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A ascensão e a queda do 'Madoff do vinho' | Instituto de Educação Financeira

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A ascensão e a queda do ‘Madoff do vinho’

Rudy Kurniawan: indonésio de origem chinesa foi incensado pelo mercado, mas pode ter causado prejuízo de dezenas de milhões de dólares a compradores de vinhos raros e caros que acabaram pagando alto por falsificações baratas

O mundo do vinho também conheceu o seu Bernie Madoff. E, assim como o megainvestidor picareta, o Madoff das grandes garrafas de Bordeaux e Borgonha está hoje atrás das grades. É uma história que mostra como a ganância e a ingenuidade de muita gente de muito dinheiro podem se tornar terreno fértil para espertalhões. A moral da história, por outro lado, é que nos Estados Unidos tipos assim acabam para o lugar certo, para ver o sol nascer quadrado.

O pequeno Rudy Kurniawan – cerca de 1,5 metro – sempre se fez notar nos leilões de vinhos das grandes casas. Na Christie’s de Beverly Hills, na Califórnia, ele tinha lugar cativo na primeira fila. Era fácil identificar o jovem chinês de nacionalidade indonésia. Afinal, os jeans de grife, a camiseta apertada e as botas de cowboy não eram exatamente parte da indumentária dos participantes costumeiros.

Pois bem. Rudy, aos vinte e poucos anos, tornou-se uma estrela nesse métier, incensado como dono de um bom gosto ímpar, de um nariz de expert e de uma carteira que parecia não ter limite – a sua simples presença nos leilões fazia com que os preços alcançassem níveis estratosféricos. Comprava e revendia preciosidades vínicas com uma desenvoltura nunca vista. Os seus milionários clientes se digladiavam para participar dos “investimentos”. Outros tornaram-se fiéis compradores de sua raridades.

E, nesse meio tempo, Rudy passou a usufruir da dolce vita dos americanos muito ricos. Vivia numa casa em Bel Air que, dizem, teria a mais impressionante adega dos Estados Unidos.

Nada mal para o jovem nascido na China em 1976. Filho mais novo de uma família de classe média que emigrou para a Indonésia quando ele ainda era menino, o pequeno Rudy mudou-se para os Estados Unidos aos 21 anos, para cursar a Universidade da Califórnia Northridge. Vivia então em Arcadia, uma área de grande comunidade chinesa em Los Angeles.

Não se sabe exatamente quando ele entrou para o circuito dos leilões de vinho, mas logo se destacou. Uma reportagem do “Los Angeles Times” em 2006 já descrevia sua performance nos leilões. O tom da reportagem era de admiração. Dizia que ele havia transformado o mercado. Segundo o “LA Times”, desde que Rudy começou a jogar pesado, em 2004, uma dezena de milionários teria aparecido para competir com ele por grandes aquisições. E outros teriam se aliado a ele para participar de investimentos de retorno certo e mais do que impressionante.

Foi justamente na época em que as garrafas de Bordeaux praticamente triplicaram de preço. Um Mouton Rothschild 1947 comprado por US$ 3,7 mil em 2001 só seria arrematado cinco anos depois por mais de US$ 10 mil. Isso evidentemente não se deu só por causa de Rudy, mas especialistas dizem ele teve uma participação no fenômeno.

E foi justamente lá por 2006 que Rudy encontrou seu ápice. Nada nele poderia fazer lembrar o jovem universitário. Estava agora entre os “big players”. Alguns conhecidos diziam que ele podia gastar cerca de US$ 1 milhão em vinhos numa única semana sem a menor cerimônia.

O mundo do vinho também conheceu o seu Bernie Madoff. E, assim como o megainvestidor picareta, o Madoff das grandes garrafas de Bordeaux e Borgonha está hoje atrás das grades. É uma história que mostra como a ganância e a ingenuidade de muita gente de muito dinheiro podem se tornar terreno fértil para espertalhões. A moral da história, por outro lado, é que nos Estados Unidos tipos assim acabam para o lugar certo, para ver o sol nascer quadrado.

O pequeno Rudy Kurniawan – cerca de 1,5 metro – sempre se fez notar nos leilões de vinhos das grandes casas. Na Christie’s de Beverly Hills, na Califórnia, ele tinha lugar cativo na primeira fila. Era fácil identificar o jovem chinês de nacionalidade indonésia. Afinal, os jeans de grife, a camiseta apertada e as botas de cowboy não eram exatamente parte da indumentária dos participantes costumeiros.

Pois bem. Rudy, aos vinte e poucos anos, tornou-se uma estrela nesse métier, incensado como dono de um bom gosto ímpar, de um nariz de expert e de uma carteira que parecia não ter limite – a sua simples presença nos leilões fazia com que os preços alcançassem níveis estratosféricos. Comprava e revendia preciosidades vínicas com uma desenvoltura nunca vista. Os seus milionários clientes se digladiavam para participar dos “investimentos”. Outros tornaram-se fiéis compradores de sua raridades.

