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A ditadura do curto prazo | Instituto de Educação Financeira

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A ditadura do curto prazo

Álvaro Bandeira, sócio da Órama Investimentos: conjuntura global e ativos voláteis estimulam operações de curto prazo

O engenheiro Robson Strelow, de 39 anos, começou a investir na bolsa de valores em 2007, com foco no longo prazo. Mas quando as ações que tinha em carteira despencaram em 2008, após 15 de setembro, dia em que o banco Lehman Brothers quebrou, ele começou a vendê-las. “No início, era da turma do ‘buy and hold’ (comprar e manter). Mas não aguentei e me esqueci da estratégia assim que os papéis caíram. Tive um prejuízo altíssimo”, explica.

Mas Strelow não desistiu da bolsa. Depois do prejuízo sofrido, decidiu mudar a estratégia de investimentos. Atualmente, aplica de forma mais ativa, mesclando as metodologias de análise fundamentalista e técnica. O engenheiro vende alguns papéis quando atingem patamares interessantes de preço no curto prazo e compra quando recuam.

Para selecionar as ações, Strelow navega em sites que oferecem ferramentas de avaliação das empresas e analisa os volumes negociados de cada papel. Os dados são compilados em uma planilha que ele atualiza frequentemente. “Antes, investia e esquecia. Mas essa estratégia de longo prazo é complicada”, afirma Strelow. “Muita gente que entrou na bolsa antes da crise se decepcionou e abandonou o mercado. Quem ficou teve de rever as estratégias para sobreviver. Até porque, este é um mercado em que tudo é culpa sua. Ninguém vai ressarcir os prejuízos sofridos”, completa ele.

O elevado grau de imprevisibilidade que se instalou no mercado acionário em 2008 e permanece até os dias atuais, devido à crise europeia e às inúmeras dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos, teve um resultado claro: o aumento das estratégias de curto prazo. “O mercado foi tomado por muitas estratégias de curto prazo, o que é próprio da conjuntura global. Os ativos ficaram mais voláteis”, diz Álvaro Bandeira, sócio da Órama Investimentos. “Até mesmo os papéis conhecidos por ações de viúva, de setores que pagam bons dividendos, sofreram as sequelas da crise. Muitas pessoas mais velhas que tinham essas ações em carteira acreditavam que estavam protegidas”, acrescenta.

Uma amostra do aumento da volatilidade no mercado é o indicador VIX, que é um termômetro do medo dos investidores. Depois da crise, ele começou a registrar picos. Em outubro de 2008, bateu os 59,89 pontos, em junho de 2010 os 34,54 pontos, e em setembro do ano passado, 42,96 pontos, segundo levantamento doValor Data. Para se ter uma ideia, o VIX encerrou 2007 em 22,5 pontos.

O crescimento das estratégias de curto prazo tem sido bastante discutido nos EUA, onde ações que eram símbolo do longo prazo sofreram forte baque. Por exemplo, na Nyse, a seguradora AIG, que valia US$ 957,75 no fim de 2007, encerrou 2008 a US$ 26,31, segundo o Valor Data. Já no pregão de sexta-feira, fechou a US$ 33,63.

O debate em torno das estratégias de curto prazo esquentou com o avanço das operações de alta frequência, que são realizadas em milissegundos e hoje respondem por cerca de 60% do volume negociado diariamente no mercado acionário americano. “A SEC tem observado com cautela essas operações. Na minha visão, os robôs tornam a competição no mercado acionário até desleal. Eles fazem com que seja mais difícil competir com os grandes investidores institucionais”, diz Bandeira.

No Brasil, a alta frequência ainda está no início do processo de crescimento, tendo representado 9,4% do total negociado no segmento Bovespa no segundo trimestre deste ano, com média diária de R$ 1,2 bilhão. Mas o diretor-executivo de operações da BM&FBovespa, Cícero Vieira, estima que esse percentual chegará a 20% em até dois anos, principalmente devido à migração do Mega Bolsa (sistema onde são processadas as operações com ações) para uma nova plataforma chamada Puma, prevista para o fim deste ano e início de 2013.

Independentemente da expansão do uso dos robôs que operam em alta frequência, Jorge Simino, diretor de Investimentos da Fundação Cesp, afirma que a pessoa física sempre teve mais dificuldade de lidar com estratégias de longo prazo, que exigem disciplina.

Em sua opinião, essa tendência piorou com a crise de 2008 e o aumento da velocidade em que as informações são disseminadas, via agências de notícias. “Uma hora tem pacote de salvamento e, no dia seguinte, não tem mais. Uma hora determinado banco vai quebrar e depois não vai mais. É um ambiente de muita incerteza”, diz, ao citar como exemplo o debate em torno do ‘abismo fiscal’ nos EUA. O termo se refere ao aumento de impostos e aos cortes profundos nos gastos que ocorrerão a partir de janeiro, caso republicanos e democratas do Congresso americano não entrem em um acordo. “Nenhum economista tem ideia do que acontecerá em janeiro”, diz.

Simino avalia ainda que a cultura do curto prazo impregnou a sociedade como um todo e nem mesmo os gestores dos fundos escaparam desse processo. “Com a quantidade de informações que é despejada, eles podem até ter boas posições em carteira, mas sai um notícia negativa sobre determinada empresa, depois outra, as ações caem dois, três dias. Chega uma hora que eles não aguentam e vendem o papel, ainda que no futuro essa situação possa se reverter”, explica.

Ricardo Almeida, professor de Finanças da FIA, opina que o longo prazo saiu da moda temporariamente e explica que o problema é a cultura do cotista em todo o mundo. “As pessoas abandonam seus fundos assim que ocorre uma queda nos ativos em carteira. Isso pressiona os gestores a buscar rentabilidade no curto prazo, o que por sua vez estimula o uso das estratégias de alta frequência”, diz.

Do Portal Valor Econômico
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1 comentário to “A ditadura do curto prazo”

  1. Excelente material que você tem publicado.
    Tenho buscado atingir o equilibrio financeiro e seu livro a Arvore do Dinheiro ajudou-me a refeltir um pouco.Apos passar do vermelho para a o azul quero investir de forma a fazer o dinheiro trabalhar para mim.
    Grato!!!

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