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30 minutos para uma vida melhor | Instituto de Educação Financeira

Artigos, Família e finanças, Finanças Pessoais

30 minutos para uma vida melhor

Por Denise Hills*

Você sabe quanto tempo dedica ao trabalho para, no fim do mês, ganhar o seu dinheiro? E para escolher como vai gastá-lo?
Provavelmente, a resposta para a primeira pergunta deve estar na ponta da língua. Mas é possível que a segunda questão faça você pensar mais, ou ainda, traga dúvidas e inquietações.
Os brasileiros vivenciaram um longo período de inflação alta até meados dos anos 90. Quem viveu essa época deve se lembrar do overnight, dos carrinhos cheios de compras no início do mês, das tentativas de fazer o dinheiro valer cada centavo antes que fosse corroído pela inflação. Esses hábitos geraram no brasileiro uma cultura de curto prazo em relação ao dinheiro.
A estabilidade econômica iniciada pelo Plano Real modificou este cenário, com a primeira expansão de crédito e o surgimento de novos produtos bancários. Essa diversificação dos produtos financeiros foi positiva, pois ofereceu diferentes possibilidades às pessoas, além de estimular a economia. No entanto, a utilização dos produtos e serviços ofertados – principalmente o crédito – pode se tornar desfavorável, caso as pessoas não saibam utilizá-lo de acordo com os seus objetivos e momentos de vida.
Além de todo esse contexto, o brasileiro não está acostumado a falar de dinheiro e o tema planejamento financeiro raramente está na pauta das famílias por aqui, assim como geralmente não faz parte da formação dos filhos. É como se falar de dinheiro fosse errado ou tivesse algo de negativo.
Em média, o trabalhador brasileiro dedica 160 horas mensais para ganhar o salário no fim do mês. Então, por que não reservar alguns minutos por semana para sentar, escolher e planejar como gastar bem o que recebeu?
A maioria das pessoas gasta todo o fruto de seu esforço sem saber ao certo como. Estatísticas mostram que os consumidores não sabem para onde vão pelo menos 30% da renda. Os outros 70%, os trabalhadores “acham” que sabem qual destino têm. Assim, não é possível ter clareza sobre quanto cada um realmente usufruiu e quanto “desperdiçou” do salário. É bem provável que, se a pessoa não lembra como empregou aquele dinheiro, é porque não o utilizou da melhor maneira.
Isso ocorre, em parte, por causa do consumo por impulso, com compras que nem sempre são necessárias ou até mesmo desejadas. Impera o popular “se cabe no bolso, posso pagar”, sem considerar, na maioria dos casos, o total da dívida que se assume. No fim e ao cabo, temos um consumidor superendividado, com alta probabilidade de inadimplência e limitação do crédito, o que pode contribuir para a desaceleração da economia.
Os dados recentes de endividamento das famílias, divulgados pelo Banco Central no fim de junho, mostram números crescentes. Em abril deste ano, a dívida total das famílias correspondia a 44,46% da renda acumulada nos últimos 12 meses – maior percentual já registrado. Mas além de ser extremamente importante acompanhar o percentual de endividamento, é fundamental também compreender o nível de satisfação das pessoas em relação às dívidas contratadas: a decisão está sendo tomada de forma consciente e de acordo com os objetivos e com o momento de vida?
Se cada vez que você for comprar alguma coisa fizer uma rápida conversão para entender quantas horas de trabalho são necessárias para adquirir aquele bem ou serviço, saberá quanto suor foi necessário para fazer aquela aquisição. E poderá avaliar melhor se o gasto realmente faz sentido para você. Fazer escolhas com essa perspectiva pode mudar o hábito de consumo, pois com consciência e com perspectiva de presente e futuro, as decisões ficam mais equilibradas, é possível começar a guardar dinheiro e tornar-se uma pessoa mais satisfeita com as escolhas financeiras.
Quem faz um bom uso do seu dinheiro tem menos estresse financeiro, interage melhor com os colegas e é mais produtivo no trabalho. Fica mais próximo de conquistar objetivos, como adquirir a casa própria, viajar, garantir a educação dos filhos, construir uma nova carreira ou se planejar para a aposentadoria. Ou seja, tem mais segurança sobre os rumos da própria vida. Também possui relações mais saudáveis em casa, além de proporcionar um ambiente familiar em que os filhos aprendem a lidar com o dinheiro através do exemplo dos pais.
Ou seja, com uma prática simples, é possível se estressar menos, melhorar a saúde, o relacionamento com a família e até mesmo a carreira. Tudo isso por causa do bem-estar financeiro.
Há estudos indicando que a produtividade de um trabalhador estressado chega a ser 25% menor, e o mesmo pode ser dito em relação a um profissional endividado. Um levantamento elaborado pelo Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas mostra que trabalhadores com dificuldades em lidar com as finanças, faltam mais e pedem mais abonos médicos. O nível de estresse financeiro, ainda de acordo com a pesquisa, não tem relação com a faixa salarial do colaborador, ou seja, afeta igualmente tanto os que recebem mais quanto os que ganham menos. Assim, podemos correlacionar a desinformação financeira com o estresse, que pode acabar gerando mais ansiedade e estimular ainda mais gastos por impulso.
Há, no entanto, uma maneira relativamente simples para reduzir o estresse e usar o dinheiro com o que realmente faz sentido para você e sua família. Dedique alguns minutos de seu tempo para tirar uma fotografia de sua situação financeira: o que tenho, quanto devo, quanto recebo e para onde vai o dinheiro. Pelo menos uma vez por mês faça esta experiência. Identifique o destino do dinheiro, faça uma lista do que realmente gostaria de ter ou fazer e caminhe em direção a essas realizações. Planejar a vida financeira é uma tarefa mais fácil do que muitos imaginam. Basta um pouco de dedicação e reflexão para fazer melhores escolhas.
Para ter uma ideia dos resultados práticos de um maior cuidado com as finanças, fizemos uma avaliação com colaboradores do impacto de todo o programa de educação financeira que implantamos ao longo dos últimos anos, que compreende palestras, site, cursos presenciais e a distância, campanha perene de comunicação e programa de voluntariado. A pesquisa feita mostra que houve um aumento de 37% na adesão à previdência, um crescimento de 56% no número de pessoas que têm poupança e a quantidade de colaboradores que tinham algum outro investimento dobrou.
Um importante aprendizado deste processo é que, de fato, investir em educação financeira de forma consistente traz resultados positivos. Portanto, dedicar alguns minutos para planejar como usufruir melhor o dinheiro pode ser um excelente remédio para melhorar a qualidade da vida pessoal e profissional, sem falar na financeira. Que tal tentar essa experiência?

(*) Denise Hills é superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco

Artigo publicado no site da revista Plurale

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2 comentários to “30 minutos para uma vida melhor”

  1. Bom dia, sou professor de Matemática e estou sempre acompanhando as notícias de educação financeira, gostei muita da participação da Sra.: Denise Hills no programa da Fátima. Sou Mestrando e gostaria de apresentar meu trabalho de conclusão de curso usando matemática financeira – finanças pessoais, se tiver algumas bibliografias, fico grato.

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