E, nesse meio tempo, Rudy passou a usufruir da dolce vita dos americanos muito ricos. Vivia numa casa em Bel Air que, dizem, teria a mais impressionante adega dos Estados Unidos.

Nada mal para o jovem nascido na China em 1976. Filho mais novo de uma família de classe média que emigrou para a Indonésia quando ele ainda era menino, o pequeno Rudy mudou-se para os Estados Unidos aos 21 anos, para cursar a Universidade da Califórnia Northridge. Vivia então em Arcadia, uma área de grande comunidade chinesa em Los Angeles.

Não se sabe exatamente quando ele entrou para o circuito dos leilões de vinho, mas logo se destacou. Uma reportagem do “Los Angeles Times” em 2006 já descrevia sua performance nos leilões. O tom da reportagem era de admiração. Dizia que ele havia transformado o mercado. Segundo o “LA Times”, desde que Rudy começou a jogar pesado, em 2004, uma dezena de milionários teria aparecido para competir com ele por grandes aquisições. E outros teriam se aliado a ele para participar de investimentos de retorno certo e mais do que impressionante.

Foi justamente na época em que as garrafas de Bordeaux praticamente triplicaram de preço. Um Mouton Rothschild 1947 comprado por US$ 3,7 mil em 2001 só seria arrematado cinco anos depois por mais de US$ 10 mil. Isso evidentemente não se deu só por causa de Rudy, mas especialistas dizem ele teve uma participação no fenômeno.

E foi justamente lá por 2006 que Rudy encontrou seu ápice. Nada nele poderia fazer lembrar o jovem universitário. Estava agora entre os “big players”. Alguns conhecidos diziam que ele podia gastar cerca de US$ 1 milhão em vinhos numa única semana sem a menor cerimônia.

O bilionário William Koch: cliente, colecionador e artífice da queda de Rudy

Nas mesas dos restaurantes mais sofisticados de Los Angeles em que ele estava ninguém botava a mão no bolso – um garçon conta que certa vez viu Rudy gastar US$ 250 mil num único jantar regado a vinhos raros. Um sommelier descreveu o frenesi que tomava conta dos restaurantes quando sua trupe chegava: “O senhor Kurniawan sempre vinha em grande estilo, acompanhado de mulheres lindas e figuras respeitáveis da sociedade. Escolhia sempre os melhores e mais raros vinhos. E deixava gorjetas polpudas para todos, do cumim ao chefe de salão”. Para o sommelier também, é claro.

O negócio parecia realmente ir bem e ultrapassou as fronteiras da Califórnia para encantar também os comerciantes de vinho de Nova York. Numa ocasião, na Christie’s de Beverly Hills, nossa estrela gastou US$ 500 mil. Só por uma caixa de Château Cheval Blanc 1947 ele desembolsou US$ 75 mil. Na semana seguinte, recebido como um rei no Peninsula Hotel de Beverly Hills, gastou outro tanto no leilão da Zachys. Aí voou para Nova York, onde estenderam-lhe o tapete vermelho na Sotheby’s e na Acker Merrall & Condit.

Dizia-se que ele havia amealhado uma coleção de 50 mil garrafas de rótulos prestigiados. “Eu não sou um investidor, sou um bebedor de vinhos”, gabou-se uma vez o triunfante senhor Kurniawan.

Não era bem assim. Do mesmo modo que comprava, vendia em grandes quantidades também. Estima-se que a Acker Merrall tenha vendido US$ 35 milhões de vinhos da adega dele em um único ano – o mágico ano de 2006. Ganhou admiração geral quando passou a oferecer garantia contra fraudes. Era uma espécie de seguro-falsificação. Qualidade garantida ou seu dinheiro de volta com juros e correção.

E não era só pelas casas de leilão que ele fazia girar sua adega. Ganhou a proximidade de alguns bilionários importantes.

William Koch tornou-se um dos clientes preferenciais. Koch, iatista renomado, filho de um magnata do petróleo e dono de uma fortuna avaliada em US$ 3,4 bilhões, é conhecido como grande colecionador, capaz por exemplo de desembolsar milhares de dólares por uma garrafa de vinho do século XVIII que teria pertencido a Thomas Jefferson (vamos voltar a essa história depois).

Nesse ponto os rumores e boatos já pipocavam. As pessoas passaram a comentar com uma certa maledicência a mania que Rudy tinha de pedir aos sommeliers dos restaurantes que enviassem para sua casa as garrafas vazias dos vinhos raros que tomava. Nas grandes degustações promovidas pelas casas de leilão ele também acabava se apoderando das garrafas vazias. Era para a sua coleção particular, dizia.

Em 2007 começou a derrocada. Um lote de vinhos seus foi retirado na última hora de um leilão. A suspeita de que os vinhos fossem falsificações poderia ter mexido com a carreira de Rudy. Mas ele não se deu por vencido. Continuou a ser uma figura fácil nos leilões.

