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Cresce o consumo de drogas que aumentam a eficiência cognitiva | Instituto de Educação Financeira

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A droga da produtividade

Profissionais que só conseguem trabalhar a base de medicamentos que melhoram o desempenho é uma realidade comum nas empresas. Segundo um estudo realizado pela E-Pharma com mais de 500.000 colaboradores e executivos, os brasileiros consomem mais remédios contra a depressão e a ansiedade do que para o tratamento de doenças crônicas, como hipertensão, colesterol ou diabetes. Rivotril e Lexotan estão no topo da lista dos mais consumidos.

Estresse, pressão por bons resultados e medo de falhar foram apontados como os principais motivos para os chamados “tarja preta” serem utilizados com tanta frequência. Além de aumentar a eficiência na execução de tarefas que exigem concentração e agilidade, cada pílula é composta por substâncias que realçam a percepção, a memória, a vigilância e o raciocínio.

Desenvolvidos para tratar doenças e distúrbios como depressão crônica e síndrome do pânico, os efeitos colaterais no longo prazo ainda não são muito conhecidos. Apesar da venda sem receita médica ser proibida, muitos profissionais utilizam esses medicamentos para superar problemas do cotidiano profissional sem nenhuma prescrição médica.

Admirável remédio novo

Do déficit de atenção à hiperatividade, com a evolução das pesquisas neurológicas e o avanço da indústria farmacêutica, para cada novo distúrbio descoberto logo aparece um remédio. O sociólogo Zygmunt Bauman considera que o consumo desse tipo de medicamento é um dos sintomas da nossa crescente intolerância ao sofrimento.

Ao ser questionado pelo repórter da revista ISTOÉ sobre a razão do aumento do uso de antidepressivos, Bauman criticou a sociedade que, regulada por mercados consumidores, passa a acreditar que para cada problema há uma solução. E acredita que essa solução possa ser comprada na loja.

“Não foi provado que essa nova atitude diminui nossas dores. Mas foi provado, além de qualquer dúvida razoável, que a nossa induzida intolerância à dor é uma fonte inesgotável de lucros comerciais”, avaliou o sociólogo.

Até mesmo o abuso de drogas pelos universitários se tornou bem mais pragmático do que nos tempos da contracultura. O número de estudantes que buscam aprimoramento cognitivo através do consumo dessas substâncias cresceu a ponto de preocupar professores de universidades britânicas e norte-americanas.

Algumas instituições aprovam inclusive a criação de testes contra o que chamam de doping mental. O termo apareceu nos Estados Unidos no início da década de 1990, quando os alunos passaram a tomar medicamentos para diminuir o déficit de atenção e obter notas melhores.

Entre os médicos brasileiros, crescem os relatos de pacientes que procuram seus consultórios em busca de ajuda para passar em um concurso ou conseguir um emprego. Conhecidas como a “droga do empreendedor” e a “cocaína do século XXI”, a eficácia dessas substâncias ainda não foi comprovada.

Mais de oito décadas após a publicação do livro “Admirável Mundo Novo” do escritor Aldous Huxley, parece que a sociedade está atrás da droga que dissipe qualquer dúvida e insegurança que carregamos em nossa existência. No livro essa substância foi chamada de “soma”, descrita como “uma droga versátil, com pequenas doses tornava as pessoas felizes, tinham visões em doses médias e adormeciam em doses altas”.

Letícia Teston é estudante de jornalismo. Trabalha no IEF há dois anos.

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