitos apreendidos durante as aulas. E foi guardando o dinheiro que gastava em balas que Lara, de 13 anos, conseguiu economizar para comprar uma passagem de ônibus e visitar a tia. “Deu pra ir e voltar com o dinheiro que eu guardei”, se surpreende a aluna.

O desafio da última aula era colocar em prática os conceitos aprendidos durante o ano. Os desejos de cada um foram escritos no quadro e para conseguir alcançá-los cada aluno ganhou um cofre. Depois de estabelecerem o que queriam comprar e o quanto precisavam economizar, o desafio agora é juntar dinheiro no prazo que eles mesmos determinaram.

Essa foi a dinâmica das aulas, apresentar questões práticas do dia a dia a fim de que os pré-adolescentes passassem a questionar as próprias escolhas. “O trabalho de planejamento e organização financeira é muito importante para essa comunidade, pois vemos que a maior dificuldade não está na falta de recursos, mas na forma de utilização” avalia Mirelle Vecchietti, orientadora pedagógica da instituição.

A importância de levar a Educação Financeira a todas as classes sociais é uma das bandeiras levantadas pela educadora Celina Macedo. Por isso a intenção do IEF é ampliar o projeto e incentivar ações semelhantes.

Educação financeira para todas as classes

Contrariando o censo comum, as crianças das classes menos favorecidas têm um poder de persuasão maior perante os pais, ao contrário daquelas que estão no topo da pirâmide. Foi o que revelou uma pesquisa feita pela empresa Data Popular, em outubro de 2011. Enquanto nas classes mais altas apenas 10% dos jovens estudaram mais que os pais, na classe C essa porcentagem sobe para 68%. Esse seria o motivo para o jovem de baixa renda ter mais influência nas decisões de casa.

Mais de 50% dos pais da classe C que participaram da pesquisa disseram ter dificuldade em dizer “não” aos filhos. Entre as classes D e E essa porcentagem aumenta para 61%. Crianças e adolescentes da base da pirâmide usam o bom desempenho escolar como argumento para conquistarem o que desejam.

Pais que muitas vezes sequer completaram o primeiro grau consideram que a educação do filho é prioridade no orçamento familiar.

O estudo revela que o problema da falta de educação financeira está presente em todas as classes sociais e que é ilusão pensar que criança mimada é criança rica. Não importa a que classe social pertença, criança que não aprendeu a ouvir “não” desde cedo não vai saber controlar os próprios impulsos quando adulto. Por não saberem lidar com frustrações, tornam-se mimados. E criança mimada é o adulto consumista de amanhã.

A pesquisa ratifica a importância da educação financeira voltada a todos os nichos populacionais. É um desafio e tanto em um país carente de bons profissionais na área e que, ao mesmo tempo, possui uma população tendo a acesso ao crédito de forma inédita.

Formar cidadãos conscientes não apenas no que se refere ao controle orçamentário, mas críticos em relação aos próprios hábitos e comportamentos é um desafio e tanto. E poucas áreas de estudo se encaixam tão bem ao conceito de educação de Gilberto Freire: “educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante”.

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