Porém, no ano seguinte, outro escândalo. Tentou vender um Domaine Ponsot 1929 engarrafado na propriedade, como constava do rótulo. O problema é que a Domaine Ponsot só começou a engarrafar em sua propriedade em 1934. Outras garrafas datadas de 1947 a 1971 davam conta de serem de um vinhedo específico que a domaine só passou a usar depois de 1982. No total, o lote teria ido a leilão por cerca de US$ 600 mil – e compradores não faltavam à época.

Rudy se defendeu dizendo que havia sido enganado, que havia comprado de colecionadores e comerciantes de vinhos na Ásia. O Ministério Público Federal de Nova York entretanto descobriu que os números dos telefones desses colecionadores e comerciantes que Rudy havia dado durante a investigação eram falsos.

Em 2009, veio o que deveria ser o golpe fatal. William Koch entrou na Justiça contra o falsário por ter-lhe vendido cinco garrafas falsas. Koch moveu todos os pauzinhos possíveis, acabando de vez com a reputação do Rudy. Muita gente diz que o bilionário foi movido pela vergonha de ter sido enganado no caso do vinho de Thomas Jefferson – a falsificação pela qual ele havia gastado uma fortuna o havia transformado em motivo de chacota. Não foi de Rudy que Koch comprou o vinho de Jefferson, mas a honra do bilionário exigia reparação, mesmo depois de o dinheiro pelos vinhos falsos ter sido devolvido.

Seria o fim de Rudy? Não.

Ele continuou a vender seus vinhos. No mês passado – sim, no mês passado -, um lote seu de 84 garrafas de Domaine de la Romanée Conti falsificados foi retirado de um leilão em Nova York.

Mas aí a coisa já não tinha volta. Procuradores federais de Nova York conseguiram uma ordem de prisão contra ele. Quinta-feira passada o FBI (polícia federal americana) bateu à porta da mansão em Bel Air, na Califórnia.

Rudy não teria oferecido resistência. Parecia resignado e, acima disso, confiante. Buscas feitas na casa encontraram papéis usados por falsificadores – um tipo que, com pouco tratamento, aparenta ser mais velho do que é -, colas especiais para colagem de papel em vidro e, por fim, dezenas de garrafas vazias.

Além da ação de Koch, o agora encarcerado Rudy responde a um processo da casa de leilões Acker Merrall, que diz ter devolvido o dinheiro de vários clientes prejudicados. Em primeira instância, a Acker Merrall conseguiu a condenação de Rudy em US$ 10 milhões. E, por fim, há uma ação cobrando empréstimos de US$ 3 milhões feitos por Rudy e que davam como garantia sua coleção de vinhos.

Como desgraça pouca é bobagem, o Serviço de Imigração dos Estados Unidos também quer a deportação do rapaz, já que ele vive sem visto no país desde 2003. A deportação entretanto só acontecerá após o cumprimento de um período nas não tão luxuosas instalações de um presídio em Nova York, caso a Justiça o condene – como se espera.

O julgamento ainda não foi marcado, mas o juiz Stephen Hillman cassou a possibilidade de Rudy esperar em liberdade, atendendo a um pedido da Promotoria, que temia que o réu fugisse do país se lhe fosse concedida a possibilidade de pagar fiança.

“Rudy Kurniawan se mostrava ao público como um aficcionado por vinhos que tinha um excepcional nariz para identificar falsificações. Mas no fim era ele o falsificador que levou quantidades prodigiosas de vinhos falsos a leilões e colecionadores desavisados. Se as alegações neste caso forem comprovadas, os dias de vinho e riqueza dos senhor Kurniawan acabaram”, disse um comunicado do procurador Preet Bharara, do Ministério Público Federal de Nova York.

Um grande golpista no mundo dos vinhos

A prisão na semana passada de Rudy Kurniawan pode ser considerada um símbolo da fragilidade dos controles no mercado de vinhos. Nascido na China em 1976, de uma família que emigrou para a Indonésia, Kurniawan mudou-se para os EUA para ir à universidade. Rapidamente, tornou-se uma referência no mundo do vinho, com lugar cativo nos leilões das grandes casas. Incensado como dono de um bom gosto ímpar e de uma carteira que parecia não ter limites, bastava sua presença para elevar os preços dos vinhos. Comprava e revendia preciosidades com desenvoltura nunca vista.

Mas desde 2007 começaram a circular rumores sobre fraudes. Chamou atenção o fato de ele pedir aos sommeliers dos restaurantes que enviassem para sua casa as garrafas vazias dos vinhos raros que tomava. Investigado, continuou a vender seus vinhos. No mês passado, um lote seu de 84 garrafas de Domaine de la Romanée Conti falsificado foi retirado de um leilão. Procuradores federais de Nova York conseguiram uma ordem de prisão contra ele. Na quinta-feira, o FBI bateu à porta da sua mansão em Bel Air. Há quem o compare com Bernard Madoff, preso por fraudes financeiras.

Do Portal Valor Econômico
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