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5 jeitos inteligentes de usar sua poupança | Instituto de Educação Financeira

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5 jeitos inteligentes de usar sua poupança

A rentabilidade mais baixa não fez a caderneta de poupança deixar de ser a aplicação preferida do brasileiro. No primeiro semestre, a captação de 12,5 bilhões de reais foi 33% maior que o valor captado pela poupança em todo o ano passado. Para quem quer preservar o patrimônio da inflação com algum ganho real ou até mesmo enriquecer, será certamente necessário buscar outros tipos de investimentos. Mas isso não significa que a poupança deva ser demonizada e a sua conta encerrada. Mesmo para quem busca maiores rendimentos, a caderneta pode ser bem útil em algumas situações.

1. Para objetivos de curto prazo

Com a Selic a 8% ao ano, a caderneta de poupança é definitivamente a aplicação conservadora mais vantajosa para qualquer objetivo em um horizonte de seis meses, ganhando do Tesouro Direto, dos CDBs de grandes bancos e dos fundos DI disponíveis à pessoa física – mesmo aqueles com taxas de administração baixas. Uma rentabilidade ligeiramente maior que a poupança pode ser encontrada em CDBs pós-fixados de bancos médios que rendam 100% do CDI com liquidez diária.

Ou seja, se você está juntando dinheiro para comprar um tablet ou fazer uma viagem curta, a poupança será seu melhor instrumento. Até para um horizonte de 12 meses a poupança é vantajosa pela sua praticidade. Outras aplicações igualmente seguras e líquidas terão uma rentabilidade apenas levemente maior nesse prazo, em função da cobrança de IR sobre os rendimentos, da qual a poupança está isenta. Assim, até para planejar suas férias no fim do ano a caderneta será uma boa opção.

2. Para juntar dinheiro para investimentos mais caros

Para quem deseja buscar mais rentabilidade em outros tipos de investimento, mas tem pouca capacidade de poupança mensal, a caderneta é um excelente instrumento para literalmente juntar dinheiro. Isso porque, para algumas aplicações, quanto mais dinheiro você puder investir de uma só vez, menores serão os seus custos. É o caso do investimento direto em ações, dos fundos de investimento de todo tipo, dos CDBs de grandes bancos e dos fundos imobiliários.

No primeiro caso, os lotes-padrão de ações ou de cotas de ETF (fundos atrelados a índices e com cotas negociadas em Bolsa) muitas vezes demandam o investimento de alguns milhares de reais. Existe hoje a possibilidade de comprar lotes fracionários, mas para André Massaro, especialista em finanças pessoais da consultoria MoneyFit, isso não é recomendável.

“O mercado fracionário tem menos liquidez, o que faz com que os preços dos papéis oscilem mais do que no mercado de lotes-padrão. Fora o custo. Enquanto algumas corretoras oferecem taxas de corretagem mais baixas para esse mercado, outras cobram um valor fixo, o que impacta negativamente na rentabilidade”, diz Massaro.

No caso dos fundos de investimento, os fundos com taxas de administração mais competitivas geralmente requerem aportes iniciais maiores, de alguns milhares de reais, além de movimentações mensais também mais elevadas. Se para você não é trivial obter 5.000 ou 10.000 reais para aplicar em um bom fundo de ações ou de renda fixa com taxa em conta, a poupança é um bom instrumento de acumulação para atingir o valor necessário, com a vantagem do jurinho extra.

Os fundos imobiliários, negociados em Bolsa ou mercado de balcão, têm um problema parecido. Embora seja possível comprar apenas uma cota desses fundos, elas podem custar mais de 1.000 reais em alguns casos. No caso de uma oferta pública de cotas, há número mínimo de cotas para subscrição, o que pode exigir investimentos ainda maiores.

Na renda fixa, nem sempre há essa necessidade de aportes maiores. Ela é mais comum para obter boas taxas nos fundos de investimento e uma rentabilidade maior em CDBs de grandes bancos, que muitas vezes condicionam a rentabilidade ao valor investido. Em CDBs de bancos médios não existe essa diferenciação de rentabilidade por aporte, assim como no Tesouro Direto, cujo investimento mínimo é de 10% do valor de um título, o que muitas vezes não chega a 100 reais.

Lembre-se ainda de que os custos fixos sobre aportes de baixo valor são mais pesados. Se você é obrigado a pagar um DOC ou um TED para transferir seus recursos do banco para a sua corretora, esse valor pesará muito se a quantia for baixa, mais será diluído se ela for mais alta. Existe a possibilidade de optar por um pacote de tarifas com isenção desse custo, ou mesmo por uma corretora que aceite depósito via boleto bancário. Leia mais sobre o impacto desses custos sobre o seu investimento.

3. Para a educação financeira dos filhos

De acordo com a educadora financeira Cássia D’Aquino, a caderneta de poupança deve ser o primeiro investimento de toda criança. Por ser um produto de fácil entendimento, ela pode ser apresentada aos pequenos já a partir dos dez anos de idade. Mas a poupança aberta em nome da criança para que ela mesma faça as movimentações deve ser diferente do investimento que os pais fazem para o futuro dos filhos.

“Eu recomendo aos pais que abram uma caderneta de poupança para que os filhos invistam as sobras da mesada e do dinheiro que recebem de presente para já aprender a poupar para alcançar seus objetivos de curto prazo. Os pais podem visitar o banco com a criança periodicamente e apresentá-la ao gerente, para que ela entenda desde cedo como as coisas funcionam”, aconselha Cássia.

4. Para o seu “colchão” de emergência

É recomendável que todo mundo, seja abastado ou dono de ganhos modestos, tenha uma reserva de emergência de alta liquidez suficiente para bancar suas despesas por um período de três meses a um ano e meio, dependendo do quão confortável a pessoa quiser se sentir. Esse fundo servirá para gastos em caso de desemprego ou qualquer eventualidade na família, como um problema de saúde grave.

O chamado “colchão” financeiro deve estar em alguma aplicação segura e altamente líquida. É claro que a poupança não é a única. Os títulos do Tesouro mais conservadores (as Letras Financeiras do Tesouro – LFT), os fundos DI e os CDBs também podem ser utilizados com essa finalidade. No caso dos títulos públicos, porém, o investidor deve manter em mente que só é possível vendê-los às quartas-feiras, o que pode atrapalhar um pouco o planejamento. De qualquer forma, o objetivo dessa reserva não é render, mas garantir a capacidade de sustento do investidor caso o pior aconteça.

5. Para os desorganizados começarem a poupar

Finalmente, a caderneta de poupança é o instrumento ideal para as pessoas menos organizadas começarem a pôr suas finanças em ordem. A boa e velha poupança é o instrumento ideal para aprender a poupar para fazer compras mais caras à vista ou mesmo juntar o primeiro pé de meia para investir em produtos mais sofisticados.

Após quitadas eventuais dívidas e feito o planejamento financeiro, deve-se começar a separar até 10% da renda mensal para destinar à poupança. Pode-se começar com apenas 1% e ir aumentando a quantia de ponto percentual em ponto percentual até atingir os 10% recomendados para quem está começando. O dinheiro deve ser o primeiro a sair da conta todo mês, e não as sobras. Se a sua conta poupança for atrelada à sua conta corrente, pode ser possível programar uma reserva mensal automática diretamente no caixa eletrônico, para não esquecer.

Do Portal Exame

 

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